Rovers modulares "independentes" podem permitir missões mais longas em Marte
Por Danielle Cassita • Editado por Rafael Rigues |

Rovers modulares criados para a exploração de Marte, operando em um sistema robótico cooperativo, podem permitir missões mais longas no Planeta Vermelho e a coleta de mais informações sobre seu passado e possível habitabilidade. É o que sugerem cientistas do Skolkovo Institute of Science and Technology, que descrevem em um novo estudo um sistema de robôs de duas rodas, que podem operar independentemente ou combinados.
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O rover da missão Pathfinder, da NASA, foi o primeiro a pousar em Marte, em 1997. Desde então, os pesquisadores enviaram para lá veículos exploratórios autônomos com seis rodas, equipados com diferentes instrumentos científicos a bordo. Agora, os pesquisadores sugerem que as missões podem trazer mais resultados na mesma duração se trabalharem com robôs variados, realizando tarefas separadas em diferentes lugares. Quando necessário, eles poderiam se unir.
Alexander Petrovsky, autor principal do estudo, descreve que a questão principal é descobrir como maximizar o tempo de exploração e a distância percorrida em Marte, mas sem aumentar significativamente os custos da missão. “Descobrimos que usar um único rover de seis rodas pode não ser o ideal; segundo nossos cálculos, quatro robôs de duas rodas são a melhor opção. Cada um pode levar ferramentas de pesquisa únicas, e somente a carga útil crítica estaria em todos os módulos”, explicou.
Durante tarefas que exijam estabilidade, como a coleta de algum objeto de interesse, um par de rovers poderá se unir para formar um veículo de quatro rodas, garantindo mais segurança. Além disso, mesmo que três dos quatro robôs apresentem falhas, aquele que sobrar ainda poderá continuar o trabalho e transmitir suas descobertas para a Terra, maximizando os resultados da missão.
Para Petrovsky, a tecnologia dos “enxames” de robôs poderá beneficiar não somente a exploração de Marte, mas também as missões lunares e até projetos na Terra: por exemplo, robôs de duas rodas podem ser implantados para monitorar o crescimento na agricultura, detectando pestes ou doenças que afetem os vegetais. Ele também acredita que a abordagem modular pode beneficiar os robôs criados para operações de busca e resgate.
Contudo, Petrovsky observa que, embora os demais parâmetros sejam razoavelmente bons ou até melhores que o esperado, a principal desvantagem deste sistema é a estabilidade reduzida. "Dito isso, a tecnologia dos robôs de duas rodas avançou um longo caminho para tornar estas coisas mais estáveis do que eram, então até isso é um problema um pouco menor agora'', concluiu.
O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Acta Astronautica.
Fonte: Acta Astronautica; Via: Skolkovo Institute of Science and Technology