Análise | Sony WF-1000XM3: uma excelente alternativa aos AirPods e Galaxy Buds

Por Luciana Zaramela | 14 de Novembro de 2019 às 12h33
Luciana Zaramela/Canaltech

Depois de acertar em cheio com o WH-1000XM3, modelo over-ear lançado no ano passado, a Sony lançou sua "versão em miniatura", o WF-1000XM3. Completamente sem fios, intra-auriculares e com case de carga, os buds são voltados para quem quer isolamento de ruído e qualidade sonora ocupando muito pouco espaço, seja na mochila, seja na cabeça.

O WF-1000XM3 é a aposta da Sony para brigar com fones topo de linha de marcas concorrentes, trazendo muita tecnologia embarcada em fones compactos, discretos e, acima de tudo, apostando forte no segmento premium dos truly wireless (ou TWS). E é dele que vamos falar no review de hoje.


Design & ergonomia

Recebemos o modelo na cor Platinum Silver, que é um "cinza meio areia", com detalhes em prata (nos fones) e dourado/acobreado (no case). Esteticamente falando, são fones muito bonitos que trazem um acabamento de primeira, além de passarem a impressão de resistência pelo material que a Sony empregou na fabricação tanto dos buds quanto do estojinho de carga e transporte.

Para quem procura fones de ouvido sólidos e com alta qualidade de construção, é um ótimo um modelo a se considerar. Os buds são discretos, apesar de não serem exatamente pequenos, mas possuem um tamanho legal para quem quer mobilidade e praticidade ao viajar, sair para o trabalho, caminhar ou se movimentar, da forma que seja, sem deixar de curtir um som de alta qualidade e, de quebra, falar no celular. São, inclusive, meio "gordinhos", mas dado o nível de tecnologia embarcada no modelo, dá para entender o motivo. Felizmente, essa parte mais espessa do fone fica em contato com a orelha, firmando-se em três pontos, e a superfície externa é, sim, elegante e possui um tamanho razoável.

Os buds possuem uma superfície de resposta ao toque com acabamento diferente do restante do corpo, que é, inclusive, uma central de controle simplificada do conjunto. Esse círculo prateado ao lado do logo da Sony (que você vê na foto abaixo) dá um "quê" a mais no charme do fone, e por ter textura diferente do material usado nos buds, é fácil de encontrar e aplicar os comandos enquanto você está com os fones no ouvido e quer trocar de música, por exemplo.

O tamanho é razoável, mas o acabamento e o design são de primeiríssima (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)


Os fones trazem uma boa quantidade de ponteiras na caixa, tanto de espuma quanto de silicone, com sete pares no total. Só que, dependendo da sua orelha, você vai ter dificuldades de deixar os fones estáveis e extrair o máximo que eles podem oferecer, principalmente em graves. Ergonomicamente falando, apesar de não incomodarem após longos períodos de uso (por serem fones leves, inclusive), você pode sentir falta de mais estabilidade. Nos testes do Canaltech em atividades do dia a dia (passeio com cachorro, andanças pelo shopping e pelo parque, compras no supermercado e trabalho), não tive problemas quanto à estabilidade "grossa" do WF-1000XM3, mas sim com o selamento.

Não consegui deixar os fones bem adaptados de modo que não passasse uma boa quantidade de ar entre a ponteira e meu canal auditivo (usando as pontas de silicone), e isso acabou prejudicando a minha experiência ao tentar extrair o melhor deles em todas as frequências. As pontas de espuma, por incrível que pareça, melhoraram significativamente minha experiência com os in-ear da Sony, muito embora também dessem aquela escorregadinha de vez em quando. De tempos em tempos, me vi pressionando e girando os fones nos ouvidos porque eles saíam do lugar e perdiam pressão, deixando a música mais distante e com menor nível de detalhes. Bom, esse foi o meu caso... com tantos pares de ponteiras para o usuário conseguir a melhor adaptação, pode ser que você se adapte melhor do que eu.

