Análise | Huawei FreeBuds 3 são legais ou mais do mesmo?

Por Luciana Zaramela | 23 de Abril de 2020 às 17h04
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O mais recente filhote da família FreeBuds, da Huawei, chega com um visual que lembra bastante outro modelo, de outra marca conhecida que também fabrica smartphones. Algum palpite? Bom, não precisa demorar muito: você bate o olho nos FreeBuds 3 e já entende que a musa inspiradora desse novo modelo foi aquela maçã, dona dos AirPods. Essa tendência de marcas, principalmente chinesas, copiarem o design da Apple já é antiga, e vem desde o iPhone 6 — passando, inclusive, pelos tablets e notebooks da marca de Cupertino. Então por que não usar também o molde de fones de ouvido, não é mesmo?

Com um case que tem um formato que, sem precisar forçar a imaginação, vai te fazer se lembrar de uma pokébola, de uma caixinha de fio dental ou de um "sabonete de vó", os FreeBuds 3 chegam ao mercado prometendo clareza no som, carregamento super rápido e total liberdade de uso otimizada para telefones da Huawei. Afinal, como será a experiência com os foninhos truly wireless da chinesa? É o que você vai descobrir agora.

Design & Ergonomia

Case redondinho, feito de plástico resistente e com acabamento brilhante; fones com "cabinho" (ou haste) e totalmente sem fios. Assim são os FreeBuds 3 que, conforme a evolução das gerações passadas, que os in-ears da Huawei já tinham design semelhante aos dos fones da Apple, dessa vez chegaram mais airpodzados do que nunca. E quando eu falo em AirPods, me refiro aos dois primeiros, e não aos AirPods Pro (que têm um cabinho mais curto e uma ponteira de silicone cobrindo os drivers). De fato, os FreeBuds 3 são a resposta da Huawei aos AirPods de segunda geração (2019), porém em três cores: branca, preta e vermelha.

Os fones são super leves (4,5 g) e têm um formato de vírgula, com a haste, mas não têm fios. Ou seja: a "parte in-ear" do modelo é mais arredondada, não possui ponteira e tem um encaixe bem parecido com o dos fones da Apple: eles não vedam seu canal auditivo e apenas se encaixam ali (o que acaba por comprometer o selamento acústico e o isolamento de ruídos externos, deixando escapar e entrar frequências). É nessa cápsula que a Huawei colocou a principal anatomia do seu FreeBuds 3, com o driver dinâmico de 14 mm, "tubo de baixos", componente assim chamado por enfatizar frequências graves e o chipset Kirin A1, que promete estabilidade e qualidade na conexão Bluetooth. Na parte mais compridinha, que se estende da cápsula arredondada (que abriga os drivers) até o "pé da orelha", em direção à bochecha do usuário, estão o contato para que o carregamento seja realizado no case, o microfone e também os controles sensíveis ao toque.

Com vocês, Huawei FreeBuds 3! (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Com certificação IPX4, esses fones suportam condições de chuva e suor, mas não são tecnicamente à prova d'água, isto é: melhor você nem tentar tomar banho com eles, nem mesmo lavá-los em água corrente.

Em termos de estabilidade, o formato de bengala dos fones é o que os torna mais firmes e seguros na orelha. Pelo menos em nossos testes aqui no Canaltech, o fone não fez menção de cair, muito menos ameaçou se deslocar da orelha, mas não foi um ás do conforto, também. Uma vez que você consegue a melhor adaptação para seus ouvidos, poderá usá-los nas atividades do dia a dia sem medo, e isso envolve desde uma pedalada de bike até o trabalho a uma rápida ida ao supermercado.

Entretanto, apesar de estáveis, pelo menos na minha orelha, os FreeBuds cobraram um precinho para se manterem em posição ideal para a) não caírem; e b) entregarem um som legal. A cartilagem superior da entrada do meu canal auditivo começou a doer com menos de cinco minutos de uso, o que me obrigou a girar um pouco o fone para não sentir incômodo algum — e, em contrapartida, a qualidade do áudio se perdeu nessa manobra, pois o selamento foi prejudicado em prol do conforto. Vamos voltar a esse assunto na seção de áudio desta análise.

