Como saber se seu celular está sendo rastreado e se proteger contra spywares

Por Felipe Demartini | 09 de Julho de 2020 às 11h30
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Os especialistas costumam dizer que o usuário sempre é a ponta mais fraca da segurança digital. Por mais que sistemas de proteção e atualizações estejam ativadas e funcionando, basta um clique errado ou uma mentira bem contada para que o comprometimento aconteça. E isso vale principalmente para os smartphones, que estão conosco o tempo todo e fazem parte da nossa vida cotidiana.

São eles o principal alvo da maioria dos malwares voltados para o usuário comum. Na busca por dados pessoais, bancários e ganhos financeiros, os criminosos fazem de tudo para contaminar nossos aparelhos e isso se torna uma verdade ainda maior quando falamos em spywares, que podem ser colocados em ação não apenas pelos bandidos, mas também por pessoas em quem confiamos.

Felizmente, por mais que tais malwares trabalhem ativamente em técnicas de ofuscação para se manterem escondidos, pequenos sinais podem indicar a presença de uma praga desse tipo no celular. Aqui, o Canaltech indica alguns elementos que você deve prestar atenção para saber se seu smartphone está sendo rastreado.

Bateria, lentidão, aquecimento e uso de dados

Anomalias no uso de dados ou consumo de bateria do smartphone podem ser indicadores de que um malware está agindo nos bastidores (Imagem: Reprodução/Camila Rinaldi)

Os aplicativos maliciosos são softwares como qualquer outro, rodando em seu celular e compartilhando os mesmos recursos que as outras aplicações disponíveis nele. Pior, muitos deles precisam estar funcionando o tempo todo, o que acaba gerando maior utilização do hardware.

Começou a sentir seu smartphone lento ou, de repente, notou que a bateria passou a durar bem menos do que deveria, ambos sem motivo aparente? Pode ser que alguma atividade estranha, que não existia antes, esteja acontecendo em seu smartphone. O mesmo também vale para possíveis aquecimentos, já que, com a necessidade de desempenho adicional, processador e outros componentes internos têm de trabalhar dobrado.

Da mesma forma, as informações resultantes de um possível rastreamento precisam ser enviadas para algum lugar. No caso de malwares que roubam dados, elas são mandadas para servidores sob o controle dos hackers, enquanto em uma vigilância mais pessoal o smartphone de alguém pode ser esse destinatário. Novamente, tais ações vão compartilhar os mesmos recursos que as atividades normais do smartphone.

Caso desconfie de um rastreamento ou que um spyware foi instalado em seu aparelho, vale a pena acompanhar os gráficos de consumo de dados e comparar um dia de utilização normal, após um incidente, com outro semelhante anterior a ele. Os números não vão mentir, e caso note um grande fluxo adicional de uso da rede, esse pode ser um sinal de que seu aparelho está comprometido.

Aplicativos em segundo plano

Lista de aplicativos instalados pode não exibir um malware agindo em segundo plano, mas na mesma tela, também é possível visualizar os serviços e demais recursos do sistema, flagrando soluções maliciosas desse tipo (Imagem: Reprodução/Camila Rinaldi)

Identificar a existência de um malware desse tipo instalado no celular, entretanto, pode não ser uma tarefa tão simples. Afinal de contas, tais softwares carregam em sua essência a necessidade de passarem despercebidos e podem não surgir no menu de aplicativos comuns do smartphone.

Vale a pena dar uma olhada na lista em busca de soluções novas, desconhecidas e suspeitas, que o usuário não se lembra de ter instalado? Claro, mas a ausência desse tipo de app nem sempre implica em segurança, já que as soluções maliciosas podem funcionar nos bastidores do sistema operacional.

No Android, então, vale a pena dar uma olhada no gerenciador de aplicativos, que pode ser encontrado no menu de configurações do aparelho, em uma opção própria ou dentro de um segundo menu, chamado apenas de “Aplicativos”. Nele, você verá não apenas a lista de softwares instalados ou baixados, mas também aqueles que estão rodando no momento em que a lista é visualizada.

É comum que os apps continuem funcionando mesmo fechados, por isso não se surpreenda ao ver nomes como WhatsApp, Gmail ou outros por lá. Entretanto, desconfie de aplicações estranhas e faça uma pesquisa rápida para entender se aquele nome que despertou sua suspeita realmente a merece ou se trata de um recurso comum do sistema operacional.

Como se manter seguro?

Evitar clicar em links suspeitos ou fazer downloads de apps fora das lojas oficiais são caminhos para se proteger. Vale, também, cuidar do celular e não deixar o aparelho desatendido (Imagem: Reprodução)

Ao identificar a presença de um spyware no aparelho, a primeira medida — depois de tentar uma desinstalação, claro — é interromper o uso do dispositivo, principalmente de softwares bancários, mensageiros ou que trafeguem informações sensíveis. Realize o backup de seus arquivos importantes (uma dica que vale para antes mesmo dos problemas acontecerem) e tente realizar verificações de segurança com aplicativos antivírus como último recurso.

Caso ainda assim a praga continue ativa no celular, resetar o dispositivo para as configurações de fábrica pode ser necessário. O processo fará com que o smartphone seja revertido a seu estado de novo, com sistema operacional reinstalado e os arquivos padrões da plataforma em seus devidos lugares, sem soluções de terceiros que possam levar a problemas de segurança.

Por fim, troque senhas de redes sociais, internet banking e outros sistemas financeiros, e-mails e demais serviços importantes. Elas podem ter sido obtidas por meio dos spywares e keyloggers e serem utilizadas para invasão de contas, roubo de dados e aplicação de novos golpes.

No caso de aplicativos instalados diretamente no aparelho, outra boa dica é sempre utilizar a autenticação por senha ou biometria no smartphone, que não deve ser deixado desatendido com a tela desbloqueada. Tome cuidado com quem você deixa seu aparelho e, caso sinta que tem motivos para desconfiar mesmo de alguém próximo, mantenha o dispositivo em seu poder o tempo todo.

Para evitar ser vítima de um ataque desse tipo, o ideal é ficar atento e não clicar em links suspeitos que cheguem por e-mail, WhatsApp ou outros mensageiros. Desconfie de promoções mirabolantes e ofertas que pareçam boas demais para serem verdade e jamais instale aplicativos ou conceda permissões a partir destas fontes. Vale a pena, ainda, evitar o download de softwares fora das lojas oficiais do seu sistema operacional e fabricante.

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