Aliás, isso me faz lembrar de um ponto muito importante: o WF-1000XM3 não é um modelo para quem vai se exercitar, tanto por esse motivo quanto pelo fato de que ele não é resistente a água e suor, ou seja… se você quiser comprá-los para treinar seu crossfit, esqueça. Procure um modelo esportivo, porque este aqui, apesar de bastante robusto, é para uso casual ou mesmo voltado para heavy users que não estão interessados em malhar com eles, e sim viajar, trabalhar, pegar um transporte aqui e ali (aéreos curtos, principalmente) e usá-los em atividades domésticas ou afazeres diários.

O estojo de carga e transporte dos buds é um charme: a Sony não poupou esforços ao construir um case resistente, com toque levemente emborrachado e praticamente sem emendas — a única emenda que você vai ver é óbvia: na tampa, que possui uma tonalidade acobreada muito, mas muito bonita mesmo. O produto é de primeiríssima, apesar de plástico. Além de bonito, é resistente e protege bem os fones com seu encaixe magnético. Ele só é meio grandinho, principalmente se você for comparar com o case dos AirPods, por exemplo. Até cabe no bolso da calça jeans, mas vai gerar volume; para quem usa bolsa ou mochila, só vai!

Buds e case não se arranham facilmente e são bonitões (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

O acabamento emborrachado evita que ele se arranhe em contato com outros apetrechos e o tamanho o torna fácil de achar dentro de bolsas com muitos objetos. Particularmente, eu gostaria que ele ficasse "em pé" e não sempre deitado sobre a mesa. Além de ter a base arredondada, o que te obriga a deixá-lo sempre deitado, a entrada USB-C é bem embaixo do case, então… esqueça, é pra usar deitado, mesmo (como você vê no GIF abaixo). Sobre a bateria e a conectividade do case e dos fones, falaremos em novo tópico.

Se puser em pé, pum: cai (GIF: Luciana Zaramela/Canaltech)

Notinha mental: o modelo novo da Sony veio para dar um banho no decepcionante WF-1000X que já testamos tempos atrás aqui no CT. Tanto na qualidade de construção, quanto em bateria, quanto em estabilidade de conexão e áudio global.

Conectividade

Os earbuds não são o primeiro modelo truly wireless da Sony, muito embora uma galera faça essa confusão. Além do WF-1000X que a gente testou por aqui, a empresa também tem o esportivo WF-SP700N, por exemplo. Como truly wireless (TWS), os fones possuem conectividade independente: cada lado se conecta com a fonte emissora por si, e isso é excelente para ouvidos exigentes que gostam de sentir os canais stereo bem separadinhos na gravação.

O WF-1000XM3 tem conectividade Bluetooth 5.0, o que é excelente, além de conectividade NFC no case, o que o torna melhor ainda, já que o pareamento acontece instantânea e automaticamente depois que você configura fone e dispositivo pela primeira vez. Depois é só abrir a caixinha perto do telefone e plim: fones conectados. Ouvir suas músicas com total liberdade de fios é muito bom neste modelo, já que não tivemos a desagradável experiência de passar por repiques, falhas na conexão e nem perda substancial de qualidade na entrega do som do smartphone para os fones (falaremos sobre codecs mais adiante).

Apesar da latência já esperada de um modelo sem fios para assistir a vídeos no smartphone ou no PC (de pouquíssimos milissegundos, mas que chegam a irritar os mais "noiados" com áudio perfeitamente sincronizado), o alcance sem fios do WF-1000XM3 é excelente, graças ao Bluetooth 5.0 (apesar de não suportar dois ou mais dispositivos pareados ao mesmo tempo): fizemos o teste usando um Mac mini 2018, que também é 5.0, em ambientes fechado e aberto, e conseguimos um resultado excepcional: 18 a 20 metros no primeiro caso e quase 100 metros no segundo — quase uma aresta de um quarteirão tamanho padrão!

Excelente alcance, mesmo usando um iPhone 7 (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Temos também a boa notícia de o case contar com uma entrada USB-C, alinhada aos padrões da atualidade. Não, isso não vai permitir que uma mágica aconteça e você escute os fones cabeados — até porque os buds não possuem essa opção —, mas traz um tempo de carga mais rápido para a sua unidade. E por falar em carga, vamos comentar sobre a bateria no próximo tópico.

