Vênus ainda é geologicamente ativo e tem pelo menos 37 vulcões "vivos"

Por Daniele Cavalcante | 20 de Julho de 2020 às 16h50
NASA

No início do ano, foi publicado um artigo que apontava evidências de que Vênus ainda possui vulcões em erupção. Agora, uma nova pesquisa identificou 37 estruturas vulcânicas ativas, sugerindo que o planeta é, de fato, o terceiro mundo do Sistema Solar onde existem vulcões ativos nos tempos atuais - além da Terra e da lua Io, de Júpiter.

Um novo estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Maryland e do Instituto de Geofísica da ETH de Zurique, na Suíça, e publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (20). “É a primeira vez que podemos apontar para estruturas específicas e dizer ‘veja, este não é um vulcão antigo, mas ativo hoje, dormente, mas não morto’”, disse Laurent Montési, um dos coautores da pesquisa.

Os cientistas já sabiam que Vênus não apenas tem uma superfície mais jovem que planetas como Marte e Mercúrio, mas também fortes evidências de que no passado havia bastante atividade no seu interior. Uma dessas evidências são as estruturas conhecidas como coronae na superfície do planeta. Em geologia planetária, coronae (plural de corona) é um acidente geográfico com forma oval parecidos com coroas.

As coronae costumam ter centenas de quilômetros de diâmetro e podem ser formadas por afloramento de material quente abaixo da superfície. Isso é parecido com a atividade no manto terrestre que formou as ilhas vulcânicas do Havaí. Mas pensava-se que as coronae em Vênus eram sinais de atividade antiga, e não atual.

A simulação em 3D mostra duas coronae observadas na superfície de Vênus. As estruturas em forma de anel são formadas quando o material quente das profundezas do planeta sobe através do manto e entra em erupção através da crosta. Uma das estruturas venusiana é chamada Aramaiti, vista à esquerda nesta imagem. A linha preta representa uma lacuna nos dados (Imagem: Universidade de MarylandUniversity of Maryland)

Em outras palavras, os pesquisadores consideravam que o planeta já havia esfriado tanto que a crosta endurecera o suficiente para impedir a lava de perfurá-la. No novo estudo, entretanto, os pesquisadores usaram simulações em 3D de alta resolução para reproduzir a formação de coronae. Esses modelos fornecem uma visão mais detalhada do processo e a equipe conseguiu identificar algumas coronae ativas.

Combinando as simulações com as observações reais do planeta, a equipe descobriu que parte da variação de coronae em Vênus representa diferentes estágios de desenvolvimento geológico. O estudo fornece a primeira evidência de que as coroas em Vênus ainda estão evoluindo - e que seu interior ainda está bastante ativo. “Podemos dizer que pelo menos 37 coronae estiveram bastante ativas recentemente”, disse Montési.

As estruturas vulcânicas ativas em Vênus estão agrupadas em vários locais, o que aponta para os cientistas onde são as áreas em que o planeta está mais ativo. Com isso, as futuras missões a Vênus podem decidir melhor onde os instrumentos geológicos devem ser colocados.

Fonte: Phys.org

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