Uso de apps de perseguição e espionagem aumentou 51% durante a pandemia

Por Felipe Demartini | 14 de Julho de 2020 às 08h03
Gerd Altmann/Pixabay
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Entre golpes para roubo de dados, ransomwares e o próprio perigo do coronavírus, a pandemia que ainda assola o Brasil trouxe mais um reflexo danoso: o crescimento no número de infecções por stalkerwares. De acordo com dados da Avast, houve um aumento de 51% nos casos de comprometimento de dispositivos com aplicativos maliciosos de perseguição e espionagem desde março, quando as medidas de isolamento social começaram a ser aplicadas no país.

A empresa especializada em segurança digital viu um aumento significativo nesse número já em março, com um crescimento de 30% em relação ao registrado nos dois primeiros meses do ano. Com as semanas passando, esse total apenas aumentou, com aproximadamente 11 mil casos mensais de ataque por soluções maliciosas desse tipo em abril e, novamente, em maio — em fevereiro, antes da pandemia, esse total era de cerca de 7 mil.

As pragas dessa categoria são voltadas para coleta de dados confidenciais de smartphones e computadores, como informações digitadas, histórico de acesso a sites, arquivos de mídia e até ativações não-autorizadas da câmera e microfone. Ao contrário dos malwares comuns que também fazem isso, tais soluções maliciosas normalmente são instaladas por parceiros nos dispositivos das vítimas, como forma de rastrear sua atividade e exercer controle.

“O número de casos de violência doméstica aumentou consistentemente durante a quarentena e esse movimento coincide com o que estamos vendo [nos casos de stalkerware]”, explica Jaya Baloo, diretor global de segurança da Avast. De acordo com a empresa, trata-se de um movimento que ocorre não apenas no Brasil, mas em todos os países que passam ou estiveram em isolamento social ou lockdown por conta da pandemia do novo coronavírus.

A proximidade entre os números chama a atenção. De acordo com informações oficiais, houve um aumento de 37,6% no número de denúncias ao Ligue 180, da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, na comparação com o mês de abril de 2019. Na média deste primeiro semestre, o crescimento é de 27%.

Manter o dispositivo atualizado e com uma solução de segurança instalada é um passo importante para se proteger. Outra dica importante é evitar instalar soluções de fontes desconhecidas ou fora das lojas oficiais do sistema operacional ou fabricante do celular, além de ficar atento a pedidos de permissões que pareçam inadequados à categoria dos apps baixados.

No caso específico dos stalkerwares, também é importante prestar atenção à proteção física do dispositivo, mantendo-o travado com senhas de acesso ou verificação biométrica. É importante não deixar o celular ou computador desbloqueado ou desatendido, ao alcance de terceiros, a não ser que você confie plenamente neles.

Caso você seja vítima de violência doméstica ou esteja em um relacionamento abusivo, não hesite em procurar ajuda de pessoas de confiança e procurar as autoridades para denunciar a violência. Se você desconfia que seu dispositivo está comprometido, interrompa o uso e busque outros meios de realizar esse contato, de forma a não alertar o abusador.

Fonte: Avast

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