Conheça todas as tecnologias que estão mudando a Copa do Mundo

Por Wagner Wakka | 18 de Junho de 2018 às 16h36

Em 1986, um dos maiores jogadores de futebol fazia um dos seus gols mais icônicos. Nas quartas de final da Copa do Mundo daquele ano, Diego Maradona fez, com a mão, o gol que levou a Argentina a passar pela Inglaterra. A cena histórica do futebol ficou conhecida como “la mano de Dios”, ou a mão de Deus, no bom português.

Embora Dieguito tenha assumido que botou a mão na bola, já era tarde demais. Se o juiz tunisiano daquele jogo, Ali Bin Nasser, estivesse em 2018, não teria passado por essa. Isso porque os árbitros desta copa estão munidos de um leque de aparatos tecnológicos, que você conhecerá a seguir.

Relógio inteligente

O primeiro deles é o relógio inteligente que vibra quando a bola passa pela linha do gol inteiramente. A tecnologia é bastante simples: tanto traves quanto bola possuem um chip de localização. Quando a bola passa para dentro do gol, o chip interno envia um sinal para o relógio no punho do juiz.

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A tecnologia já foi usada em algumas partidas desta competição. Por exemplo, na disputa pelo grupo B entre Portugal e Espanha, em um chute de Isco de fora da área, a bola bateu no travessão e ficou em cima da linha. O jogador então correu para o juiz pedindo pela revisão por vídeo, mas o árbitro Gianluca Rocchi apontou para o relógio, informando que não havia vibrado. O jogo terminou em 3x3.

Na rodada do grupo C, a França ganhou da Austrália com um lance semelhante. O chute de Pogba bateu no travessão e entrou no gol. A pontuação foi confirmada pelo árbitro Andres Cunha com a vibração no relógio.

O gadget é oriundo de uma parceria entre a FIFA e a companhia Hublot, que criou uma versão de seus relógios especialmente para a Copa. O aparelho tem uma versão para usuários comuns também, o qual notifica sobre resultados e horários das partidas.

VAR

O famigerado VAR é a grande novidade em termos de tecnologia desta Copa do Mundo. A sigla vem do inglês e significa “assistente de arbitragem em vídeo”. Aqui, há um sistema de câmeras posicionadas no estádio que mostra imagens em tempo real as jogadas a árbitros assistentes. Por um sistema de comunicação, eles podem revisar jogadas e informar o árbitro principal de possíveis erros. O juiz  em campo também pode pedir a revisão de um lance, fazendo um sinal semelhante à tela de uma TV.

Juiz faz sinal em indicação a auxílio de árbitro (Imagem: Tenor)

A sequência é: caso haja uma jogada duvidosa, o árbitro indica o auxílio do VAR. O jogo então é paralisado e os árbitros na cabine com câmeras informam se o lance foi ou não legal. Ainda, caso queira, o juiz mesmo pode rever o lance em um tablet posicionado na lateral do campo. Por fim, ele decide se valida ou não a jogada.

O VAR pode ser usado em casos de dúvida de gol, pênaltis, cartões vermelhos e quando um juiz penaliza o jogador erroneamente.

Câmeras suspensas

Quase que junto com o relógio, foi adicionada também ao futebol a tecnologia do Goal Line (GTL). O sistema foi adotado na Copa do Brasil e mostra uma versão 3D do lance, tirando quaisquer dúvidas sobre se a bola entrou ou não no gol.

Tecnologia mostra imagem renderizada em 3D (Imagem: Divulgação)

A tecnologia foi desenvolvida pela Hawk-Eye, mesma empresa responsável por um sistema semelhante ao usado no tênis quando um jogador desafia uma decisão do juiz. Para isso, são posicionadas sete câmeras em cada gol, com capacidade de gravação em alta velocidade. O sistema então é capaz de gravar o lance e renderizar em minutos uma versão 3D, confirmando visualmente ou não o gol. O primeiro gol a ser validado com esta tecnologia foi o do francês Benzema, contra Honduras, na Copa do Mundo de 2014.

Drones

Embora a tecnologia possa ajudar muito a vida dos juízes, também pode ser uma pedra no sapato das equipes. Não é de hoje que as seleções correm atrás de informações privilegiadas sobre outros times em eventos como a Copa. Entretanto, neste ano, há um novo personagem: o drone.

A espionagem em treino é algo tão real que a Seleção Brasileira conta com uma patrulha anti-drone na Rússia. A própria FIFA ofereceu ao Brasil três pessoas que ficam posicionadas em cima de prédios vizinhos de onde a equipe canarinho treina e vigia com binóculos a aparição de possíveis drones bisbilhotando os treinamentos.

O grupo tem permissão para abater o aparelho caso sobrevoe o campo em momento de treino da Seleção. Para isso, eles contam com um equipamento de bloqueio de frequência para evitar a fuga do dispositivo. Até o momento, não há relatos de drones abatidos pelo grupo.

Por fim, com um cinto de utilidades na mão dos juízes, a expectativa é de que a Copa da Rússia seja decidida no pé dos jogadores, não com “a mão de Deus”. Isto é, caso o fator humano não queira sobrepor o tecnológico, é claro.

Fonte: Hawk-Eye

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