Pode ser que existam formas estranhas de vida dentro de estrelas

Por Daniele Cavalcante | 04 de Setembro de 2020 às 17h20
ESO

Na busca por seres vivos em outros mundos, o conceito de “vida” pode ser bastante relativo. Normalmente, pesquisadores procuram planetas com características semelhantes às da Terra, pois assim aumentam as chances de se encontrar formas de vida como a conhecemos. Mas e se houver seres vivos e inteligentes em lugares que nem imaginamos? Por exemplo, em uma estrela?

Procurar por viva em mundos parecidos com o nosso não significa necessariamente que outras formas desconhecidas são desconsideradas, apenas que buscamos aquilo que é mais fácil reconhecer. Mas pode ser que haja seres inteligentes que jamais perceberemos se não considerarmos a possibilidade de suas existências.

De acordo com um estudo publicado por uma equipe de físicos da City University of New York, uma forma bizarra de vida poderia teoricamente sobreviver no centro de uma estrela. Esses seres poderiam sobreviver e se reproduzir antes de serem destruídos pelo plasma de seu mundo natal, de acordo com os pesquisadores. Claro, é apenas uma especulação, mas o trabalho tenta mostras que é possível, e isso é uma ótima contribuição para mudar os paradigmas sobre onde procurar e o que procurar.

A Nebulosa Carina, que tem dentro de seus limites vários aglomerados abertos de estrelas (Imagem: Lóránd Fényes)

Nessa hipótese, os cientistas sugerem que tais alienígenas estelares poderiam ser baseados não em DNA, mas sim em cordas cósmicas unidimensionais (defeitos topológicos hipotéticos que podem ter se formado no início do universo) e monopolos (partículas com apenas um polo magnético) que rapidamente formam estruturas cada vez mais complexas e se reproduzem. Assim, cada geração desenvolveria novos traços, potencialmente evoluindo para melhor se adaptar às condições, e talvez até desenvolver inteligência.

Essa espécie viveria pela sua própria perpetuação, já que cada indivíduo não duraria muito tempo — mas o suficiente para produzir novos indivíduos, proporcionando assim a manutenção dessa forma de vida na estrela. E como eles fazem isso? Absorvendo a energia da estrela. Por isso, se uma estrela escurecer mais rápido do que a previsão dos modelos computacionais, significa que pode haver uma colônia como esta. A equipe já até indicou algumas candidatas a abrigar essas curiosas criaturas, como a HD 139139, localizada a 350 anos-luz de distância, na constelação de libra.

Pode ser que não exista vida dentro de estrelas, ou que nunca as encontremos, mas a pesquisa é de grande utilidade e os cientistas planejam continuar o trabalho desenvolvendo simulações desses colares vivos em estrelas, o que pode resultar em uma melhor compreensão sobre as cordas cósmicas e monopolos. Além disso, é um ótimo exercício de imaginação na busca por vida que não seja nada parecida com os seres terrestres.

Fonte: ScienceAlert

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