Tem um pé de soja no espaço! Descubra desafios e benefícios desse cultivo na ISS

Por Fidel Forato | 13 de Março de 2020 às 08h15
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Experimentos envolvendo o cultivo de vegetais no espaço vêm acontecendo há alguns anos na Estação Espacial Internacional (ISS), e até mesmo bactérias acidentalmente chegaram e se reproduziram por lá. Mas, voltando ao cultivo intencional dentro do laboratório orbital, cientistas buscam compreender os efeitos da gravidade na vida das plantas, o que é conhecimento fundamental para a futura exploração humana do Sistema Solar.

Com a capacidade de produzir alimentos em viagens espaciais, a tripulação poderia ganhar novas maneiras de manter uma alimentação saudável, mesmo durante missões de longa duração, como será o caso do envio dos primeiros astronautas a Marte. Para isso, foi planejada a investigação Advanced Astroculture (ADVASC), liderada pela PhD Weijia Zhou, da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos.

Explorando os benefícios da microgravidade na criação de culturas, a pesquisadora procurava entender como essas formas de vida poderiam suportar o clima inóspito do espaço, e esses vegetais plantados conseguiram chegar à segunda geração. Isso significa que, além de crescer, os cultivos geraram frutos que, por sua vez, germinaram. Para isso, as pesquisas foram feitas com a Arabidopsis thaliana - uma planta de floração rápida - e a soja.

Como funciona a estufa?

Pesquisadores testam cultivo de plantas em microgravidade na ISS e novas patentes que prolongam a vida de vegetais na Terra são desenvolvidas (Foto: Reprodução/ NASA) 

Enquanto servia como uma câmara para o crescimento e estudo das plantas, a investigação ADVASC também contribuiu para uma série de outros temas relacionados, como a segurança nacional, pesquisas de produtos farmacêuticos para o combate ao câncer e, principalmente, testes para prolongar a vida útil de vegetais.

É o caso de um purificador de ar da ADVASC que foi projetado para remover o etileno da atmosfera da câmara espacial, aumentando a longevidade dos vegetais cultivados, já que o etileno - um gás natural, inodoro e incolor liberado pelas plantas - acelera o amadurecimento dos frutos e o envelhecimento das flores, ou seja, a sua decomposição.

Em ambientes fechados de cultivo, como espaçonaves ou estufas terrestres, o etileno se acumula rapidamente e causas sérios prejuízos para a produção, já que as plantas amadurecem muito rápido. Nesse sentido, a remoção do etileno é importante para preservar as culturas não apenas no espaço, mas também na Terra, onde supermercados e floristas têm grande interesse em esticar a vida útil dos seus produtos, por exemplo.

Esse dispositivo de redução de etileno aspira o ar através de tubos revestidos por dióxido de titânio. O interior desses tubos é exposto à luz ultravioleta, o que gera uma reação química que converte o etileno em pequenas quantidades de água e dióxido de carbono (CO2), duas substâncias essenciais para as plantas.

Tecnologia patenteada na Terra

Empresa com sede na Geórgia, nos Estados Unidos, a KES Science & Technology é especializada em alimentos perecíveis e licenciou a tecnologia de purificação de etileno da Universidade de Wisconsin. Depois de algumas parcerias comerciais para adaptar o projeto à Terra, a companhia já comercializa o equipamento desenvolvido pela NASA com o nome de Airocide.

Segundo a empresa, o Airocide é o único purificador de ar que destrói completamente bactérias transportadas pelo ar, incluindo mofo, fungos, vírus e compostos orgânicos (o etileno é um deles). Como esperado, entre os clientes estão supermercados, distribuidores de produtos, vinícolas, destilarias, restaurantes e grandes lojas de flores.

Uma das adeptas da Airocide é a Reeves Floral, que relatou uma redução de 92% na presença de bolor no ar e uma queda de 58% no nível de bactérias no ar, isso apenas 24 horas após o início da operação do equipamento. Assim, é possível prolongar o tempo de vida útil de suas flores.

Esse equipamento também vem sendo usado em países como Índia, Kuwait, Catar, Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Todas são áreas onde caminhões refrigerados transportam mantimentos da zona rural para cidades a quilômetros de distância, sendo essencial conter a deterioração natural desses alimentos.

A mesma tecnologia desenvolvida na ISS também pode operar com sucesso em clínicas médicas, salas de cirurgia, enfermarias neonatais e salas de espera, por exemplo. Afinal, com essa purificação do ar é possível proteger o sistema imunológico de seus frequentadores. O Airocide consegue remover bactérias nocivas diversas, como a Staphylococcus aureus, resistente ao antibiótico meticilina, além de eliminar praticamente todos os germes e doenças transmitidas pelo ar.

Fonte: NASA

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