Telescópio James Webb poderá estudar mistérios do buraco negro da Via Láctea
Por Danielle Cassita • Editado por Patricia Gnipper |

Sagittarius A*, o buraco negro que existe no centro da Via Láctea, é um dos objetos que serão estudados pelo telescópio espacial James Webb. Para isso, os investigadores do novo observatório vão trabalhar com a equipe do telescópio Event Horizon (EHT), formado por oito radiotelescópios em solo — que, inclusive, foram os responsáveis pela primeira imagem já produzida de um buraco negro, revelada em 2019.
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O Webb vai se juntar os vários telescópios que tentam desvendar a natureza de Sagittarius A*, cuja natureza de expelir emissões a cada hora o torna um objeto difícil de observar mesmo estando mais próximo que o buraco negro M87*. “Enquanto o núcleo da [galáxia] M87 se mostrou um alvo estável, o Sagittarius A* exibe chamas misteriosas a cada hora, o que torna o processo de imageamento muito mais difícil”, escreveram membros da equipe do novo telescópio.
As emissões em questão são produzidas quando partículas carregadas são aceleradas ao redor do buraco negro e alcançam maiores energias, emitindo emissões lumionosas. Assim, o James Webb irá ajudar nos estudos com imagens próprias em infravermelho da região do buraco negro, oferecendo dados sobre quando as emissões estão presentes, que serão referências valiosas para a equipe do Event Horizon.
Por enquanto, o novo telescópio ainda está no período de comissionamento. Quando estiver pronto para iniciar suas operações científicas, o Webb observará o buraco negro Sagittarus A* em dois comprimentos de onda infravermelhos. Como o EHT está no solo, os cientistas esperam que os dados coletados pelo James Webb possam complementar aqueles da rede em solo, criando uma imagem mais limpa e mais fácil de interpretar.
Assim, os colaboradores acreditam que, juntos, o Webb e o EHT vão poder trazer mais informações sobre o que causa estas emissões. “Queremos entender como o universo funciona, porque somos parte dele”, explicou Farhad Yusef-Zadeh, astrofísico. “Os buracos negros podem ter as pistas para responder algumas destas grandes perguntas”.
Embora as expectativas sejam grandes, os membros da equipe do Webb estão cientes que este é apenas o começo. “É um processo, provavelmente vamos ter mais perguntas do que respostas no começo”, observou Sera Markoff, astrônomo da equipe de pesquisa do buraco negro com o James Webb. Futuramente, o conhecimento adquirido com estudos do Sagittarius A* poderá ser aplicado a outros buracos negros.
Fonte: Webb Telescope; Via: Space.com