Visualmente, é bonito? Depende do seu ponto de vista. Você acha os AirPods bonitos? Estes aqui são fones bem feitos e com acabamento nível Apple, mas daí a dizer que são bonitos, vai depender de você gostar ou não do jeitinho AirPods de ser. Eu, particularmente, não gosto. Acho, aliás, que gostei mais do formato do case.

O case redondinho com a tampinha aberta: a luz verde indica carga completa (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

O estojo redondinho da Huawei é simpático e não incomoda no bolso, é fácil de achar no meio da miríade de trecos que, eventualmente, você também possa carregar na sua mochila e, além de tudo, é bem charmosinho. Quando eu falo que lembra uma pokébola, quero dizer que, apesar do case não ser "partido" no meio, ele se abre para libertar os fones (ou guardá-los) de forma muito parecida com a bolinha do animé, só que, claro, sem botão de abre/fecha. Tal como o case dos AirPods, ele possui um botãozinho só para reativar a conexão Bluetooth, em caso de busca pelo dispositivo, e suporta carregamento sem fio, se você tiver um dock ou celular que permita essa façanha.

Controles

Embora invisíveis, os controles dos FreeBuds 3 estão sob sua superfície touch, na parte externa, no cabinho. Para reproduzir e mudar de música, basta aplicar dois toques no fone direito. No fone da esquerda, os dois toques servem para ativar/desativar o cancelamento ativo de ruído (?!!!). Para interromper ou pausar a música, é só retirar os fones da orelha. Colocá-los de volta também faz com que a música continue de onde parou. E controle de volume? Não tem.

Em chamadas, o fone também pode ser usado como headset. Inclusive, segundo a Huawei, há um "sensor de voz óssea", aqui, que funciona para captar melhor sua voz através das vibrações dos ossos da sua cabeça e da sua face. Isso permite que o fone capte com clareza o que você fala ao telefone e reduz interferências de ruídos externos.

Os FreeBuds 3, nos nossos testes, não se mostraram tão responsivos ao toque quanto gostaríamos. Na verdade, algumas vezes foi preciso repetir o comando duas, três ou mais vezes para que eles "entendessem" o que queríamos. E não é um mau funcionamento individual do sensor: aconteceu tanto no fone da esquerda, como no da direita.

Microfone

Cada bud vem equipado com um microfone, na extremidade da haste, na parte metálica. A Huawei optou por um design aerodinâmico, com dutos para que o microfone capte sua voz, mas não o ruído do vento, em ambientes muito abertos ou durante uma caminhada.

A empresa ainda empregou um sensor que capta sua voz pela vibração dos ossos da face, o que ajuda a livrar as interferências de ruídos externos. A ideia, com isso, é aprimorar sua voz para deixá-la mais nítida durante as chamadas telefônicas, mesmo se você estiver em um lugar muito movimentado, como o saguão de um aeroporto em horário de pico, ou dando uma corridinha ao ar livre.

As bolotinhas pretas são sensores de proximidade. Na parte metálica estão, além dos conectores de carga, os microfones (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Por conta disso, a qualidade do microfone destes in-ears é bem interessante, até mesmo em condições adversas, como em caminhadas com muito vento ou chuva. Mas isso não quer dizer que o microfone vai sempre captar o que você diz e bloquear todo o barulho ao redor. Em um terminal rodoviário ou na rua, em horário de muito movimento, você vai ter que gritar e a pessoa do outro lado vai ouvir muito barulho, sim.

Cancelamento ativo de ruído

É interessante perceber que a Huawei resolveu colocar uma funcionalidade para bloquear ruídos externos em um fone cujo selamento não é hermético nos ouvidos, ou seja… é um recurso para inglês ver. Não faz muita diferença, principalmente em casos como o meu, que tive que abrir mão de um encaixe melhor para ter mais conforto e perdi em qualidade sonora.