Bateria

Eis aqui o calcanhar de aquiles do WF-1000XM3. Eles só possuem sete horas de bateria — o que não é de todo ruim para um fone TWS, mas existem opções mais parrudas no mercado. O legal é que o case de carga, quando cheio, consegue oferecer mais três cargas completas aos seus fones, totalizando quase 30 horas de playtime — entre pausas para carregar, claro.

O bom é que o fone é inteligente o suficiente para saber quando não está em uso e tem desligamento automático, poupando sua bateria sem você ter que ficar lembrando, toda hora, de colocá-los no case ou desconectá-los do seu telefone. Tirou da orelha, a música para. Cinco minutos de inatividade e eles se desconectam/desligam.

Então se você curte música em uma média de duas horas por dia, vai precisar carregar seu fone duas vezes na semana.

Tanto os fones quanto o case possuem LEDs indicadores de carga. Nos fones, assim que você os remove do estojo, verá piscar um LED azul. Se um LED vermelho piscar repetidas vezes, significa que eles estão com 20% ou menos de bateria. No case, se o LED vermelho pisca várias vezes, é um indicativo de que ele precisa de recarga. Enquanto ele está plugado via USB, o LED permanece vermelho. Quando você deixa os fones sem uso, eles se desligam automaticamente após os cinco minutos — é quando um LED azul acende por dois segundos no case e logo apaga.

No aplicativo da Sony, a gente não consegue saber quanto de carga ainda resta no estojo — apenas nos fones.

Controles

Lembra de falarmos do círculo com superfície lisinha e metálica no tópico sobre design? Ele é capacitivo, e é sua central de controle no WF-1000XM3. Cada fone traz uma superfície touch para a qual você pode designar, por meio do aplicativo, uma função diferente.

Por exemplo: você pode setar o fone da direita para parar e reproduzir músicas e o da esquerda para controlar o cancelamento de ruído e o controle adaptativo. Se você tapar a orelha esquerda enquanto usa o fone, ativa a função talk-through — que reduz o volume da música consideravelmente para que você consiga conversar com alguém ou ouvir o noticiário sem precisar tirar os fones da orelha.

Realmente, as opções de controle são só essas. Não têm a opção de controle de volume, o que, infelizmente, está cada vez mais comum em fones TWS. Não tem muito o que fazer se você quiser controlar tudo pelo toque: até porque você tem o aplicativo e o controle de voz com o Google Assistente (no Android e nos próprios fones) e a Siri (no iOS). Aí você terá de tapar o fone da direita para ativar o assistente e pedir para que ele mude de música, escolha algo mais legal para tocar, aumente ou diminua o volume ou leia as notificações da tela para você.

O círculo metálico é capacitivo, mas não tem muita opção de controles (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Som

Quem conhece a assinatura sonora da Sony já sabe o que esperar dos novos fones in-ear que levam quase o mesmo nome do headphone queridinho da marca (WH-1000XM3). Durante o período de testes, eu me tornei heavy user dos foninhos e dissequei o máximo possível de funcionalidades e impressões.

Vale apontar que apenas dois codecs de áudio são suportados pelos fones: AAC (da Apple) e SBC (para Android e Windows). Mesmo assim, de maneira geral, o som é incrível, com graves bem precisos. As frequências médias também têm uma resposta bem bacana, e as agudas têm um pouquinho, bem pouquinho mesmo, de ênfase sobre as demais. Eu diria que é um fone bem equilibrado, com dois picos característicos, na região de médio-graves e de agudos. O perfil sonoro do modelo vai te fazer feliz em uma ampla variedade de estilos.

A única desvantagem que encontrei em relação ao som é pessoal e anatômica, já que nenhuma das ponteiras se encaixou perfeitamente nos meus ouvidos, então isso vai interferir negativamente nos resultados, mesmo que "de leve". Sem o selamento adequado, a gente não recebe 100% do poder do fone. Apesar de gostar mais das ponteiras de espuma pelo conforto, os testes com a ponteira de silicone trouxeram melhor resultado sonoro, por terem melhor vedamento.

