Programa Artemis: Brasil vai participar do novo programa lunar da NASA

Por Danielle Cassita | 11 de Janeiro de 2021 às 13h10
Reprodução/U.S. Embassy Brasilia/NASA

No final do ano passado, o ministro Marcos Pontes firmou com Jim Bridenstine, administrador da NASA, a Declaração de Intenções Conjunta de colaboração com o programa Artemis, que deverá levar a primeira mulher e o próximo homem para a Lua em 2024. A assinatura ocorreu durante uma reunião virtual e sinaliza a intenção de o Brasil ser o primeiro país da América do Sul a participar dos Acordos Artemis — além de torná-lo o décimo a fazer parte da colaboração.

A participação brasileira no programa será destinada à produção e desenvolvimento de pequenos equipamentos robóticos. Segundo informações da Agência Espacial Brasileira (AEB), o Programa Espacial Brasileiro prevê 19 projetos — entre eles, o lançamento de uma solicitação pública para o desenvolvimento de ferramentas de pesquisa na Lua baseado no modelo de práticas estabelecidas pela NASA. “Vamos publicar o que pretendemos desenvolver para que as empresas apresentem propostas de como fazê-lo”, diz Carlos Moura, presidente da agência.

O programa Artemis é, além de mais um passo para a exploração humana, uma etapa essencial para futuras missões em Marte (Imagem: Reprodução/NASA)

Ele comentou também que o Brasil deverá fornecer pequenos robôs: “o tipo de contribuição que poderíamos dar é essa, um pequeno equipamento robótico para ajudar na exploração da Lua”. Moura reforça que, como o Brasil ainda não tem capacidade própria para levar esse equipamento por si só, o jeito seria enviá-lo pela NASA ou alguma empresa que presta serviços para a agência espacial. A propriedade intelectual dos equipamentos desenvolvidos por aqui está protegida, e os artigos lunares coletados por lá deverão ficar sob acordos de colaboração: “estamos indo juntos para a Lua, e o interessante seria compartilhar os conhecimentos”.

Ainda segundo a AEB, os projetos associados à exploração lunar deverão se iniciar neste ano, e irão envolver o desenvolvimento de uma nave internacional e um rover lunar — este completamente produzido por empresas e instituições nacionais. Além de inspirar e promover a participação nacional, os projetos deverão também contribuir para o aprimoramento das competências brasileiras no setor espacial, bem como com o desenvolvimento de um programa de educação espacial voltado para níveis escolares diversos.

Bridenstine se declarou animado em assinar o documento com Pontes: “as parcerias internacionais do Artemis terão papel essencial para alcançarmos a presença sustentável e robusta na Lua, enquanto nos preparamos para conduzir uma missão humana histórica com destino a Marte”. Os Acordos Artemis são princípios universais que reforçam e implementam o Tratado do Espaço Sideral; por meio dos Acordos, a NASA e seus parceiros se comprometem a garantir que as operações do programa sejam feitas seguindo obrigações internacionais existentes e outros princípios importantes.

O programa Artemis é uma iniciativa da NASA para levar a primeira mulher e o próximo homem para nosso satélite natural — humanos estiveram por lá pela primeira vez em 1969, com a missão Apollo 11, e pela última vez em 1972, com a Apollo 17. Além disso, o programa também visa estabelecer a presença humana sustentável e permanente na Lua, para que as operações lunares forneçam à agência a experiência e conhecimentos necessários permitindo que, futuramente, missões humanas sejam feitas em Marte. Recentemente, a NASA divulgou os astronautas que serão treinados para possivelmente irem à Lua com o programa.

Fonte: Estadão, AEB, NASA

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