Sonda que observa o Sol pode estudar o cometa ATLAS em encontro inesperado

Por Daniele Cavalcante | 18 de Maio de 2020 às 08h55

No final de março, astrônomos esperavam que o cometa ATLAS se tornasse visível a olho nu no final de maio, mas, ao se aproximar do Sol, seu núcleo se dividiu em vários pedaços. O cometa continua lá, em sua órbita altamente elíptica ao redor do Sol, mas sem brilho suficiente para ser visto. No entanto, por um acaso do destino, uma sonda terá a chance de passar pertinho da cauda do ATLAS.

Essa sonda é a Solar Orbiter, um satélite lançado em fevereiro deste ano com a missão de estudar o nosso Sol. Ela ainda está em sua jornada para se aproximar da estrela, e no momento está atravessando a órbita de Vênus. Um trio de cientistas comparou as trajetórias dos dois objetos - a Solar Orbiter e o ATLAS - e descobriram uma coincidência: a sonda deve passar pela cauda do cometa no final de maio ou no início de junho.

Os pesquisadores não pretendem resistir à tentação. Principalmente porque o principal autor dessa nova pesquisa também está liderando uma missão da ESA (a agência espacial europeia) chamada Comet Interceptor, que deve ser lançada em 2028 para estudar cometas primitivos que irão em direção ao Sistema Solar interno pela primeira vez. Então, por que não aproveitar que uma sonda já está se aproximando do ATLAS para estudar o cometa de perto?

De acordo com os cálculos, a Solar Orbiter deverá atravessar a cauda do cometa entre os dias 31 de maio e 1º de junho. Se o ATLAS estiver perdendo material suficiente no momento, dois instrumentos a bordo da espaçonave poderão detectar íons ou perturbações do campo magnético do cometa como consequência da aproximação rumo ao Sol.

Em 6 de junho, a sonda deve passar pelo campo de poeira deixado pelo cometa. Dependendo da quantidade dessa poeira, os instrumentos podem identificar alguns fenômenos do campo magnético. Se a Solar Orbiter conseguir capturar quaisquer dados, será uma das primeiras de muitas observações feitas perto de um cometa. E tudo por um mero acaso.

Fonte: Space.com

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