Plataforma usada em lançamentos espaciais históricos da NASA será demolida

Por Danielle Cassita | 22 de Janeiro de 2021 às 15h45
Reprodução/Kim Shiflett/NASA
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Em 1971, a missão Apollo 14 deixava a Terra levando os astronautas Alan Shepard, Stuart Roosa e Edgar Mitchell para a Lua. Quinze anos depois, o ônibus espacial Challenger também foi lançado para aquela que seria sua última missão. Todos estes acontecimentos ocorreram com a plataforma Mobile Launch Platform-2 (MPL-2), que, apesar de ter sido utilizada em tantos momentos importantes, será demolida para dar lugar a um estacionamento de carros.

A MPL-2 faz, na verdade, parte de um conjunto que conta com mais duas plataformas, utilizadas para o transporte e apoio aos lançamentos dos foguetes Saturn V e Saturn IB, utilizados nas missões do programa Apollo. Ao fim do programa, elas foram removidas de suas torres de lançamento e foram transformadas em plataformas de lançamento móveis para os ônibus espaciais. Hoje, já não seriam capazes de dar suporte à massa combinada do foguete Space Launch System, que será utilizado nas missões do programa Artemis; já há uma nova plataforma móvel para o foguete, que é a ML-1, finalizada em 2018.

Escavadeira na lateral da Mobile Launch Platform-2, que será demolida para dar lugar à estrutura móvel de lançamentos do SLS (Imagem: Reprodução/Kevin Keenan)

A plataforma MPL-2, de 8 metros de altura e 50 metros de largura, foi por onde as tripulações das missões Apollo 9 e Apollo 14 deixaram a Terra, além de ter realizado também o lançamento da estação espacial Sky Laboratory (Skylab) com destino à órbita terrestre. Com uma bagagem de quase 50 lançamentos em seu histórico, houve de fato alguma expectativa para que a plataforma pudesse ser mantida como um artefato histórico ou que fosse utilizada para outras finalidades, mantendo-se ativa.

Mesmo assim, no fim das contas seu destino foi a demolição: “estamos nos livrando da MLP-2 agora não por falta de clientes, mas sim porque estamos ficando sem vagas”, explicou Scott Tenhoff, gerente de projeto da demolição da MLP-2. “Agora, temos esse contrato para criar a Mobile Launcher-2, então algo tinha que sair”. Com a construção da plataforma ML-2 iniciada em 2020, é esperado que as vagas de estacionamento disponíveis da ML e MLP dentro e nos arredores das instalações do Vehicle Assembly Building (VAB) sejam ocupadas quando a obra for finalizada.

De acordo com informações da NASA, uma oportunidade até foi estendida a fontes internas que pudessem ter interesse em manter a MLP-2 para preservação histórica. Entretanto, um representante da agência explica que não houve retorno: “a NASA não recebeu respostas para preservar nenhuma parte da MLP-2, então a decisão tomada foi para seguirmos com a demolição”. O processo será feito, basicamente, com escavadeiras e tesouras hidráulicas: “eles vão cortá-la de cima para baixo e continuar até que fique menor”, disse Tenhoff. É esperado que o processo leve cerca de um mês para ser finalizado.

Até o momento, não há planos para um destino semelhante às "irmãs" da MLP-2; por enquanto, a MLP-1 (ML-3) está sendo carregada com blocos de concreto que vão simular a massa do foguete SLS e a torre de lançamento. Quando estiver pesada o suficiente, a plataforma será levada por uma "esteira" que vai do VAB à área de lançamento, um processo feito para garantir que a estrutura irá aguentar o peso do SLS. Já a MLP-3 (ML-1), que forneceu suporte aos lançamentos da Apollo 11 e da última missão dos ônibus espaciais, está sendo revertida para a configuração que tinha na época do programa antes de ser alterada pela Northrop Grumman.

Fonte: Space.com

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