Três cientistas ganham Nobel de Física por seus estudos sobre buracos negros

Por Daniele Cavalcante | 06 de Outubro de 2020 às 18h30
EPA

Roger Penrose, Reinhard Genzel e Andrea Ghez foram anunciados nesta terça-feira (6) como os ganhadores do Prêmio Nobel 2020 de Física. A Academia Real das Ciências da Suécia contemplou os três nomes por suas descobertas sobre buracos negros, e os físicos dividirão o valor de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,3 milhões). Penrose ficará com metade do prêmio, enquanto Genzel e Ghez dividirão a outra metade.

Reinhard Genzel e Andrea Ghez 

Ghez foi a primeira mulher premiada neste ano, e a quarta na categoria de Física da história do prêmio. Ela é professora na Universidade da Califórnia, Los Angeles, EUA, e ao lado de Genzel, Diretor do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, trabalhou na descoberta de um objeto compacto supermassivo no centro da nossa galáxia, o buraco negro Sagitário A* (pronuncia-se Sagitário A Estrela).

O trabalho da dupla levou à "evidência mais convincente de um buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea", de acordo com a avaliação do comitê. "Estou animada em receber o prêmio – levo muito a sério a responsabilidade de ser a quarta mulher a ganhar o prêmio Nobel [em física]. Espero poder inspirar outras jovens mulheres para uma área que tem tantos prazeres, se você tem paixão pela ciência. Há muito para ser feito", declarou a cientista.

(Imagem: Reprodução/Niklas Elmehed/Nobel Prize)

Durante quase 30 anos, a dupla usou um conjunto de instrumentos nos telescópios do ESO (European Southern Observatory), que estão entre os maiores do mundo. Assim, eles desenvolveram métodos para ver o que há por trás das enormes nuvens de gás interestelar e poeira, chegando até o centro da Via Láctea, encontrando algo de massa extrema. Com novas técnicas para compensar as distorções causadas pela atmosfera da Terra, construíram instrumentos exclusivos e obtiveram a evidência mais convincente já encontrada de um buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia.

“É muito difícil conceituar um buraco negro”, disse Ghez. “As leis da física perto de um buraco negro são tão diferentes daquelas que operam na Terra, que você não tem intuição para as coisas que está procurando. Eu posso pensar matematicamente, abstratamente, mas formar uma imagem é muito difícil, porque espaço e tempo se misturam”.

Sobre se tornar a quarta mulher na categoria de Física na história do Nobel, Ghez disse à Agence France-Presse (AFP) que “há muito o campo é dominado por homens, mas há cada vez mais mulheres ingressando na disciplina. Estou muito feliz por poder ser um modelo para as jovens que estão pensando em começar”.

Roger Penrose 

Penrose por sua vez é professor da Universidade de Oxford, Reino Unido, e seu trabalho mostrou que a formação de buracos negros é prevista pela teoria geral da relatividade. O comitê do Nobel afirmou que o trabalho dele "usou métodos matemáticos engenhosos em sua prova de que os buracos negros são uma consequência direta da teoria geral da relatividade de Einstein".

Além disso, Penrose mostrou através das ideias de Einstein que a singularidade, lugar em que toda a física se extingue, pode existir no centro do buraco negro. "O próprio Einstein não acreditava que buracos negros realmente existissem, esses monstros superpesados ​​que capturam tudo que entra neles. Nada pode escapar, nem mesmo a luz", escreveu o comitê do Nobel no anúncio dos três vencedores.

Foi em janeiro de 1965, dez anos após a morte de Einstein, que Penrose provou que os objetos misteriosos realmente podem se formar. Mais que isso, os descreveu em detalhes. "Seu artigo inovador ainda é considerado a contribuição mais importante para a teoria geral da relatividade desde Einstein".

Fonte: Nobel Prize, ESO

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