Rover chinês encontra esferas de vidro translúcido no lado afastado da Lua

Rover chinês encontra esferas de vidro translúcido no lado afastado da Lua

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 23 de Fevereiro de 2022 às 10h53
Xiao et al., Science Bulletin, 2022

Há pequenas esferas de vidro translúcido em meio à poeira do lado afastado da Lua. As esférulas foram identificadas em meio a imagens produzidas pelo rover Yutu-2, da China, e podem conter informações importantes sobre o passado do nosso satélite natural — incluindo a composição do manto e de impactos passados. Apesar de o rover não ter conseguido coletar dados, as bolinhas podem ser objetos importantes de pesquisas futuras.

As esférulas encontradas pelo Yutu-2 têm entre 15 e 25 mm de extensão. Isso não as torna únicas, já que esferas de vidro com até 40 mm já foram encontradas na superfície lunar durante a missão Apollo 16. As da nova descoberta parecem ser translúcidas ou semi-transparentes, com um brilho vítreo; outras quatro esférulas foram encontradas, mas a equipe do estudo não conseguiu confirmar se também são translúcidas.

Esférulas de vidro encontradas pelo rover Yutu-2 (Imagem: Reprodução/Xiao et al., Science Bulletin, 2022)

Para formar vidro, o material de silicato precisa ser exposto a altas temperaturas. Isso ocorreu na Lua no passado durante o período de intensa atividade vulcânica, que resultou na formação de vidro vulcânico — mas, por outro lado, o vidro também pode ser formado por impactos de pequenos objetos, como meteoritos, que geram altíssimo calor. E, na verdade, uma equipe de cientistas liderada por Zhiyong Xiao, geólogo planetário, sugere que este seja o processo por trás das esférulas.

Como as esferas de vidro na Lua podem ter se formado

As outras quatro esférulas foram encontradas perto de crateras de impacto recém-formadas, sugerindo que, talvez, tenham se formado durante impactos de meteoritos na superfície da Lua. Por outro lado, também é possível que elas já estivessem por lá o tempo todo, enterradas sob a superfície; depois, os impactos dos meteoritos escavaram-nas até a superfície.

Mesmo assim, a equipe acredita que a explicação mais plausível é que elas se formaram a partir da anortosita, um vidro vulcânico. Elas teriam sido derretidas após o impacto, e depois, formaram as esférulas translúcidas. “Coletivamente, a morfologia peculiar, a geometria e o contexto local dos glóbulos de vidro são consistentes com os vidros anortosíticos de impactos”, escreveram os autores.

O rover Yutu-2 faz parte da missão Chang'e 4 (Imagem: Reprodução/CNSA/CLEP)

Se este for o caso, os objetos podem ser considerados o equivalente lunar dos tectitos, pequenos objetos de vidro formados quando materiais presentes na Terra são derretidos e espalhados pelo ar, em spray. Depois, eles se solidificam e retornam ao solo em esferas, como se fossem versões maiores das esférulas encontradas na Lua. Caso as esférulas sejam tectitos, é possível que elas sejam comuns na superfície lunar.

Não é possível saber ao certo as origens dos objetos sem estudar sua composição, mas os autores consideram haver possibilidades interessantes para pesquisas futuras. “Como é a primeira descoberta de glóbulos de vidro macroscópicos e translúcidos na Lua, este estudo prevê que os glóbulos sejam abundantes no planalto lunar, proporcionando alvos promissores para a coleta de amostras que revelem a história inicial dos impactos na Lua”, concluíram.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Science Bulletin.

Fonte: Science Bulletin; Via: Science Alert

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