Google vai proibir anúncios de produtos para espionagem e rastreamento

Por Felipe Demartini | 10 de Julho de 2020 às 12h57
Divulgação

O Google anunciou uma mudança em suas políticas de publicidade para proibir a veiculação de propagandas relacionadas a produtos e softwares usados em atividades de espionagem e rastreamento, os chamados stalkerwares. Tais itens passarão a ter a exibição impedida no dia 11 de agosto, com o cadastro de comerciais desse tipo passando a ser uma violação das regras de uso e “comportamento desonesto” da plataforma.

As mudanças aplicadas pelo Google se aplicam ao que a empresa chamou de “spywares e tecnologia de vigilância”, basicamente produtos voltados a “rastrear ou monitorar outra pessoa ou suas atividades sem sua autorização”. Sendo assim, aplicações de GPS ou localização permanecem podendo ser divulgados, enquanto outros apps ou artigos da mesma categoria caem sob a restrição.

A empresa cita como exemplos os rastreadores de GPS em miniatura e câmeras espiãs, gravadores de áudios e outros equipamentos multimídia em formatos diminutos ou que tenham uma aparência de objeto comum, voltados para espionagem. O Google também está categorizando como spywares os aplicativos que registram chamadas e mensagens de texto ou capturam imagens da câmera ou o histórico de navegação dos celulares.

Existem, entretanto, exceções. Detetives particulares ou soluções de controle parental ainda poderão ser divulgadas pela plataforma de publicidade do Google, já que, apesar de se encaixarem na definição geral de vigilância sem autorização, também se tratam de serviços legítimos e certificados. A empresa sugere que os responsáveis por contas revisem as campanhas veiculadas que sigam além de 11 de agosto e apaguem anúncios que possam causar conflitos.

Como se trata de uma mudança bastante ampla, em uma categoria de produtos e serviços que antes era permitida, o Google também revelou que as violações não resultarão em banimento imediato. As propagandas que estiverem fora das regras não serão exibidas, mas os responsáveis receberão um aviso e terão sete dias para tomarem uma atitude antes da primeira suspensão; a reincidência resultará em um bloqueio completo da conta.

Antes mesmo da mudança, outros dispositivos, softwares ou serviços voltados para espionagem já eram proibidos. O Google já incluía, entre suas políticas de comportamento desonesto, produtos como bloqueadores de sinal, dispositivos usados em pirataria de televisão por assinatura e serviços voltados para invasão de contas ou plataformas, bem como equipamentos destinados a intermediar a comunicação entre redes sem fio.

A mudança de postura do Google aparece em apoio a organizações não-governamentais e grupos de apoio a vítimas de assédio sexual e abuso doméstico, com os stalkerwares sendo uma das principais armas dos praticantes desse tipo de violência. Tais aplicações também estão na mira do governo dos Estados Unidos, que já proibiu desenvolvedores de aplicações desse tipo de venderem seus serviços, além de bloquearem sites relacionados à prática.

Ainda assim, os números continuam crescendo, com a alternativa do Google servindo para, pelo menos, frear isso entre os usuários com menos intimidade com a tecnologia. De acordo com números da Kaspersky, publicados no final de 2019, o total de instalações desse tipo de malware cresceu 40% no ano, com mais de 500 mil tentativas de instalação apenas em smartphones e tablets com o sistema operacional Android.

Fonte: Google

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