Novas fotos mostram o local onde a sonda Schiaparelli caiu em Marte em 2016

Novas fotos mostram o local onde a sonda Schiaparelli caiu em Marte em 2016

Por Daniele Cavalcante | 03 de Fevereiro de 2020 às 21h20
ESA/DLR/FU Berlin

Em 19 de outubro de 2016, a missão ExoMars da ESA/Roscosmos chegou a Marte para iniciar um estudo da superfície e da atmosfera do planeta, mas, infelizmente, o módulo de pouso Schiaparelli caiu enquanto descia rumo à superfície. Dois dias depois, a NASA conseguiu encontrar a nave destruída com a sonda orbital Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) e obteve imagens do local do acidente.

O Schiaparelli Lander foi fabricado pela Thales Alenia Space e operado pela ESA e Roscosmos - as agências espaciais europeia e russa, que trabalham em parceria na missão ExoMars. A missão também incluía um orbitador, que conseguiu se estabelecer com sucesso na órbita no Planeta Vermelho e realizar suas tarefas normalmente, e a parceria continua, com novos planos para 2020 e além.

Na época, a câmera HiRISE, da MRO, mostrou uma cratera rasa cercada por marcas escuras difusas e alguns pontinhos brilhantes, resultado do acidente. A imagem abaixo também flagrou três elementos anômalos, com cerca de 1,5 km de distância um do outro.

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Imagem da região do acidente. Os três locais destacados foram ampliados para melhor visualização (Foto: HiRISE/LPL/UA)

Esses elementos correspondem o local onde as várias partes despedaçadas do módulo de pouso caíram, tais como a “concha” protetora traseira e o paraquedas. Esses dois componentes estão destacados na parte inferior esquerda da imagem - o círculo maior e mais brilhante é o paraquedas e a “concha” traseira está logo abaixo. Já os pontos brilhantes cercados por um padrão escuro e circular no canto superior direito da imagem correspondem ao local em que o escudo térmico caiu.

Em março e dezembro de 2019, a câmera HiRISE, do MRO, registrou imagens dessa região mais uma vez para sabermos como o local do acidente estaria três anos depois. As duas fotos mostram a cratera de impacto causada pelo acidente, e ela estava parcialmente escondida por nuvens de poeira. É que em Marte existem tempestades periódicas de poeira que percorrem todo o planeta, e a mais recente durou todo o verão de 2019.

Em 25 de março de 2019, a MRO conseguiu capturar uma imagem logo após a tempestade, que coincidiu com a primavera no hemisfério norte. O pior já havia passado, mas muito pó permaneceu por lá. Então, a câmera HiRISE fotografou a região novamente em 14 de dezembro de 2019, e obteve uma visão muito mais clara do local do acidente. Na animação abaixo, podemos conferir que grande parte do material escuro difuso criado pelo acidente desapareceu desde então - provavelmente devido à poeira da tempestade recente. Isso permitiu uma visão mais distinta da cratera.

Imagens da região de impacto registradas em março e dezembro de 2019 (Foto: HiRISE/LPL/UA)

Alguns dos pontos brilhantes da imagem original ainda são visíveis, então a equipe do HiRISE deduz que eles podem ser fragmentos do módulo que se partiram com o impacto. Já o paraquedas parece ter mudado de forma desde que foi fotografado pela primeira vez, talvez arrastado pelas tempestades.

Não é nada fácil pousar uma nave no Planeta Vermelho. O grande número de fracassos das agências espaciais em tentar fazer isso recebeu até um nome - a "Maldição de Marte". Mas ainda há várias missões programadas para serem lançadas rumo a Marte a partir deste ano, prosseguindo a busca por sinais de vida e revelações de como o Planeta Vermelho era no passado. Isso inclui uma nova tentativa da ExoMars com o rover Rosalind Franklin, além da missão Mars 2020 da NASA e a missão Huoxing-1 da China.

Fonte: Universe Today

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