Em preto, temos os sensores de proximidade que detectam se os fones estão ou não na orelha (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)


Graves

O WF-1000XM3 tem graves muito precisos e robustos, o que é excelente para um modelo in-ear. Não são graves e subgraves que tremem o cérebro, portanto consegue-se mais equilíbrio tonal seja no rock, no eletrônico, no pop ou na valsa. Em Jesus, Etc., do Wilco, temos um baixo acústico bem gordo, bem grave e bem redondo durante toda a extensão da faixa — levemente recuado, mas intenso como deve ser, sem se misturar com o bumbo. É uma música leve, com uma mixagem moderna e com instrumentos muito bem separados. Os médios-graves do piano elétrico também soam limpos e presentes, tornando o resultado muito satisfatório aos ouvidos.

Dando uma guinada para o jazz brasileiro, em Brooklyn High (Partindo pro Alto), do Nosso Trio, temos o baixo de Ney Conceição fazendo a marcação intensa de partido alto, embolando um pouquinho com as notas mais graves da semi-acústica de Nelson Faria. Por ser uma guitarra de corpo largo, é normal que os graves às vezes se misturem nas notas mais médias da escala do contrabaixo. No entanto, de maneira geral, graves e médios graves saíram-se bem nos fones — embora não sejam o destaque, a menos que consideremos o solo de baixo, que chega com tudo à frente da mixagem e tem todas as suas notas, uma a uma, bem reproduzidas pelo WF-1000XM3 (por serem notas mais altas, inclusive). O que quero dizer com isso? Que as frequências "mais graves dos graves" não têm tanta ênfase assim. Em estilos como o jazz moderno e o samba, onde baixos de cinco cordas são usados com muita frequência, o modelo não entrega toda a definição das notas mais graves e peso-pesado (de 50 Hz a 100 Hz). Acima disso, os graves são bem gostosos e dinâmicos.

Médios

Essa frequência é uma delícia no WF-1000XM3 e vou tentar descrever por quê. Ela tem o destaque que precisa ter, sem atropelar os graves e sem abafar os agudos. Embora tenha um pico perceptível na sua região mais grave, isso não interfere tanto no resultado geral. Uma música com muitos teclados, muitas guitarras, muitos metais e muitos instrumentos médios (e olha que nem pegamos vocais para competir nesse espectro) como a nova versão de Galactic Funk, da banda japonesa de jazz Casiopea, acaba gerando muita competição entre eles. Em fones de entrada ou até medianos, esse tipo de mixagem emplasta os médios e o resultado sai como se fosse um rádio de pilha, com tudo comprimido como se estivesse em uma caixa. Aqui nos earbuds da Sony a gente consegue uma definição legal da guitarra cheia de efeitos, dos mil teclados fazendo base, dos diversos fraseados de sintetizador e dos metais, sem problemas. O solo de guitarra vem com tudo, sem "comer" as faixas vizinhas nem perder definição como se estivesse sendo reproduzido por uma caixa de abelhas. O solo de bateria também tem muito impacto, principalmente nas caixas. São médios abertos e com punch no final da frequência, se é que você me entende.

Em canções que exigem mais da voz, como O Pato, de João Gilberto, o resultado é bem interessante, porque o vocal vem limpinho, contrastando com a percussão enquanto o violão faz a base da bossa. Os fraseadinhos de clarinete e as cordas ao fundo completam a dinâmica. Essa gravação tem os agudos projetados para o alto para dar mais presença, é verdade, mas a voz e o violão de João Gilberto têm corpo e definição.


