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Rochas da cratera Jezero revelam interações com água líquida

Por| Editado por Patricia Gnipper | 25 de Novembro de 2022 às 11h38

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NASA/JPL-Caltech
NASA/JPL-Caltech

As rochas no interior da cratera Jezero, em Marte, contêm evidências consistentes com a possível presença de compostos orgânicos. A conclusão é resultado de análises realizadas por pesquisadores do Imperial College, no Reino Unido, e outras instituições, que revelaram interações significativas entre as rochas da cratera e água em estado líquido.

Lançado em 2020, foi somente no início de 2021 que o rover Perseverance pousou no interior da cratera Jezero. Desde então, o explorador robótico já encontrou compostos orgânicos no delta da cratera, uma formação geológica vinda da intersecção de um rio e um lago na borda dela.

Quando rios transportando sedimentos encontram massas de água mais profundas e com movimento mais lento, eles perdem velocidade e depositam os sedimentos; no fim, este processo pode reter e preservar possíveis microrganismos. Assim, os cientistas acreditam que o delta poderia ter preservado seres vivos, se tiverem existido.

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A equipe de pesquisadores esperava encontrar rochas sedimentares no leito de antigos lagos da cratera, formadas por diferentes camadas de sedimentos depositadas pela água. Entretanto, quando receberam os dados do Perseverance, eles descobriram que o fundo da cratera tinha rochas ígneas, formadas por magma resfriado.

Os minerais das rochas indicavam processos ígneos e contato significativo com a água — mais especificamente, eles exigem que a água circule nas rochas e abra cavidades, depositando minerais dissolvidos em rachaduras e aberturas. Os dados indicam evidências de compostos orgânicos nestes nichos, que têm potencial para serem habitáveis.

Os possíveis compostos orgânicos e minerais foram identificados pelo instrumento SHERLOC (sigla de “Scanning Habitable Environments with Raman & Luminescence for Organics & Chemicals”). Como os compostos orgânicos podem ser formados por processos não biológicos, eles não são evidências diretas de vida, e o melhor jeito de descobrir suas origens é analisando as amostras em laboratórios na Terra.

"Espero que um dia estas amostras sejam trazidas à Terra, para podermos analisar as evidências de água e da possível matéria orgânica, e explorar se as condições foram adequadas para existir vida no início da história de Marte", disse Mark Sephton, membro da equipe de ciência do rover.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Science.

Fonte: Science; Via: Imperial College