A diferença entre usar os fones com cancelamento ativado e sem foi praticamente nula. Isso faria muito mais sentido se os fones tivessem ponteiras de silicone e se adaptassem com boa pressão aos seus ouvidos, o que além de isolar o som de maneira passiva, permite com que uma função ANC faça diferença em in-ears. Afinal de contas, para que isolar o som se ele, fisicamente, vai entrar de qualquer forma nos seus ouvidos por falta de barreiras? Em outras palavras, é perfumaria e não acrescenta muita coisa nos FreeBuds 3.

Bateria

Os FreeBuds 3 oferecem 4 horas de autonomia por carga, e um estojo que suporta até 4 recargas, o que totaliza 20 horas de reprodução. Menos que o que os AirPods oferecem (5 horas e 24 horas, respectivamente), mas há um ponto considerável para se levar em consideração: os FreeBuds 3 contam com um carregamento super rápido quando o case é conectado via USB-C no computador, por exemplo, e em uma horinha você tem a bateria toda cheia.

Você vai perceber um quadrado metálico no case com a logo da Huawei. É que o case também funciona com carregamento por indução (o chamado Qi), e você pode repousá-lo sobre as costas do seu smartphone ou um dock de carga para que a mágica aconteça, totalmente livre de fios. Esse quadrado com a marca da Huawei serve como orientação e deve ficar voltado para cima nesses casos.

Conectividade

Os FreeBuds 3 são dotados do chipset Kirin A1, que confere a eles estabilidade e qualidade na conexão Bluetooth 5.1, mesmo a longo alcance. Isso provavelmente funciona melhor em smartphones da própria Huawei, já que os fones são otimizados para serem usados com celulares da mesma marca (têm menos latência, seguram mais a conexão sem fio e performam melhor em áudio).

Para parear os fones com qualquer smartphone, seja Android ou iOS, basta abrir o case próximo ao celular e procurar pelos FreeBuds 3 na lista. Uma vez feito o pareamento, toda vez que você abrir o case, os fones já serão automaticamente conectados.

Mecanismo de abertura do case (GIF: Luciana Zaramela/Canaltech)

Os fones trabalham de maneira independente graças ao chip Kirin A1, e funcionam perfeitamente com smartphones Android, porém deixam a desejar em iPhones — já que o aplicativo oferecido pela Huawei para controlar os fones não está disponível na App Store, apenas na loja do Google.

Um aspecto estranho que encontrei durante a reprodução da música foi que, ao remover apenas um fone, a faixa continuou sendo reproduzida no outro, ou seja… se você tirar um dos fones, a música não vai pausar, como acontece em vários outros modelos TWS por aí.

Já a latência, no entanto, não chega a ser um grande problema. Aliás, problema algum. Se você parear os FreeBuds 3 com um smartphone rodando Android 10, vai perceber (ou nem vai) que a sincronia entre áudio e vídeo é boa, principalmente para um fone Bluetooth truly wireless. Já com telefones da Huawei que rodam a EMUI 10, os FreeBuds 3 têm um desempenho melhorado, com latência ultrabaixa.

Não cheguei a testar os fones com um smartphone da Huawei, mas segundo a empresa, a integração entre fone e celular da marca é lisa e funciona sem gargalos nem repiques. Aliás, um Huawei P30 com os FreeBuds 3 funciona tal qual um iPhone 11 com os AirPods 2. Abriu o case? Já aparece na tela com animaçãozinha e tudo.

Áudio

Análises são subjetivas, tais como ouvidos são únicos. Partindo desse princípio, vamos falar sobre o som dos FreeBuds 3 com a ressalva da ergonomia: apesar de os fones estarem em posição confortável nos meus ouvidos, eles não estão corretamente alocados na entrada do meu canal auditivo por motivos de incômodo e dor na cartilagem. Isso é um ponto bastante negativo, particularmente falando, não só dos FreeBuds 3, mas também dos AirPods e até dos fones cabeados da Apple. Não consigo um que fique bem ajustado nos meus ouvidos. Tenho de sacrificar a qualidade do áudio, deixando de direcionar o áudio corretamente em prol da qualidade sonora, mas isso não necessariamente acontecerá com você.

