SpaceX enfim explica falha que causou explosão da nave Crew Dragon em abril

Por Patrícia Gnipper | 15 de Julho de 2019 às 20h30
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Em abril, a nave tripulável Crew Dragon, da SpaceX, passou por um teste e falhou: uma "anomalia" não explicada aconteceu, causando a explosão do veículo. Somente agora a empresa de Elon Musk veio a público para, enfim, explicar o que aconteceu: a tal anomalia teria sido resultado de uma mistura indevida entre um oxidante com o componente de hélio que faz parte do sistema propulsor do foguete usado nos testes, o que aconteceu a uma pressão muito alta.

O teste no qual ocorreu o incidente trágico era o de aborto de lançamento, essencial para que a tripulação consiga acionar o sistema de emergência para destacar a nave do foguete caso algum problema aconteça durante um lançamento. A Crew Dragon é essencial para o futuro da permanência estadunidense na Estação Espacial Internacional, pois será com esta nave, bem como com a Starliner da Boeing, que os EUA continuarão enviando seus astronautas para lá a partir do ano que vem, deixando de lado a parceria com os russos que já dura desde 2011.

Hans Koenigsmann, vice-presidente de construção e confiabilidade de voo da SpaceX, junto de Kathy Lueders, gerente do programa de tripulações comerciais da NASA, explicaram em coletiva de imprensa nesta segunda (15) que a investigação conjunta identificou marcas de queimaduras ao redor de uma válvula de retenção no sistema que deveria separar o oxidante dos componentes de combustível sob pressão. Tais válvulas contêm uma mola que pode ser aberta para direcionar o fluxo em um sentido desejado, mas no teste de abril, que causou a explosão, uma das válvulas de retenção apresentou um vazamento, e esse vazamento causou a violenta reação.

Koenigsmann, contudo, ressalta que a investigação ainda não está encerrada: ele diz que cerca de 80% do processo já aconteceu, permitindo a veiculação desta análise, mas os 20% restantes ainda permitirão descobrir detalhes adicionais, especialmente em torno da física envolvida na questão. Ele diz ainda que a SpaceX já está implementando uma correção de hardware crucial para que um novo acidente do tipo não aconteça, substituindo a válvula de retenção por uma válvula de ruptura, que separa completamente o oxidante e o combustível de qualquer líquido de pressurização, o que resolverá o problema definitivamente.

A Crew Dragon já voou uma única vez, sem tripulação a bordo, em março deste ano, e o primeiro voo tripulado em caráter de testes aconteceria agora em julho. Com o acidente de abril, esse cronograma não será mantido, obviamente, e ainda que uma nova data não tenha sido revelada, tanto Koenigsmann quanto Lueders se mostraram céticos quanto a uma possibilidade de a Crew Dragon enviar uma primeira turma de astronautas à ISS ainda em 2019.

Fonte: SpaceX, TechCrunch

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