NASA quer estudar o universo com telescópio preso em balão na estratosfera

NASA quer estudar o universo com telescópio preso em balão na estratosfera

Por Danielle Cassita | 24 de Julho de 2020 às 11h33
NASA's Conceptual Image Lab/Michael Lentz

A equipe do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA, está trabalhando em uma missão ambiciosa: a agência espacial quer levar um telescópio de 2 metros em um balão cujo tamanho é quase o de um estádio de futebol. O telescópio, que recebeu o nome ASTHROS - sigla para Astrophysics Stratospheric Telescope for High Spectral Resolution Observations at Submillimeter-wavelengths - deverá ser lançado em 2023, na Antártica. Se tudo correr bem, ele ficará vagando pelas correntes de ar na estratosfera.

O telescópio será lançado numa altura de 40 km acima da superfície da Terra para observar as ondas infravermelhas bloqueadas pela atmosfera, que não podem ser vistas pelo olho humano. Jose Siles, gerente de projeto do ASTHROS, explica que missões com balões têm risco mais alto do que as missões espaciais, mas os custos são menores. “Com o ASTHROS, nós queremos realizar observações astrofísicas nunca feitas antes”, explica ele. E saiba que as expectativas já são grandes: para Siles, essa missão irá pavimentar o caminho para futuras missões espaciais, por testar novas tecnologias e fornecer treinamento para gerações futuras de engenheiros e cientistas.

Conceito do ASTHROS (Imagem: NASA's Goddard Space Flight Center Conceptual Image Lab/Michael Lentz)

Em linhas gerais, o telescópio irá funcionar como os "olhos infravermelhos" da NASA no céu, e terá, basicamente, quatro alvos e duas regiões de formação de estrelas em nossa galáxia para observar. O primeiro deles é a detecção e mapeamento da presença de dois tipos específicos de íons de nitrogênio, que podem indicar onde os ventos de estrelas com grande massa e explosões supernovas mudaram a forma de nuvens de gás nessas regiões. O segundo objetivo é criar os primeiros mapas 3D detalhados com informações de densidade, velocidade e movimento de gás dessas regiões, para verificar como gigantes recém-nascidas podem influenciar seu material de formação. Com essas informações, a equipe poderá coletar dados essenciais para melhorar simulações virtuais da evolução das galáxias.

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Em seguida, o terceiro alvo do ASTHROS será a galáxia Messier 83, onde o telescópio irá buscar informações sobre como o feedback estelar - ou seja, um processo que pode impedir ou acelerar a formação de estrelas - influencia os diferentes tipos de galáxias. Por fim, a anã TW Hydrae é o alvo final telescópio. Essa estrela encontra-se cercada por um grande disco de poeira e gás, e a equipe suspeita que este pode ser também o local de formação de novos planetas. Assim, o telescópio irá medir a massa total deste disco e verificar como a massa se distribui por ele.

Balão atmosférico Stratospheric Terahertz Observatory II (STO-2), da NASA (Imagem: NASA/JPL-Caltech)

Siles explica que o lançamento do ASTHROS será feito nos limites do espaço do local mais remoto e duro da Terra, o que é desafiador. Mesmo assim, a equipe está terminando os toques finais no telescópio e demais instrumentos que estarão a bordo. Se tudo correr bem, os testes dos subsistemas do telescópio deverão começar no início de agosto.

Fonte: NASA

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