Como será que os FreeBuds 3 se saem na prova de fogo? (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)


Graves

De modo geral, em um período de experiência bastante eclético com os fones, ouvi do free jazz ao trance e a impressão que tive dos graves é que são, sim, presentes, bem alocados, porém bastante neutros. Isso pode agradar quem não tem exigências com graves gordos e profundos, mas pode parecer insosso para pessoas que ouvem muita música eletrônica ou pop, por exemplo, que hoje em dia são ricas em graves e subgraves. O tal do tubo de baixos que a Huawei colocou nos fones talvez seja melhor aproveitado com o auxílio de um aplicativo de equalização (o que o app da Huawei não faz), já que, por padrão, os fones soam muito equilibrados em todas as frequências.

Na versão remasterizada de September, hit do Earth, Wind & Fire em que o contrabaixo se destaca tanto quanto a voz, senti falta de pressão nos graves justamente por se tratar de uma mescla entre R&B e disco music. Claro: muito dessa falta de peso nos graves se deve à falta de selamento ideal nos ouvidos, já que os graves são as primeiras frequências a "escapar" quando um fone não está bem posicionado no nosso canal auditivo. O contrabaixo soou murchinho, deslocado para o fundo da gravação, mas mesmo assim presente. Pressionando levemente os fones e mirando os drivers em direção ao canal auditivo, houve uma melhora substancial nessa gama de frequência, no entanto, não aguentei nem 10 segundos por razões de… dor. Não há ponteiras nem espumas nem nada que amorteça o contato direto do plástico dos Buds nos ouvidos.

Na versão de The Thrill Is Gone em que o B.B. King canta com a Tracy Chapman, o contrabaixo chega mais gordo por natureza, já que a música é um blues choradão, gravão, e o baixo é muito marcante. Só que… não chega como deveria. A todo momento a impressão que tive foi uma necessidade forte de ou pressionar os fones constantemente, pagando pelo preço da dor, ou usar um help de um aplicativo com equalizador. Apps assim funcionam e podem dar um help tanto no ganho global quanto em cada faixa de frequência. Tem aos montes na Play Store, em versões pagas e gratuitas.

Músicas modernas do "hit parade", que aderiram à moda dos subgraves, soam bem nos fones. Ele tem uma boa resposta nessas frequências e você vai conseguir curtir sua Rihanna, seu K-pop, sua Anitta numa tranquila, talvez até mesmo sem precisar de ajuda de outro app.

Médios

Quem acompanha as análises de fone de ouvido e áudio do Canaltech já deve ter me visto dizer que, para mim, a frequência mais importante é a dos médios. Ela dá toda a "liga" e equilíbrio da música, mas não pode haver discrepância tonal: médios muito fortes podem canibalizar as frequências vizinhas e fazer com que o fone pareça mais um radinho de pilha antigo. E se eles forem fracos demais, o fone soa exageradamente V-Shaped, ou seja, com baixos super impactantes e agudos brilhantes demais, sacrificando os médios — isso artificializa a música e tira a nuance da voz humana e de boa parte dos instrumentos de base e solo.

Em Réu Confesso, do eterno Tim Maia, tive uma boa impressão dos médios, mas não a ideal. Ele canta a música inteira com um vocal mais alto, abordando bem e explorando a gama média com a voz. Tal como a voz de Tim, temos pianos e violões de base, riffs discretos de guitarra, umas pontes bem embasadas de metais e uma batida super dançante, rica em percussividade, caixas e congas. Todos os instrumentos chegam com clareza, mas senti falta de peso. Os backing vocals ficaram muito discretos, e os fraseados de metais (deslocados para o fone da esquerda) ficaram tímidos. A voz de Tim tem um poder natural de sobrepor qualquer instrumento da galáxia, mas Réu Confesso poderia ter soado melhor se os fones fossem hermeticamente adaptados. Ou seja… apesar de ter bons médios, não entregaram todo o seu poder de fogo porque faltou encaixe.


Agudos

A gama aguda desses fones da Huawei é bem respeitosa, traz brilho e definição em níveis bem legais, além de boa presença e nenhum hiss ou superênfase a ponto de deixar o som cortante, mesmo com o volume mais alto. Não é uma frequência que atropela suas vizinhas, mas é forte o suficiente para fazer com que os fones entreguem um som aberto em praticamente qualquer estilo. Em volumes lá em cima, os agudos não fritam e nem chiam, mas se sobressaem bastante.

