Publicidade

Por que as nuvens da Galáxia Olho Negro giram ao contrário? Eis a resposta

Por  • Editado por  Patricia Gnipper  | 

Compartilhe:
NASA/The Hubble Heritage Team/AURA/STScI
NASA/The Hubble Heritage Team/AURA/STScI

A enigmática galáxia M64, conhecida como Olho Negro, teve o mistério de suas nuvens revelado. A nuvem de poeira gigantesca que parece tentar esconder o núcleo brilhante se formou após uma fusão com uma galáxia semelhante à Pequena Nuvem de Magalhães.

O disco externo da M64, descoberta em 1779, foi por muito tempo um desafio para os cientistas por orbitar na direção oposta ao disco interno de estrelas. Isso sugere que essas duas características têm origens diferentes.

Em um novo estudo liderado pelo astrônomo Adam Smercina, da Universidade de Washington, foi descoberto que o hidrogênio gasoso do disco externo veio de uma galáxia anã, que orbitava a M64 assim como fazem as galáxias satélite da Via Láctea.

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Isso significa que aquela galáxia anã foi “devorada” pela M64 em algum momento de sua história — algo que deve acontecer com a Pequena Nuvem de Magalhães, destinada a ser engolida pela Via Láctea.

A massa estelar da galáxia devorada foi estimada em 500 milhões de massas solares, comparável à Pequena Nuvem de Magalhães. As semelhanças também aparecem no que diz respeito à metalicidade (quantidade de gases mais pesados que hidrogênio e hélio) dessas duas galáxias.

Para o estudo, a equipe comparou simulações com dados do instrumento Hyper Suprime-Cam do telescópio Subaru, e descobriu que a distribuição de massa em formato de concha em torno da M64 é consistente com algo conhecido como fusão "menor", a colisão entre uma galáxia anã satélite e sua companheira maior.

O movimento do gás em sentido contrário ao do núcleo da M64 ocorre porque a extinta galáxia anã tinha uma órbita parcialmente retrógrada em torno da companheira. As manchas escuras de poeira também são resultado da fusão, ainda em andamento, à medida que esse material colide com o disco interno de gás.

Em seguida, a equipe decidiu conferir dados do telescópio Hubble, só para aumentar ainda mais o leque de evidências para sustentar essas conclusões, e confirmaram as medições de massa.

As descobertas foram aceitas no The Astrophysical Journal Letters e estão disponíveis no arXiv.org.

Fonte: arXiv.org; via: ScienceAlert