Luas de exoplanetas gigantes podem ter condições para o surgimento da vida

Luas de exoplanetas gigantes podem ter condições para o surgimento da vida

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 14 de Junho de 2021 às 22h20
Tommaso Grassi / LMU

A busca por formas de vida em mundos além da Terra vem sendo feita de forma relativamente conservadora — afinal, ela é focada na vida semelhante àquela que há na Terra, já que compreendemos somente os seres formados a partir do carbono e dependentes da água em estado líquido. Contudo, um novo modelo matemático pode ampliar as opções de busca, já que algumas luas de exoplanetas, que atendem algumas condições bem específicas, podem ter atmosferas e água líquida.

A vida na Terra depende da água em estado líquido, então, a busca por formas de vida nos exoplanetas é direcionada àqueles que estão na zona habitável de suas estrelas, ou seja, onde é possível haver água em estado líquido. A maior parte destes exoplanetas são superterras na órbita de pequenas anãs vermelhas, as estrelas que representam cerca de 75% daquelas existentes na Via Láctea. Já os exoplanetas do tamanho de Júpiter, com órbitas próximas de suas estrelas, não têm boas condições para abrigar vida — mas algumas de suas luas, sim. 

No Sistema Solar, as luas Ganimedes, Europa e Encélado parecem ter oceanos líquidos sob suas superfícies (Imagem: Reprodução/The Planetary Society)

Por exemplo, considere Ganimedes, uma das luas de Júpiter: mesmo sendo tão gelada, já sabemos que ela guarda um oceano de água líquida sobre sua superfície, enquanto a lua Europa tem mais água subterrânea do que a Terra e sua superfície, e Encélado, que orbita Saturno, também tem água líquida "escondida". Nestas três luas, a presença da água em estado líquido não se deve ao calor do Sol, mas sim ao aquecimento causado pela fricção que ocorre no interior delas, devido aos efeitos de maré causados pela atração gravitacional entre elas e seus planetas gigantes.

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Pois bem, como é possível que exoplanetas gigantes gasosos tenham luas quentes e úmidas, sem que, necessariamente, estejam próximos de suas estrelas, uma equipe de cientistas produziu modelos para entender se exoplanetas parecidos com Júpiter poderiam ter luas com água líquida — e, se sim, de que forma essas luas poderiam se formar e manter essa água para permitir o desenvolvimento e evolução da vida. 

Para o estudo, eles modelaram uma lua de massa equivalente à da Terra, com atmosfera composta por dióxido de carbono e hidrogênio, na órbita de um planeta com a massa de Júpiter. A equipe de pesquisadores descobriu que, a partir de algumas considerações razoáveis sobre a composição química e estabilidade orbital, essa exolua poderia ter água líquida em sua superfície em quantidade bem menor que a daqui, mas suficiente para permitir o surgimento e desenvolvimento de vida em uma escala de tempo razoável. 

Essa água ficaria líquida com o calor gerado pela ação das forças de maré da gravidade do exoplaneta, e a atmosfera da lua pode colaborar para manter a água neste estado: “a presença da água na superfície da exolua, afetada pela capacidade de a atmosfera manter uma temperatura acima do ponto de fusão, pode favorecer o desenvolvimento da química prebiótica”, explicam os autores no artigo. 

Para eles, após formada, a água pode ficar líquida durante toda a evolução do sistema e, assim, forneceria as condições para a emergência da vida. Vale lembrar que o modelo foi focado nas exoluas com atmosferas com composição determinada; então, se houver luas sob essas condições que as tornem habitáveis, talvez seja possível estudar suas atmosferas pela radioastronomia e luz infravermelha. 

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista International Journal of Astrobiology. 

Fonte: Universe TodayScience Alert

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