Uma música brasileira bastante aguda é Vaca Profana, versão de estúdio na voz de Gal Costa, e foi legal ouvi-la nos FreeBuds 3 pela forma como eles entregaram a voz gritada de Gal, as guitarras super agudas, pianos, chimbais, enfim… a gravação toda é bastante aguda em todos os instrumentos, e nos fones da Huawei não frita os ouvidos, muito menos soa pungente. É aquela coisa… um fone com falta de adaptação ideal perde primeiro em graves, mas os agudos resistem (e vazam muito, também).

Rumba flamenca: um estilo rico, variado e altamente explorador das frequências agudas. Resolvi colocar os FreeBuds 3 para tocar o lado mais pop dos "gitanos" com Djobi Djoba, dos Gipsy Kings, por vários motivos: violões fervorosos, vocal tremido e choroso, percussão característica e muitas, muitas palmas. O resultado? Bacana! O fone trouxe uma boa ambiência e bom nível de detalhamento, e no refrão você consegue escutar com brilho e clareza a voz de Nicolas Reyes frente aos violões flamencos, batida pulsante do cajón, contrabaixo, bongôs e, claro, as tais das palmas.

Aplicativo

Primeiramente, antes de falar sobre o conteúdo do app, vale destacar que ele não está disponível para iOS. Então, se você possui um iPhone ou iPad e, porventura, está de olho num fone da Huawei, esqueça a personalização dos FreeBuds no app. Não vai acontecer, simplesmente porque a empresa não desenvolveu um aplicativo para os gadgets da Apple. Talvez porque seus fones já sejam a cópia dos fones da maçã, inclusive no preço… então é melhor que você pense nos fones da mesma marca do seu iPhone, mesmo.

Já no Android, basta buscar pelo app Huawei AI Life na Play Store — o mesmo app que a fabricante usa para conectar seus dispositivos em uma casa inteligente. Baixou, instalou, pareou? Agora é só definir alguns ajustes e usar os fones do jeito que você quer.

Pelo AI Life, você consegue efetuar ajustes básicos nos seus FreeBuds 3, como ativar e definir o nível de cancelamento de ruído — o que, apesar de soar promissor, é bem mirim nesse modelo e, segundo a própria Huawei, essa função tem uma eficácia que varia de acordo com a pessoa (e acho que eu estou na base dos usuários que quase não sentiram diferença ou não sentiram diferença alguma em ambientes mais movimentados). Claro, o fone não é hermético e trabalha para reduzir o ruído, e não cancelá-lo, como fazem os AirPods Pro ou o Sony WF-1000XM3, por exemplo.

Huawei AI Life: esta é a interface e a lista de funcionalidades do aplicativo (Screenshot: Luciana Zaramela/Canaltech)

Pelo app você também controla os comandos da superfície touch dos fones e configura o que deseja fazer com toques duplos no fone direito ou esquerdo (reproduzir música, ativar a assistente de voz do seu celular, ativar a redução de ruído, atualizar o firmware dos fones etc.). Também consegue verificar pela home do aplicativo se seus fones estão bem de bateria, assim como o case. Como a Huawei empregou uma tecnologia nova com seu chip Kirin A1, os fones trabalham de maneira independente até na bateria: cada um tem a sua e você tem marcadores individuais tanto para o fone da direita, quanto para o da esquerda, como para o case.

O que eu mais senti falta nesse app da Huawei foi de um equalizador, mesmo que com presets. A Sony, a Jaybird e a Samsung, por exemplo, trazem em seus aplicativos uma série de parâmetros de configuração para seus fones de ouvido, incluindo presets de equalização que deixam o som de neutro a enfático em graves ou agudos, por exemplo, ou ainda, no caso da Jaybird, te deixam equalizar do seu jeito. Seria um excelente extra se a Huawei também trouxesse isso nos seus FreeBuds através do aplicativo, mas não é o caso. Se você quiser, no entanto, pode baixar qualquer app que trabalhe paralelamente com o sistema de áudio do seu smartphone para equalizar suas músicas. Existem opções pagas e gratuitas na Play Store. Até mesmo os serviços de streaming, como o Spotify, contam com um equalizadorzinho gráfico para ajudar na aventura.

