Plutão pode ter sido aquecido antes de se tornar um mundo congelado

Por Daniele Cavalcante | 28 de Abril de 2020 às 21h30
NASA

Em 2015, a sonda New Horizons sobrevoou Plutão e encontrou alguns sinais de água sob a superfície do planeta-anão. Agora, novos estudos dos dados coletados naquela época trazem outras interpretações, que podem trazer informações sobre na sua formação - e até mesmo sobre o surgimento do Sistema Solar.

São dois estudos que analisaram a possibilidade de que, em tempos antigos, Plutão possa ter abrigado um oceano. Um deles usou as imagens de Plutão, tiradas pela New Horizons, para examinar uma questão importante sobre a formação planetária: Plutão teve um nascimento lento e gelado ou se formou mais rapidamente no calor?

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Qualquer cenário poderia explicar um oceano primitivo sob a superfície, mas a descoberta de qual origem é a real pode trazer diferentes implicações. Por exemplo, uma camada de gelo que derrete para formar um oceano produziria características de compressão em suas formações geológicas. Isso sustentaria a ideia de que o pequeno mundo já nasceu em meio ao gelo, e passou por um período de aquecimento.

Ilustração da New Horizons próxima a Plutão (Imagem: NASA)

Em imagens da New Horizons, os pesquisadores encontraram evidências de características de extensão, e não compressão, em uma região cuja idade das crateras é estimada em 4 bilhões de anos. Essa observação é exatamente o que os cientistas esperam encontrar caso Plutão tenha surgido em um clima quente. Até o momento, nenhum recurso de compressão relacionado a um nascimento gelado foi encontrado na superfície do objeto.

De acordo com William McKinnon, da Universidade Washington em St. Louis, "há poucas evidências de compressão e muitas de extensão". Embora haja grupos que defendam o contrário, ele afirma que “é realmente difícil argumentar por um início frio”, diz ele sobre o nascimento de Plutão.

Várias evidências apontam para um oceano subterrâneo em Plutão, mas elas não são tão definitivas assim. Ou seja: pode ser que não exista e nunca existiu tal coisa por lá. Mas, se a teoria do nascimento quente do planeta-anão estiver correta, características de extensão também devem existir em outros mundos do tipo como Eris, Haumea e demais objetos do Cinturão de Kuiper.

Ainda existem poucas informações concretas sobre Plutão, e a New Horizons conseguiu imagens do hemisfério sul apenas em baixa resolução. Mas os trabalhos atuais já são bastante promissores e restringem algumas deduções, o que já possibilita algumas modelagens que fornecem algumas possibilidades sobre a estrutura interior do planeta-anão mais polêmico do Sistema Solar.

Fonte: Sky & Telescope

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