Satélites Starlink precisaram desviar de lixo espacial gerado pela Rússia

Satélites Starlink precisaram desviar de lixo espacial gerado pela Rússia

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 01 de Dezembro de 2021 às 17h17
Divulgação/SpaceX

Alguns satélites Starlink precisaram realizar manobras de desvio para evitar possíveis colisões em órbita. Eles poderiam ter se chocado contra fragmentos de um satélite da Rússia, destruído durante um teste que acabou liberando milhares de detritos. Quem revelou isso foi Elon Musk, fundador da empresa, pelo Twitter.

Os fragmentos perigosos são o resultado de um teste de míssil anti-satélite realizado pela Rússia em novembro, que resultou na destruição do satélite soviético Kosmos 1408. De acordo com a publicação de Musk, foi preciso alterar a órbita de alguns dos satélites Starlink para diminuir a probabilidade de colisões acontecerem. “Não é ótimo, mas também não é terrível”, disse.

O tuíte dele foi uma resposta a uma discussão sobre a decisão da NASA de adiar uma caminhada espacial devido aos riscos dos milhares de detritos causados pela destruição do satélite russo — algo que causou também indignação na comunidade espacial. Os mais de 1.800 satélites Starlink em órbita, hoje, "viajam" ao redor da Terra à altitude de aproximadamente 550 km, ficando também cerca de 80 km acima do satélite destruído.

Entretanto, o teste da Rússia lançou fragmentos em trajetórias variadas, sendo que algumas são mais baixas, e outras mais altas que a órbita original do Kosmos 1408. Por isso, as operadoras que controlam satélites na região afetada pelo procedimento devem precisar realizar o dobro de manobras de desvio para manter seus dispositivos em segurança. Além dos riscos dos detritos, há ainda perigos causados pela própria constelação Starlink.

Riscos dos satélites Starlink

Futuramente, a SpaceX espera chegar à marca de 12 mil unidades lançadas à órbita e já protocolou uma solicitação para lançar mais 30 mil. Mesmo que ainda haja um caminho à frente até cumprir esses objetivos, os Starlink estarão envolvidos em 90% dos encontros perigosos no espaço. “A Starlink não publica todas as manobras que fazem, mas acredita-se que fazem pequenas correções e ajustes o tempo todo”, disse Hugh Lewis, o principal especialista em detritos espaciais na Europa.

O teste da Rússia resultou em mais de 1.500 fragmentos, que se juntam a outros milhares de detritos em órbita (Imagem: Reprodução/NASA's Goddard Space Flight Center/JSC)

Segundo ele, isso causa problemas para todos, porque não é possível saber exatamente onde os satélites estarão e como devem se mover em um intervalo de poucos dias — é que, para evitar colisões com outros objetos, a SpaceX usa um sistema de desvio autônomo. Esse sistema acaba rendendo críticas de outras empresas, que temem que os ajustes de órbita realizados autonomamente afetem a trajetória prevista por elas.

Na prática, isso acaba prejudicando as previsões realizadas para evitar colisões em órbita. Agora, com as consequências do teste realizado pela Rússia, podemos esperar ainda mais manobras autônomas conduzidas pelos satélites da empresa de Musk — e, consequentemente, ainda mais incertezas para outras operadoras.

Fonte: Space.com

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