Telescópio TESS identifica novo "Júpiter ultraquente" com órbita desalinhada

Telescópio TESS identifica novo "Júpiter ultraquente" com órbita desalinhada

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 06 de Setembro de 2021 às 17h20
NASA/JPL-Caltech

Uma equipe internacional de astrônomos, liderada por Samuel H. C. Cabot, da Yale University, encontrou um exoplaneta do tipo Júpiter ultraquente enquanto observavam a estrela TOI-1518 com o telescópio Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), da NASA. Os autores do estudo estimam que este exoplaneta tenha altas temperaturas em sua superfície e que seja quase duas vezes maior que o maior gigante gasoso do Sistema Solar.

A descoberta aconteceu durante as observações da estrela, que mostraram um sinal de trânsito na curva de luz emitida por ela. Grande parte dos exoplanetas são descobertos desta forma: ao passarem na frente de suas estrelas, eles causam uma pequena redução na luz delas, que pode ser observada nas curvas de luz. Assim, no caso da TOI-1518, uma estrela aproximadamente duas vezes maior que o Sol, os pesquisadores realizaram observações com o espectrógrafo do Lowell Discovery Telescope para confirmar que o sinal realmente tinha natureza planetária.

Visualização do trânsito (esquerda) e eclipse secundário (direita) (Imagem: Reprodução/Cabot et al., 2021.)

O exoplaneta em questão é considerado um “Júpiter ultraquente”, ou seja, tem características parecidas com aquelas do maior planeta do Sistema Solar, porém com temperaturas muito mais elevadas e período orbital abaixo de 10 dias, de modo que orbita a estrela bem de perto e tem alta temperatura de superfície. De acordo com os autores, o TOI-1518b tem raio equivalente a 1.875 vezes o de Júpiter (para comparação, o raio de Júpiter é de aproximadamente 69.911 km), e sua massa pode chegar a 2,3 massas do gigante gasoso — essa estimativa poderá ser aprimorada com monitoramento futuro da velocidade radial do sistema.

Ainda, eles estimam que o planeta orbita a estrela a cada 1,9 dia a 0,04 unidade astronômica (UA) dela. Assim, o planeta tem temperatura de equilíbrio de 2.492 K, e a temperatura no lado diurno medida chegou a 3.237 K, o que sugere a ocorrência de inversão térmica. Contudo, novas observações de espectroscopia também serão necessárias para confirmar isso.

Os dados indicam que o planeta tem órbita desalinhada, algo que os autores explicam que, na maioria das vezes, ocorre com gigantes gasosos próximos de suas estrelas. Por fim, a equipe detectou a presença de ferro na atmosfera do planeta; ao realizar uma análise de correlação cruzada, eles descobriram ferro neutro e ressaltam que, até o momento, houve somente algumas detecções de ferro em Júpiteres ultraquentes.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado no repositório online arXiv, sem revisão de pares.

Fonte: Phys.org

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