Solar Orbiter faz seu primeiro sobrevoo por Vênus e coleta dados sobre o planeta

Por Daniele Cavalcante | 28 de Dezembro de 2020 às 18h30
ESA/ATG medialab

Embora tenha sido projetada para estudar o Sol, a Solar Orbiter aproveitou sua aproximação de Vênus para espiar o planeta de pertinho. É que a sonda, lançada em fevereiro deste ano, fará numerosos sobrevoos por lá para ganhar uma “assistência gravitacional” do planeta, com o objetivo de ajustar sua trajetória para mais perto do Sol, e isso deu aos cientistas por trás da missão a oportunidade de coletar alguns dados sobre o mundo venusiano.

Desde meados de setembro, Vênus desperta a atenção dos pesquisadores após a descoberta de um elemento chamado fosfina em sua atmosfera. A presença desse gás pode indicar a presença de vida naquele mundo, embora nada possa ser comprovado por enquanto — na verdade, as expectativas já diminuíram um pouco após uma avaliação mais ponderada.

Mesmo assim, ainda vale a pena conferir o planeta de perto, e a Solar Orbiter tem à disposição uma variedade de instrumentos para coletar alguns dados interessantes. Infelizmente a sonda não poderá apontar suas lentes telescópicas para Vênus, pois elas estão alinhadas com um escudo especial que protege a nave dos raios solares. O escudo — e, portanto, todos os telescópios da nave — estará constantemente apontado para o Sol, então é impossível obter imagens fotográficas de Vênus.

Contudo, há muito mais do que fotografias para se observar em um planeta. A Solar Orbiter carrega consigo instrumentos como magnetômetro, rádio e detector de ondas de plasma, além de sensores do detector de partículas energéticas, todos construídos para estudar o comportamento do Sol e dos ventos solares. A sonda não estará muito perto de Vênus, o que limitará o impacto que as observações fornecerão à ciência, mas os cientistas estão animados com o que poderão encontrar.

Uma das descobertas que poderão ser feitas com esses dados será o modo como Vênus interage com o vento solar que passa pelo planeta. Essa será, na verdade, a principal coisa que os cientistas poderão ver, de acordo com Tim Horbury, pesquisador principal de um dos instrumentos da Solar Orbiter. Essa análise será interessante, pois ao contrário da Terra, Vênus não tem um campo magnético. Isso significa que o mundo vizinho interage com o vento solar de maneira muito diferente que nosso planeta.

A passagem por Vênus ocorreu no domingo (27), e este foi apenas o primeiro de uma série de sobrevoos por lá. Entretanto, levará alguns dias para que todos os dados coletados sejam analisados pelos cientistas. Por isso, é cedo para dizer o que eles encontrarão. A Solar Orbiter usará os sobrevoos por Vênus para se deslocar do alinhamento do Sistema Solar, o que deixará a sonda posicionada de modo que seja capaz de capturar as primeiras imagens das regiões polares do Sol.

Fonte: Space.com

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