Agudos

Essa é a frequência com mais ênfase no WF-1000XM3. E a gente até sabe o porquê: fones fechados, com drivers pequenos, precisam, de alguma forma, passar a impressão de presença e ambiência. Taí: agudos levemente avançados em ganho. O que pode ser muito bem percebido em canções que puxam para o estilo dançante, como Daqui pro Méier, de Ed Motta, que é cheia de chimbais, fraseados de cordas em escala alta, palmas e metais. Nessa faixa em específico, notamos um ganho em agudos que pode incomodar ouvidos mais sensíveis, porque fica tudo brilhante demais e o contrabaixo lé deslocado para o fundo da mix. Há um excesso de definição, deixando até a voz de Ed mais cortante do que realmente é. Mas é aquela coisa: vai depender da época da gravação.

Outra música com muito groove e que poderia soar excessivamente brilhante é Love You Madly, do Cake, pela percussão, guitarras ritmadas, bateria etc. E não: o WF-1000XM3 reproduz a faixa com brilho, mas sem exageros. As guitarras são médio-agudas, a bateria é muito marcante, há uma boa dose de presença, mas no limite da linha que separa do incômodo. Então, os agudos também passaram no teste.

De maneira geral, temos um excelente resultado para um fone TWS intra-auriculares. Claro, não dá para exigir nada de palco sonoro pelo tamanho dos buds, que são fechados, mas a frequência de resposta é bem bacana e cabe bem para a grande maioria dos estilos.

O WF-1000XM3 é como se fosse um WH-1000XM3, só que compacto (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Noise Cancelling

Quem quer fones discretos para viajar sem ser incomodado com a barulheira do saguão do aeroporto, ou para trabalhar em coworkings tumultuados, ou mesmo para se concentrar ou curtir sua música sem interrupções em ambientes com mais gente, vai gostar do nível de isolamento do WF-1000XM3. Mas já adiantamos que não é o mesmo chip nem o mesmo desempenho do WH-1000XM3: a função ANC (Active Noise Cancelling) dos fones permite que você altere uma série de parâmetros via aplicativo, ajudando a bloquear boa parte de ruídos ambientes, mas, considerando apenas este quesito, há opções melhores de intra-auriculares no mercado.

Controle adaptativo do cancelamento de ruído direto pelo app (Screenshot: Luciana Zaramela/Canaltech)

Como não consegui deixar os fones bem encaixados nos meus ouvidos, também não consegui um bloqueio legal de ruídos muito altos, como latidos de cães, buzinas no trânsito, espirros do amigo sentado ao lado, voz de criança e interfone tocando. No entanto, consegui bloquear blablablás triviais de escritório, barulho de sala de espela de consultório médico, o som da TV ligada em volume baixo e coisas do tipo. Então, trocando em miúdos: o isolamento ativo é legal, decente. Não é sensacional como no irmão grandalhão WH-1000XM3. Só que, quem gosta de fone discreto, vai ter um pedacinho do headphone circumnaural da Sony em excelentes earbuds para andar por aí.

Quem está do seu lado raramente vai ouvir o que você está ouvindo. Só se prestar muita atenção, pode perceber que vaza um pouquinho dos agudos, como os chimbais e pratos de bateria. Também "jogo a culpa" disso no selamento inconsistente dos fones, que vez ou outra ficam bambos e perdendo posição no ouvido.

Aplicativo

Para a alegria daqueles que adoram um equalizador e "fuçar parâmetros", a Sony traz um parceiro e tanto para seus fones: o app Headphones Connect, que funciona tanto no Android, quanto no iOS. Ele abre um leque de opções para você turbinar o som dos seus fones — ou deixá-los com um astral mais relaxado, se for o caso.

Há uma variedade de presets de equalização para você escolher, de acordo com a música ou as frequências que gosta mais. Isso dá ainda mais versatilidade ao modelo, inclusive, já que os agudos mais abertos que podem incomodar em algumas canções podem ser manualmente recuados pelo usuário no equalizador gráfico — que sim! Tem modo manual!

O aplicativo abre um leque de opções para você deixar o som do jeito que você bem entender (Screenshot: Luciana Zaramela/Canaltech)

Também é pelo app que você vai ajustar os níveis do isolamento de ruído (ANC) dos seus fones, com controle adaptativo que varia de acordo com o que você está fazendo: aguardando, andando, correndo ou viajando (seja no metrô, no ônibus, no carro ou no avião). Dá para setar os níveis de som ambiente que você deseja ouvir e o tempo do ajuste automático para "parado", que é útil para quem está na rua, por exemplo, para de andar porque o sinal fechou e volta a andar depois.

