Observadores em exoplanetas poderiam detectar bioassinaturas na Terra?

Por Danielle Cassita | 22 de Outubro de 2020 às 19h30
NASA/JPL-Caltech

Há 30 anos, Carl Sagan descreveu a Terra na foto da missão Voyager como um “pálido ponto azul”. Ali, nosso planeta foi registrado a 6 bilhões de quilômetros de distância. Desta vez, uma dupla de astrônomos realizou um estudo onde propõem uma visão diferente da Terra: a partir do ponto de vista dos exoplanetas que existem relativamente perto de nós, qual deles poderia ter identificado a Terra e a vida que existe nela?

Lisa Kaltenegger, professora de astronomia e diretora do Instituto Carl Sagan e Joshua Pepper, professor de física, identificaram 1.004 estrelas com o catálogo Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), da NASA, que podem conter planetas semelhantes à Terra em suas zonas habitáveis, onde a água pode existir em estado líquido. Todos os planetas estão a 300 anos-luz da Terra, e estão em localizações que devem permitir detectar os rastros químicos de vida na Terra. “Nós propomos inverter o ponto de vista para o das outras estrelas e perguntamos em quais outros sistemas a Terra seria vista como planeta em trânsito", disse Kaltenegger.

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Dizer que um planeta está em trânsito significa que o planeta em questão está passando pela visão que o observador tem de outra estrela — como o Sol, por exemplo —, e pode revelar pistas da composição atmosférica do outro mundo. “Se os observadores estivessem procurando lá fora, eles poderiam encontrar sinais de biosfera na atmosfera do nosso Pálido Ponto Azul", disse ela. "Podemos até ver algumas das estrelas mais brilhantes no nosso céu noturno sem binóculos ou telescópios".

Observar o trânsito é importante para os astrônomos identificaram planetas de outros sistemas, e o telescópio espacial James Webb, que deverá ser lançado no ano que vem, será essencial para isso. O segredo para identificar esses planetas está no plano da eclíptica da Terra, que é o plano de órbita do nosso planeta à volta do Sol. Então, os exoplanetas que poderiam ver a Terra estariam no mesmo plano, já que eles precisam ser locais em que a Terra pode ser observada cruzando o Sol e, assim, permitindo que os observadores possam saber mais sobre a biosfera terrestre.

Pepper ressalta que uma quantidade muito pequena dos exoplanetas estará aleatoriamente alinhada com a linha de visão para que seja possível observar o trânsito deles. "Mas todas as mil estrelas que identificamos na nossa vizinhança poderiam ver a Terra transitando o Sol”, comenta. Mesmo assim, para Kaltenegger, um planeta com uma biosfera vibrante como a da Terra poderia deixar os pesquisadores curiosos sobre se haveria — ou não — algo por lá nos observando de volta. “Acabamos de criar o mapa estelar de onde devemos olhar primeiro”.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Fonte: Cornell University

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