Missão Europa Clipper avança e NASA deve enviar sonda à lua de Júpiter em 2023

Por Patrícia Gnipper | 29 de Janeiro de 2019 às 20h45
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Ainda que muita gente (incluindo cientistas da própria NASA) acredite que seja mais inteligente estudar a lua Encélado (de Saturno) em busca de vida microbiana em seu oceano subterrâneo, a NASA está levando adiante a missão Europa Clipper, cujo objetivo principal será a busca por algum tipo de vida debaixo da crosta congelada desta lua de Júpiter. Está previsto para o ano de 2023, por sinal, o lançamento da nave não tripulada.

Ao chegar lá, a sonda coletará informações essenciais sobre a composição e a geologia de Europa, além de estudar seu oceano interior. A nave levará consigo nove instrumentos projetados para funcionar em conjunto, a fim de resolver alguns dos grandes mistérios sobre Europa e avaliar o quão habitável a lua realmente pode ser — isto é, considerando que ela seja habitável para algum tipo de vida. Entre esses mistérios, estão coisas como por que a espessura do gelo superficial é menor do que o imaginado, e como os sulcos da superfície se formaram.

A nave chegará a apenas 25 km da superfície congelada de Europa, o que significa, além de muitos dados científicos, o envio de fotografias fantásticas. E, assim como acontece com a sonda Juno, que está ao redor de Júpiter, a sonda da Europa Clipper também será movida a energia solar. Ainda, tal qual aconteceu com a sonda Cassini, quando passou por Encélado, a sonda com destino a Europa também será capaz de voar através das plumas de água que são despejadas por meio de fendas na superfície.

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Arte imagina como devem ser os gêiseres de Europa (Imagem: NASA)

"A Europa Clipper vai nos dizer muito sobre como as luas geladas funcionam, e as luas geladas são provavelmente os ambientes habitáveis mais comuns no universo, então isso é emocionante", declarou Robert Pappalardo, cientista planetário da NASA e membro da missão.

Oceanos de água líquida são possíveis em luas como Europa e Encélado, mesmo elas sendo congeladas em seu exterior, pois a atração da gravidade de seus planetas faz com que as coisas, literalmente, esquentem lá dentro, mantendo a água, então, no estado líquido. Além disso, atividade geológica no fundo desses mares pode fornecer produtos químicos para alimentar microorganismos, e o gelo da crosta acabaria bloqueando a radiação perigosa que afeta a superfície. Sendo assim, um dos objetivos principais da missão é justamente entender a habitabilidade desse tipo de mundo congelado com água líquida em seu interior. Contudo, vale lembrar de um estudo recente conduzido por pesquisadores sem relação com a NASA, em que os resultados sugerem que luas congeladas, incluindo Europa e com exceção de Encélado, podem, na verdade, estar "mortas" por dentro, sem qualquer atividade geológica produzindo elementos químicos para servir de alimentos para microorganismos. De qualquer maneira, é exatamente isso o que a nova missão da NASA pretende desvendar.

A Europa Clipper poderá ser lançada pelo Space Launch System, novo e poderoso foguete da NASA ainda em construção, mas outra possibilidade na mesa é que o lançamento seja feito usando um foguete Falcon Heavy, da SpaceX. Enquanto a equipe ainda espera uma decisão nesse sentido, os cientistas estão na fase de resolução de empecilhos relacionados à engenharia do projeto. Passada essa fase, entra em ação a "fase C" do projeto, que inclui a definição do orçamento final e, enfim, o início da construção da nave.

Fonte: Scientific American

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