Para procurar bioassinaturas na lua Europa, seria preciso cavar pelo menos 30 cm

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 13 de Julho de 2021 às 14h40
NASA/JPL-Caltech/SETI Institute

Cientistas acreditam que o oceano subterrâneo de Europa, uma das quatro maiores luas de Júpiter, possa ter as condições adequadas para a formação da vida. Localizado a cerca de 3.100 km abaixo da superfície congelada da lua, este oceano parece estar em contato com um núcleo rochoso e aquecido, tornando possível reações químicas complexas.

Por isso, qualquer sinal de vida por lá pode estar preso na camada de gelo que cobre Europa — na superfície, qualquer bioassinatura é varrida pela forte radiação. Em um novo estudo, pesquisadores estimaram a que profundidade tais moléculas poderiam estar protegidas das partículas carregadas, o que pode orientar as futuras missões de exploração da lua.

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Assim como a nossa Lua, Europa não tem uma atmosfera — pelo menos não a ponto de protegê-la de pequenos impactos de objetos espaciais. A pesquisa, publicada este mês na revista Nature Astronomy, simulou como os constantes impactos pequenos na superfície da lua, ao longo de dezenas de milhões de anos, poderiam desenterrar qualquer vestígio de vida que possa ocorrer nas profundezas de seu oceano. Com isso, os pesquisadores descobriram que essa “jardinagem de impacto” agita aproximadamente 30 cm da camada de gelo que envolve o pequeno mundo; no entanto, qualquer bioassinatura desenterrada é destruída pela radiação.

A lua Europa (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/SETI Institute)

Emily Costello, pesquisadora planetária da Universidade do Havaí e principal autora do artigo, explica que, se esperamos encontrar bioassinaturas químicas imaculadas em Europa, é necessário olhar abaixo das zonas de impacto. "Bioassinaturas químicas em áreas mais rasas do que aquela zona podem ter sido expostas à radiação destrutiva", acrescenta Costello.

Uma informação importante desse estudo é que, pela primeira vez, uma modelagem considera os impactos secundários causados por detritos. Segundo o artigo, a “jardinagem de impacto” provavelmente acontece em outros mundos, mas agora há uma imagem mais abrangente deste processo. A pesquisa também indica que as latitudes médias e altas de Europa seriam menos afetadas por impactos e pela radiação.

Imagem ampliada da superfície de Europa, obtida pela sonda Galileo, da NASA (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

A pesquisadora da lua Europa, Cynthia Phillips, do Laboratório de Propulsão a Jato, da NASA, afirma que este trabalho também amplia a compreensão sobre os processos fundamentais que ocorrem na superfície de outros corpos pelo Sistema Solar. “Se quisermos entender as características físicas e como os planetas, em geral, evoluem, precisamos entender o papel que a jardinagem tem na sua reformulação”, ressalta Phillips.

Mais do que nunca, missões voltadas para a exploração desta lua são importantes para responder a perguntas fundamentais. A missão Europa Clipper, já em desenvolvimento pela e prevista para ser lançada em 2024, realizará uma série de sobrevoos próximos à superfície desta lua, onde também coletará amostras de poeira e gás expelidos da superfície.

A pesquisa foi publicada no dia 12 de julho deste mês, na Nature Astronomy.

Fonte: Space.com, JPL

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