Google Maps espacial! Saiba como explorar o terreno da Lua e de Marte

Por Daniele Cavalcante | 20 de Dezembro de 2020 às 12h00
NASA

Existem diversos mapas da superfície da Lua e de Marte, mas nem todos oferecem muitos detalhes sobre as regiões e suas muitas crateras, montanhas, dunas, entre outras características. Olhar para as topografias insólitas desses mundos sem saber o que estamos vendo pode ser um pouco decepcionante. Por isso, o Google Mars e o Google Moon são ótimas ferramentas para conhecer um pouco mais de nossos vizinhos rochosos, mesmo sem sair aqui da Terra.

Dentre os dois mapas, o Google Mars é, de longem, o mais interessante e mais rico em informações, pois, além de fornecer três modos de visualização, também conta com uma lista de crateras, dunas, montanhas, cânions, e até mesmo das naves que já pousaram por lá. Isso é muito legal para quem quer conferir em detalhes tudo o que o Planeta Vermelho já passou em termos de acidentes geológicos ao longo dos milênios.

O Google Moon, por sua vez, também é interessante, mas às vezes parece haver alguns bugs, ou alguns de seus recursos podem ter sido removidos temporariamente para alguma atualização de dados. De qualquer forma, ele também oferece três modos de visualização e uma boa noção da quantidade de crateras e montanhas, com muitas variações de altitudes e profundidade em cada pedacinho da superfície. Também conta com uma série de histórias sobre as missões Apollo.

Como usar o Google Mars

O mapa colorido revela altura de elevações e profundidade de crateras (Imagem: Reprodução/NASA/JPL/GSFC/Arizona State University)

O Google Mars foi criado pelo Google em parceria com pesquisadores da NASA. É uma ferramenta bem completa e permite ver alguns dos locais mais interessantes do Planeta Vermelho em diferentes modos de observação. Você pode navegar por montanhas, cânions, crateras e muito mais.

Modos de visualização

A primeira coisa que você verá no Google Mars é o Modo Elevação — um mapa multicolorido com informações muito interessantes. Essas cores são obviamente falsas (olhando de perto, Marte tem uma coloração que lembra caramelo) e indicam a altura ou profundidade da superfície. Por exemplo, a cor amarela indica o nível “zero”, ou seja, aquilo que na Terra chamaríamos de nível do mar. As áreas em vermelho indicam elevação de 3 km, e o preto indica uma profundidade de 9 km.

Tons de cinza são elevações, e quanto mais claro o tom, mais elevada é a superfície naquele ponto. Os locais brancos indicam uma elevação com 21 km de altura. É interessante notar que todos os pequenos círculos azuis são crateras com algo entre 3 e 6 km de profundidade. Aproxime-se da superfície com a rolagem do mouse e veja quantas crateras dessa cor existem na área verde, e compare com as crateras igualmente pequenas na área vermelha e amarela. Você pode encontrar a escala de cores na lateral esquerda.

Pode não parecer, mas esta imagem no modo visível é da mesma região da imagem acima. Para conhecer bem Marte, é preciso comparar ambos os modos de visualização (Imagem: Reprodução/NASA/JPL/MSSS/Arizona State University)

Já no Modo Visível, você encontrará uma aparência mais próxima do real. É que este mapa utiliza apenas a luz visível sem muita edição. Essas imagens foram capturadas a partir da órbita do planeta — pelos instrumentos Mars Orbiter Camera (MOC) e Mars Global Surveyor —, então é como se você estivesse olhando o Planeta Vermelho acima de sua fina atmosfera. A cor cinza também é falsa — os desenvolvedores optaram por trocar a cor real por esta para destacar mais detalhes da superfície.

Por fim, há o Modo Infravermelho, que revela Marte vista por emissões da luz… infravermelha, é claro. As imagens foram obtidas pela sonda Mars Odyssey. Bem, você jamais verá o Planeta Vermelho dessa forma com seus olhos, mesmo que viaje para lá, pois a luz infravermelha é invisível aos olhos humanos. Entretanto, esse tipo de imagem é muito valiosa para a ciência, pois revela coisas que os astrônomos jamais encontrariam de outro modo.

Características de Marte

No topo esquerdo, há algumas opções para ver crateras, montanhas, planície, entre outros detalhes. Se você quiser entender a geologia de Marte, talvez seja ideal começar por Regiões, sempre usando o Modo Elevação para saber se está olhando para uma cratera ou montanha. Ao clicar em Regions (ou qualquer outra opção dali), uma lista de nomes aparecerá no lado esquerdo. Não esqueça de navegar pelas setas azuis que aparecerão sempre abaixo. Sem isso, você não verá muita coisa.

Confira as características de Marte começando por Regiões, no modo Elevações (Imagem: Reprodução/NASA/JPL/GSFC/Arizona State University)

Em Regions, você aprenderá o nome das grandes áreas, como o grande círculo azul que se destaca dentro da área amarela. Esse círculo é a Isidis Planitia, a terceira maior estrutura de impacto no planeta, com aproximadamente 1500 km de diâmetro. Impressionante, mas não tanto quanto a Utopia Planitia, a maior bacia de impacto em Marte, com 3300 km de diâmetro. Foi ali que pousou a sonda Viking 2, em 1976.

Por falar em sondas, a opção Spacecraft mostra onde as naves humanas já pousaram em Marte. A lista de nomes aparece no lado esquerdo e, ao clicar nos locais indicados no mapa, um card aparece com mais informações sobre o item. Com as demais opções é a mesma coisa: montanhas, cânions, dunas, planícies, cumes e crateras. Essas últimas são um dos itens mais legais do mapa, pois há muitas delas e é sempre muito interessante conhecê-las melhor.

Ah, também é importante notar que no Modo Infravermelho existem algumas áreas coloridas. Essas regiões são mosaicos de alta resolução criados à mão pela equipe de desenvolvedores e sobrepostas ao mapa. O tom dourado foi usado nessas áreas porque faz com que as imagens de alta resolução se destaquem.

E, finalmente, você pode pesquisar por um termo específico na barra de busca, mas lembre-se de usar palavras em inglês.

Como usar o Google Moon

Passeie pelas crateras da Lua no modo Elevação (Imagem: Reprodução/NASA/USGS)

Um pouco menos interessante e menos completa que o Google Mars, o Google Moon também foi criado pelo Google em parceria com pesquisadores do Centro de Pesquisa Ames da NASA. Aqui o Modo Elevação também está presente, mas infelizmente não há uma escala de cores para saber a altura das elevações ou profundidade das crateras (embora o Google afirme que a escala existe, então pode ser apenas um bug temporário).

De qualquer forma, é um mapa com muitos detalhes sobre as características geológicas da Lua, principalmente no Modo Elevação, que é onde temos noção real da quantidade de acidentes geográficos existem ali.

O Modo Visível também está presente, e é interessante compará-lo com o Modo Elevação. Aqui, temos um mosaico de imagens obtidas pela missão Clementine, lançada pela NASA em 1994. Assim como no Google Mars, vemos aqui uma versão em preto e branco do que veríamos se estivéssemos em órbita lunar.

Outra opção de visualização bem legal é o Modo Apollo. Ele revela alguns locais em alta resolução inseridos sobre o mapa, e você poderá ter uma visão melhor ampliando ali. Também apresenta uma coleção de marcadores contam a história das missões Apollo, que pousaram na Lua nas décadas de 1960 e 1970 (no momento de redação desta matéria, havia outro bug ali e os marcadores não apareceram), incluindo desde histórias, citações, imagens, até trechos de áudio e links para vídeos dos astronautas na superfície lunar.

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