Robô saltador poderá auxiliar na exploração da Lua

Robô saltador poderá auxiliar na exploração da Lua

Por Danielle Cassita | Editado por Rafael Rigues | 27 de Abril de 2022 às 20h00
Elliot W. Hawkes

Um robô capaz de saltar mais de 100 vezes sua própria altura pode conseguir atravessar terrenos irregulares na Lua, explorando a superfície do nosso satélite natural mais rapidamente que um rover com rodas. O robô foi projetado por Elliot Hawkes, da Universidade da Califórnia, junto de colegas, que desenvolveram um protótipo de 30 cm capaz de saltar a até 32,9 m de altura.

Projetado com fibra de carbono, o robô pesa apenas 30 g e usa um pequeno motor somado a um sistema de engrenagens que comprime suas molas. A energia é então liberada rapidamente, lançando o robô ao céu. Após pousar, ele consegue se endireitar sozinho, flexionando as molas e se preparando para mais um salto.

Você pode conferir tudo isso em prática no vídeo abaixo:

Segundo Hawkes, a altitude máxima que animais conseguem alcançar em saltos depende do trabalho que seus músculos conseguem realizar em um único acionamento. Já o robô supera esta limitação com um pequeno motor, que tensiona as molas ao longo de várias rotações; assim, ele salta só após conseguir armazenar uma grande quantidade de energia.

Na Lua, o robô poderia alcançar alturas de aproximadamente 125 m, percorrendo meio quilômetro a cada movimento e se tornando uma ótima máquina para a exploração lunar. “A Lua é verdadeiramente o lugar ideal para saltar”, disse Hawkes. “A gravidade é apenas um sexto daquela da Terra, e basicamente não existe ar”, explicou. Por aqui, cerca de 25% da altitude potencial no salto é perdida em função do atrito com o ar.

Para o autor, o robô poderia saltar para a lateral de um penhasco inacessível, ou ir para o fundo de uma cratera, coletar amostras e levá-las a um rover. Já Pietro Valdastri, da Universidade de Leeds, sugere outras aplicações para o robô. “Esta tecnologia tem grande potencial para ser integrada aos robôs projetados para resgatar pessoas após desastres, como tsunamis ou terremotos”, disse.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature.

Fonte: Nature; Via: News Scientist

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