Microfone

Como é de praxe em fones Bluetooth, temos um microfone bom (dois de cada lado, na verdade), legal para quebrar o galho em ligações telefônicas e mandar áudio para os amigos ou conversar no Skype (com um pouquinho de latência). Quem me ouviu falando através do WF-1000XM3 gostou do nível de detalhamento da voz, embora levemente metalizada — mas vamos deixar claro que nos testes, eu estava em ambiente tranquilo. Em ambientes mais movimentados, como uma rua em horário de pico, você vai precisar "erguer a voz" para se fazer ouvir bem do outro lado. Mas, é aquela coisa: tá passando de bom para um fone de ouvido intra-auricular que já te dá toda a liberdade de ser sem fios e tal e coisa.

Preço e onde comprar

Você encontra o WF-1000XM3 no site oficial da Sony, saindo de R$ 1.299,99 por R$ 1.169,99 (na data de publicação deste review). Ele vem nas cores preta e cinza clara.

Specs

  • Tamanho do driver: 6 mm (tipo Domo)
  • DSEE HX: Sim
  • S-MASTER HX: Não
  • Resposta de frequência: 20 Hz - 20.000 Hz (amostragem de 44,1 kHz)
  • Operação passiva: Não
  • NFC: Sim (estojo)

O que tem na caixa

Na caixinha dos fones temos:

  • WF-1000XM3
  • Case de recarga
  • Cabo USB-C/USB para carregamento
  • Sete pares de ponteiras, contando com as que vêm nos fones
  • Manuais
Fones, acessórios e a caixinha! (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Veredicto

O WF-1000XM3 é um fone muito legal e do qual gostei muito. Ele não é exatamente pequeno, mas com o passar dos dias você vai até gostar do tamanho. O visual e o acabamento são de fones premium e a Sony, apesar de cobrar um valor alto para a esmagadora maioria dos Brasileiros, traz a vantagem de vender o modelo por um preço similar ao praticado nos Estados Unidos.

Tenha em mente que não são fones esportivos, sem certificação IPX7, portanto sem resistência a água ou suor. Mais voltados para o dia a dia, os fones são leves e ergonômicos para quem quer liberadade e praticidade — muito embora, na minha orelha, um pouco dessa ergonomia tenha sido perdida com a falta de um selamento ótimo que não me fizesse ficar ajustando os foninhos de tempos em tempos, com medo de cair. Não caíram, de fato. Mas giraram.

O nível de ANC não é sensacional, havendo opções com melhor isolamento no mercado. Mas para quem não curte fones grandalhões, como os circumaurais, ter a qualidade de um Sony topo de linha em um par de earbuds que ainda conferem bom nível isolamento é bem bacana.

Musicalidade totalmente sem fios e com qualidade premium? Temos! (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Sete horas de bateria e três cargas completas no case geram um total de 28 horas de playtime, mas é aquela coisa: poderia vir com mais autonomia? Sim. Mas quando é que você vai atravessar mais de sete horas com earbuds nos ouvidos, sem contar viagens internacionais? Entre uma pausinha e outra, pelo menos no meu estilo de uso, fico satisfeita ao tirar os fones e voltá-los para o case — sempre prestando atenção no encaixe magnético, para não correr o risco de carregar mais um lado que o outro.

Particularmente, achei a qualidade muito superior à de fones "famosos" do mundo mobile, como os AirPods de segunda geração e até os Galaxy Buds. A qualidade sonora é digna de um Sony, com ótima resposta em todas as frequências e versatilidade que torna o modelo apto a reproduzir do sertanejo ao soul, do funk ao clássico.

Para o design e ergonomia, nota 7,5. Para a bateria, de modo geral, nota 8. E para a sonoridade — principalmente por ter aquele help de um aplicativo dedicado — nota 9.

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