Assange teria se aliado a russos para interferir nas eleições americanas de 2016

Por Felipe Demartini | 17 de Julho de 2019 às 14h00
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O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, está sendo acusado de se aliar a autoridades russas para interferir nas eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos, que levaram à eleição de Donald Trump. Ele teria se reunido com hackers a serviço do Kremlin e também membros do governo na embaixada do Equador em Londres, na Inglaterra, em encontros que culminaram na divulgação de dados e e-mails da campanha da candidata derrotada, Hillary Clinton.

De acordo com as revelações, presentes em documentos publicados pela rede de televisão americana CNN, a divulgação dos materiais teria sido orquestrada pessoalmente por Assange. Os relatórios apontam a participação pessoal do delator e também o acesso aos dados hackeados antes mesmo do WikiLeaks. Seria ele, ainda, o responsável por realizar a transferência do conjunto para o site, a partir de computadores e equipamentos de rede que ele teria recebido na própria embaixada. Os textos divulgados pela emissora foram produzidos por uma empresa de segurança da informação a serviço do Equador e tiveram autenticidade foi confirmada por oficiais de inteligência do país.

Ao todo, 75 reuniões teriam acontecido entre Assange e cidadãos de origem russa, entre hackers e oficiais ligados ao governo. Todos os encontros, alguns com horas de duração, teriam acontecido no período entre a divulgação de que os sistemas do Comitê Nacional Democrata haviam sido comprometidos e a efetiva divulgação dos dados obtidos a partir dessa intrusão.

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Além disso, apenas cinco dias depois da divulgação da invasão, Assange solicitou que a embaixada do Equador aumentasse a velocidade de sua conexão à internet, um pedido que foi aceito. Os documentos indicam ainda a presença de trabalhos internos, com relatos de guardas deixando seus postos para receber pacotes entregues por mensageiros disfarçados, com os oficiais sendo mantidos no posto mesmo após serem flagrados fazendo isso pelas câmeras de segurança.

Julian Assange após deixar a embaixada do Equador, em abril, encerrando um asilo político de sete anos (Imagem: Henry Nicholls/Reuters)

Na ocasião do vazamento, Assange afirmou que a divulgação dos materiais era de interesse público. Por outro lado, ele negou qualquer aliança com a Rússia ou qualquer outro governo, bem como uma tentativa de manipulação, afirmando que, se tivesse recebido documentos relacionados à campanha de Donald Trump, eles receberiam o mesmo tratamento e divulgação daqueles relacionados à rival. À época, ele disse que os dados não vieram de fontes ligadas ao estado russo ou de qualquer outro país.

Entretanto, os documentos divulgados agora pela CNN se somam a uma constatação de Robert Mueller, procurador especial do governo dos EUA encarregado de investigar as suspeitas de manipulação das eleições de 2016. Segundo ele, existem fortes indícios de que Assange trabalhou com os russos na divulgação dos materiais, mas o relatório não aponta um conluio de Trump com o Kremlin para garantir a própria vitória nas urnas.

Os dados vazados foram publicados em um período entre outubro e novembro de 2016 e correspondiam a uma intrusão na conta no Gmail de John Podesta, diretor da campanha de Hillary Clinton. Entre as revelações, estavam indícios de que membros da imprensa anteciparam questionamentos em debates para a candidata, discursos compartilhados com investidores e empresários, além de doações com fins políticos feitas à Fundação Clinton.

O asilo político de Julian Assange na embaixada do Equador em Londres terminou em abril deste ano, após quase sete anos recluso. Ele permanece detido em uma penitenciária do Reino Unido enquanto aguarda o andamento de processos de extradição. Nesta semana, a defesa obteve uma vitória quando o país afirmou que vai cumprir seu acordo com o Equador, pelo qual o delator não pode ser enviado a lugares onde pode ser condenado à pena de morte.

Fonte: CNN

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