SpaceX consegue aprovação para mover satélites Starlink a órbitas mais baixas

SpaceX consegue aprovação para mover satélites Starlink a órbitas mais baixas

Por Danielle Cassita | Editado por Luciana Zaramela | 27 de Abril de 2021 às 21h00
SpaceX

A SpaceX estava buscando autorização da Federal Communications Commission (FCC), a agência reguladora de telecomunicações nos Estados Unidos, para modificar uma licença já existente, que permitiria mudar a órbita de quase 3 mil satélites. O pedido foi atendido: nesta terça-feira (27), a FCC aprovou a modificação da licença e, agora, a empresa poderá mover 2.814 satélites, que estão em órbitas de até 1.300 km, para órbitas entre 540 km e 570 km.

Essas órbitas têm a mesma amplitude que a empresa usa para os mais de 1.300 satélites Starlink que estão em operação atualmente e, segundo a SpaceX, inserir os satélites em órbitas mais baixas é mais seguro e os ajuda a saírem da órbita e queimarem na atmosfera mais rapidamente. Além disso, a FCC rejeitou pedidos de outras empresas, que solicitaram o bloqueio dessa modificação ou tentaram forçar a SpaceX a entrar em uma nova rodada de análises.

Liberação de satélites Starlink na órbita (Imagem: Reprodução/SpaceX)

Com a aprovação, a megaconstelação de satélites Starlink fica com uma unidade a menos, ou seja, 4.408 deles — esse total inclui os 1.584 previamente autorizados para operar em órbitas de 550 km e inclinação de 53º, e outros 10 que foram liberados para operar em órbitas polares. Assim, eles se juntam a outros 2.814 satélites já aprovados para funcionar nas órbitas de 540 km a 570 km.

O caminho até a aprovação foi acompanhado de colocações de operadoras de satélites que não gostaram da mudança, alegando motivos relacionados à interferência eletromagnética e maior risco de colisões entre as espaçonaves em órbita. A agência rejeitou as alegações, afirmando que a mudança iria beneficiar os usuários — principalmente das regiões polares —, além de beneficiar também a mitigação dos detritos orbitais, sem causar problemas significativos de interferência.

Uma dessas operadoras foi a ViaSat, que argumentou que os satélites Starlink têm alta taxa de falha, o que aumenta o risco de colisões na órbita baixa da Terra. Nesse caso, a FCC reconheceu que a taxa de falha é significativa, e ressaltou a importância de a SpaceX manter uma taxa de confiabilidade de descarte de seus satélites para limitar as chances de colisão. Além disso, uma condição para a mudança é que a SpaceX envie relatórios que apresentem a quantidade de “eventos de conjunção”, junto daqueles que exigiram manobras para evitar uma colisão e satélites já descartados.

Para o diretor executivo da ViaSat, embora os satélites Starlink sejam pequenos, os painéis solares deles são grandes, o que aumenta as chances de colisão (Imagem: Reprodução/SpaceX)

Já a Amazon solicitou que a SpaceX opere seus satélites em altitudes que não ultrapassem 580 km, como uma forma de impedir aproximações perigosas dos satélites do Projeto Kuiper, que, quando forem lançados, vão ficar em órbitas de 630 km — e a SpaceX declarou em um dos documentos que aceita a condição. Por fim, houve uma solicitação para a FCC realizar uma avaliação ambiental devido aos impactos que os satélites Starlink causam nas observações astronômicas devido à luz que refletem.

Este pedido foi rejeitado: a agência concluiu que “as questões levantadas nos arquivos não justificam” a preparação da avaliação, mas insistiu que a SpaceX continue trabalhando com os astrônomos para reduzir o brilho dos satélites: “concluímos que é de interesse público que a SpaceX garanta que não está atrapalhando a astronomia e outras iniciativas de pesquisa”, disse a instituição, afirmando que irá monitorar a situação e o que a empresa está fazendo para cumprir seu compromisso.

Fonte: SpaceNews, Business Insider

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