Cancelamento ativo de ruído?

Esse é o grande ponto de interrogação dos FreeBuds 3, pois, sem rodeios: não faz a menor diferença em ambientes abertos, ou externos. Você só vai sentir a tal qualidade de estúdio que a Huawei diz no site oficial se estiver em um ambiente silencioso e, assim, ativar a função ANC por meio do aplicativo em um celular Android. O barulho do ventilador pode sumir, daí. Mas não o da TV ligada.

Diz o site: O ANC combinado com o melhor processador de áudio disponível proporciona uma redução precisa do ruído do ambiente que é otimizado em tempo real, capturando e cancelando o ruído de fundo à medida que ele muda. Não importa que seja no metrô lotado ou em um restaurante barulhento, você ainda pode desfrutar de uma música com o som nítido e cristalino.

Há controvérsias.

No escritório, até que dá para isolar um pouquinho o ruído de ventiladores ou do ar condicionado, mas isso não quer dizer que o fone vá conseguir filtrar as conversas alheias. Você ainda vai se ouvir digitando no teclado, vai ouvir a TV ligada, vai ouvir a música ambiente interferindo com a sua (dependendo dos volumes), vai ouvir o barulho da cafeteira elétrica, do interfone tocando, do telefone, do carro buzinando na rua, do cachorro latindo, do gato miando (home office feelings), do seu amigo batucando na mesa… não é, definitivamente, um ANC imersivo. Eu não diria nem que é um cancelamento ativo de ruído, mas sim uma redução de sons amenos.

Infelizmente, seja pela anatomia da minha orelha ou simplesmente pelo fato de o fone não ter um encaixe preciso por falta de ponteiras emborrachadas, não aconteceu nada disso nos nossos testes.

O microfone externo dos FreeBuds 3 capta o som e filtra ruídos de maneira a entregar por meio dos drivers uma música mais pura, livre de interferências. Em teoria, certo? Porque na prática, sinceramente, quem vai ligar cancelamento de ruído em um ambiente… sem ruído? Pura perfumaria e baixíssima funcionalidade.

Preço e onde comprar

Os FreeBuds 3 da Huawei estão disponíveis nas lojas físicas e e-commerces nacionais pelo preço médio de R$ 1.299 — praticamente o mesmo valor dos AirPods de segunda geração, com os quais eles concorrem.

Se você cavoucar bem, pode encontrar ofertas interessantes que te ajudarão na decisão da compra. Na data de publicação deste review, os FreeBuds 3 saem a R$ 890 no site das Americanas, no boleto.

Você encontra o fone nas cores branca e preta, apesar de no site oficial da Huawei também ser divulgada uma terceira cor, vermelha.

Specs

  • Driver: dinâmico, 14 mm
  • Dimensões de cada fone: 41,5 x 20.4 x 17,8 mm
  • Dimensões do case: 60,9 x 21,8 mm
  • Peso de cada fone: cerca de 4,5 g
  • Peso do case: 48 g
  • Interfaces de carregamento: USB Tipo-C (5V 1.2A 6W) e Qi padrão (2W)
  • Bateria: 30 mAh (min., para cada fone) e 410 mAh (min., para o case)
  • Tempo de carregamento: 1 hora
  • Bluetooth: 5.1

O que tem na caixa

  • Freebuds 3
  • Case de carregamento
  • Cabo USB-C
  • Manuais e garantia

FreeBuds 3: valem a pena?

Considere comprar os FreeBuds 3 se você:

  • Não gosta de fones com ponteiras que geram pressão nos seus ouvidos;
  • Adore o visual dos AirPods mas tem um smartphone Android (melhor ainda se for da Huawei);
  • Não ligue muito para cancelamento ativo de ruído;
  • Possa abrir mão da resposta das frequências em prol do conforto;
  • Tenha mil mangos ou mais na carteira para gastar.

