Rover Curiosity talvez "rasgue" suas rodas para proteger seus componentes

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 13 de Maio de 2021 às 17h40
NASA

O rover Curiosity já está explorando o terreno marciano há quase nove anos. O veículo pousou na cratera Gale em agosto de 2012 e, depois de um ano no Planeta Vermelho, os cientistas notaram algum desgaste nas rodas do veículo, desgaste esse maior do que esperavam. Após cinco anos, os elementos estruturais que unem as rodas quebraram. Agora, os cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato, da NASA, elaboraram um plano de ação caso o desgaste chegue a um nível crítico — e a ideia envolve usar uma pedra afiada para destruir as rodas de uma vez por todas, se necessário.

Cada uma das seis rodas do veículo tem 19 estruturas parecidas com garras. A cada 1 km de deslocamento, o Curiosity faz uma pausa e usa seus instrumentos para registrar algumas imagens das rodas, que mostram para a equipe como estão. Até a metade de abril de 2021, o Curiosity já tinha rodado mais de 25 km em Marte, e os cientistas observaram uma garra quebrada na roda central direita e outras três na roda central esquerda, mas as estruturas das rodas frontais parecem estar intactas.

À esquerda, a estrutura de uma roda nova, e à direita, a foto de uma das rodas do Curiosity feita em 4 de abril de 2021 (Imagem: Reprodução/JPL, NASA/JPL-Caltech/MSSS)

Na verdade, as rodas continuam funcionais mesmo se a maior parte da camada de alumínio do revestimento for perdida, mas a grande preocupação com as garras é por elas serem as responsáveis por manter a estabilidade da estrutura. Então, embora as rodas do veículo apresentem danos após tantos anos de atividades em Marte, a equipe consideraria agir somente se soubessem haver 14 garras destruídas em uma só roda — e deve isso deverá acontecer somente em 2034.

Se chegarem a um estado em que garras suficientes se romperem, pode acontecer de o interior da roda ficar solto e acabar entrando em contato com os cabos que as conectam com o motor no interior do rover. Com isso, pode acontecer tanto de as rodas pararem de funcionar quanto a ocorrência de danos elétricos, que podem danificar o controle dos outros motores. Apesar de ainda haver tempo até lá, os cientistas elaboraram o plano “wheels shedding” ("perda de rodas", em tradução livre), que seria uma solução para as rodas em estado crítico.

A ideia é levar o Curiosity para perto de uma rocha afiada o suficiente para criar mais duas quebras propositais na estrutura da roda, uma de cada lado. Depois, seriam feitas algumas manobras para remover o restante da roda danificada. A primeira é a “Twist and Shout”, que torce a parte interna do componente. Então, com a manobra “Pigeon Toe”, a maior parte da roda danificada é pressionada contra a rocha, enquanto o Curiosity tenta se mover para descartá-la. Se tudo correr bem, a parte danificada é “descascada” pela rocha, o veículo segue com a camada mais externa de suas rodas.

Depois da manobra, o rover segue e deixa a roda danificada para trás (Imagem: Reprodução/JPL)

A NASA estima que essas manobras levariam até cada dois meses para cada roda, mas vale lembrar que nada disso precisa ser feito agora: “já que outras mitigações que a equipe implementou estão estendendo a vida útil das rodas cada vez mais, é improvável que tenhamos que realizar essa manobra”, disse Evan Graser, engenheiro de sistemas no JPL. “Sempre existe a chance de chegar ao fim da vida útil da roda durante a missão, mas ainda estamos a muitos anos de precisar tomar a decisão de seguir com a manobra”, completou.

Se acontecer de o Curiosity chegar às 14 garras quebradas, Graser alerta que a equipe terá que analisar a manobra com cuidado para refiná-la, garantir que funciona e descobrir como colocá-la em prática em Marte.

Fonte: Futurism, IEEE Spectrum

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