Por que balões são ferramentas importantes para pesquisas espaciais?

Por que balões são ferramentas importantes para pesquisas espaciais?

Por Danielle Cassita | 18 de Agosto de 2020 às 22h00
NASA's Conceptual Image Lab/Michael Lentz

Durante muito tempo, os balões foram considerados ferramentas direcionadas principalmente a estudos meteorológicos. Esse cenário vem mudando recentemente, pois cientistas da NASA e de outras instituições os consideram ferramentas de grande importância para pesquisas espaciais - principalmente na Antártida, ambiente cujas condições extremas são excelentes para estudos do tipo.

De fato, os balões meteorológicos são bastante utilizados em experimentos e missões mais breves feita por professores e estudantes. E isso não significa que a NASA não os utilize: na verdade, a agência espacial também trabalha com balões do tipo. Neste caso, os balões são compostos por polietileno e carregam pequenas cargas úteis, que irão descer onde o vento levá-las.

Por outro lado, considere as plantas, seres essenciais para a exploração espacial: são elas que podem criar uma fonte sustentável de nutrição para a tripulação e conferem benefícios psicológicos por manter os astronautas em contato com a natureza. Claro que cultivar plantas no espaço não é nada simples, mas é exatamente aí que as instalações da NASA, na Antártida, entram. Robert Ferl, diretor de ciências horticulturais na Universidade da Flórida, explica que os experimentos com as plantas são importantes para entendermos como a radiação espacial pode afetar nossos sistemas biológicos.

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"Podemos aprender ao colocar as plantas em ambientes extremos mais acessíveis para nós, como altas altitudes no polo magnético da Antártida, onde a radiação é mais parecida com aquela de Marte", comenta em entrevista à NASA. Já Anna-Lisa Paul, pesquisadora e diretora do Interdisciplinary Center for Biotechnology Research da Universidade da Flórida, e cientista de pesquisa de biologia espacial, ressalta que a resposta das plantas aos ambientes de voo é essencial para a humanidade avançar na exploração espacial. Ambos são também os investigadores principais da NASA na pesquisa de biologia espacial.

Lançamento do balão da missão SuperTIGER-II, em 2019 (Imagem: Columbia Scientific Balloon Facility)

Entretanto, a facilidade da Antártida é desafiadora, pois as oportunidades para missões são bastante raras devido à localização e necessidades logísticas das instalações. Por outro lado, o ambiente extremamente frio e seco é também vantajoso para os pesquisadores: balões equipados com painéis solares recebem energia constantemente para suas cargas úteis, o que possibilita que as missões durem semanas e até meses.

Além disso, os ventos da Antártida permitem que os pesquisadores consigam prever como será a trajetória do balão: é esperado que ele percorra um círculo a partir de seu lançamento, de modo que voltaria para perto de onde foi lançado. Na prática, isso significa menos esforços para recuperar cargas úteis pousando no gelo - diferente da missão realizada pela NASA em 2017, onde o telescópio precisou ficar no gelo por um ano devido às condições climáticas. E, por fim, os níveis de radiação da região são muito mais próximos do que o espaço profundo guarda, de modo que os experimentos ocorrem em ambientes mais próximos do natural.

Aliás, a equipe do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da agência espacial dos EUA, já está trabalhando em um projeto na Antártida: trata-se do telescópio ASTHROS, que deverá ser lançado em 2023 junto de um balão cujas dimensões são quase as de um estádio de futebol. Assim, se tudo correr bem, o telescópio ficará vagando pela estratosfera. Os testes do projeto foram iniciados em agosto.

Fonte: NASA (1), (2)

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