"Snowden fez criptografia se espalhar sete anos antes", diz Inteligência dos EUA

Por Redação | 26 de Abril de 2016 às 08h15
photo_camera The Intercept

Para a maior parte das pessoas – incluindo diretores de cinema -, Edward Snowden se tornou uma espécie de Prometeu moderno após tornar públicos vários detalhes concernentes ao sistema de vigilância global da NSA (a Agência de Segurança Nacional dos EUA, na sigla em inglês). Entretanto, também não falta quem o culpe por ter trazido o “fogo sagrado” também para indivíduos não necessariamente preocupados com a privacidade do cidadão comum.

Entre os principais críticos de Snowden está James Clapper, o Diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos. “Como resultado das revelações de Snowden, o início da difusão das criptografias comerciais foi acelerada em sete anos”, disse Clapper em coletiva de imprensa recente, conforme divulgado pelo site The Intercept. Embora o predicado ali pareça algo positivo, a princípio, esse realmente não é o caso. “Do nosso ponto de vista, isso não é uma coisa boa”, disse Clapper, taxativo.

De fato, para o diretor, o espalhamento antes do tempo dos métodos de criptografia para fins comerciais teve “um impacto profundo na nossa capacidade de coletar [informações], sobretudo para enfrentar o terrorismo”. Clapper afirma ter por base prognósticos da própria NSA, que acabou errando discrepantemente “por causa das revelações vazadas” por Snowden.

NSA

Algoritmos de dois gumes

A adoção mencionada pelo Diretor de Inteligência perpassa, é claro, as manobras recentes de empresas privadas, como Apple, Google e, mais recentemente, também Facebook, Viper, Signal, Wickr e WhatsApp – todas hoje devidamente entrincheiradas atrás de respeitáveis algoritmos de embaralhamento de dados.

Não obstante, a postura de Clapper encontra também ressonância com vários outros críticos da popularização dos métodos criptográficos, para os quais há aí uma espada de dois gumes. Segundo as palavras do próprio diretor, a utilização de criptografia por terroristas é “um forte inibidor na identificação de conspirações”.

Terrorismo

Afinal, se por um lado a nova demanda por criptografia torna o cidadão comum mais blindado contra hackers e espiões, por outro pode acabar também reforçando as defesas de grupos terroristas como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que acabam operando com mais facilidade sob os radares governamentais.

“Isso me dá muito orgulho” (Edward Snowden)

Bem, mas o que teria a dizer sobre isso o próprio homem que abriu a Caixa de Pandora da NSA? Para Edward Snowden, o bem causado pelas revelações acaba por sobrepujar os efeitos colaterais. De fato, para o analista de sistemas, trata-se talvez do seu maior legado à humanidade. “De todas as coisas de que já fui acusado, essa é a que me causa mais orgulho”, disse Snowden em sua conta no Twitter.

Naturalmente, ainda há quem defenda o hacking como processo-resposta por excelência, tanto para desbancar manobras terroristas quanto para privar o governo de certa aura maléfica – saldo inevitável deixado por eventos como a batalha recente entre Apple e o FBI. Sem a necessidade do perigoso precedente de fazer uma companhia instalar uma backdoor em seu próprio sistema, toda a comoção acabou coberta por “panos quentes”.

Edward Snowden

“A decisão precisa ser do público”

As informações de Edward Snowden sobre programas de vigilância de comunicações e tráfego de informações estadunidenses como o PRISM foram tornadas públicas em maio de 2013, o que lhe garantiu um processo por roubo de propriedade do governo e por comunicação não-autorizada de informações sigilosas a pessoal não-autorizado.

“Eu sou apenas mais um cara que senta lá e encara o dia a dia do escritório, assistindo ao que acontece e pensando, ‘Isso é algo que não cabe a nós decidir’”, disse ele na ocasião. “O público precisa decidir se essas políticas ou programas são certos ou errados”, concluía ele em sua frase hoje bastante conhecida. Enfim, entre a gemada, os ovos quebrados e a busca por controle governamental... É por aí que segue dançando a política (e também a opinião pública).

Fontes: The Intercept, Twitter

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