Partindo dessa lista de pressupostos, e sem desviar da máxima de que análises são subjetivas, os FreeBuds 3 não são nenhum supra-sumo da indústria, mas também não são fones ruins. Eles têm, sim, um áudio bacana, principalmente para quem conseguir encontrar a posição ótima, gerando um equilíbrio entre adaptação, estabilidade e entrega das frequências aos ouvidos.

O design é muito próximo ao dos AirPods 2, assim como o preço, portanto a escolha vai depender da marca do seu smartphone, mais do que da qualidade sonora: isso porque, digamos: FreeBuds foram feitos para quem usa Android, preferencialmente num Huawei. O poder de controle que o aplicativo AI Life te dá sobre os fones de ouvido é legalzinho, repetindo, se você tem um smartphone que rode Android ou, melhor ainda, um smartphone da Huawei — que aí a integração e a conectividade são lisinhas, já que nasceram um para o outro.

Já esse negócio de não ter compatibilidade com os smartphones da Apple quebra bastante o poder de escolha do consumidor. Mas aí você se pergunta: ora, quem tem iPhone que compre AirPods, certo? Pelo menos acho que faz mais sentido, mas a liberdade de escolha está aí para quem pode aproveitar.

E então: será que vale o investimento? (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

A questão do áudio, por mais subjetiva que seja, tem o mesmo calcanhar de Aquiles dos AirPods e de fones que não se adaptam por meio de ponteiras nos ouvidos, evitando que o som vaze: tem gente que ama esse tipo de in-ear, porque não atuam como duas rolhas, uma em cada orelha. Mas tem gente que odeia. Como fones do estilo AirPods não fazem meu tipo simplesmente porque incomodam, os FreeBuds entram automaticamente no mesmo barco. No entanto, a ideia desse modelo é justamente essa: não vedar o ouvido do usuário, deixar passar som externo (o que culmina em vazamento de áudio, ou seja, em ambientes calmos, quem estiver do seu lado pode ouvir o que você está escutando nos fones) e se adaptar à medida que o usuário gira o fone nos ouvidos e encontra a posição ideal entre conforto e qualidade do som.

Os microfones são bons, principalmente considerando o tamanho dos fones, sua conectividade totalmente sem fios e sua sensibilidade. Geralmente, quanto menores os foninhos Bluetooth, menos incrementados são os sistemas de captação de voz. A Huawei felizmente acertou com o microfone de escolha para o modelo, já que ele tem a capacidade de captar vibrações dos ossos da cabeça para transformar em voz e gerar um áudio limpinho para quem for te ouvir do outro lado da linha. Uma porção do fone fica em contato com a região da articulação da mandíbula do usuário, e aí a mágica acontece.

Graves, médios e agudos são bem delimitados e podem ser ainda mais enfatizados com a ajuda de um aplicativo (que não é o AI Life, da Huawei), mas com ressalvas: dependendo da posição dos fones nos seus ouvidos, você pode perder, em primeiríssimo lugar, resposta de graves. Ao girá-los até encontrar a posição ideal, você vai perceber que a qualidade sonora dos FreeBuds 3 é bacana, e bem parecida com a dos AirPods, aliás (evitei a todo custo fazer qualquer tipo de comparativo entre as marcas aqui), mas nada de cair o queixo. Segundo a mídia especializada, quando pareados com um Huawei P30 Pro, os fones ganham um incremento no áudio, principalmente em graves, graças à tecnologia Dolby Atmos.

O preço é, definitivamente, salgado. A Huawei, ao adotar essa estratégia, colocou os FreeBuds 3 no mesmo patamar de valor que o Sony WF-1000XM3, in-ear da Sony que ganhou o prêmio Canaltech 2019 e, apesar de não ser Hi-Res, tem um BAITA isolamento de ruído, graves de respeito, excelente qualidade sonora, bateria bem mais durável e funciona com qualquer marca de smartphone, já que o aplicativo está disponível para iOS e Android. Inclusive, o preço pedido nos FreeBuds 3, se você pesquisar no ecommerce, pode ser o mesmo ou até menor que o dos AirPods, que, mesmo sendo Apple, funcionam da mesma maneira em qualquer smartphone.

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