Procurar por lixo espacial pode ser o caminho para encontrar alienígenas

Por Patrícia Gnipper | 11 de Junho de 2018 às 14h42

O lixo espacial é um problema real na órbita da Terra. Detritos de espaçonaves, foguetes e satélites são acumulados ao redor do planeta, e esses pedaços representam um perigo para missões espaciais em andamento, sendo que, há não muito tempo, um detrito do tipo atingiu uma janela da Estação Espacial Internacional. Então, já que a viagem ao espaço produz esse tipo de lixo, faz sentido imaginar, se existirem mesmo alienígenas tecnologicamente avançados por aí, que eles também produzam lixo espacial em suas jornadas pelo espaço.

É o que consta em um estudo publicado no The Astrophysical Journal. A ideia seria, em vez de somente procurar por habitabilidade potencial em exoplanetas, ou somente vasculhar o céu em busca de sinais de rádio que não são emitidos naturalmente, também investir na busca por lixo espacial em outros sistemas estelares. Hector Socas-Navarro, astrônomo do Instituto de Astrofísica de Canarias, acredita que podemos procurar por lixo espacial alienígena usando a detecção de trânsito, que é a mesma usada para descobrir exoplanetas — quando um planeta passa em frente a uma estrela, esse trânsito produz alterações na intensidade do brilho da estrela observada.

Socas-Navarro, em seu estudo, argumenta que um anel de satélites acumulando lixo espacial deve produzir uma assinatura luminosa característica quando um exoplaneta passa em frente à sua estrela; isso da perspectiva aqui da Terra. Com isso, ele espera que consigamos detectar sinais de vida extraterrestre tecnologicamente avançada com mais eficácia do que pelos métodos atuais, que ainda não geraram nenhuma confirmação de que os aliens existem.

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No estudo, o astrônomo defende que é possível detectar objetos dentro de uma região ao redor de planetas chamada de Clarke Belt, que "é formada por todos os objetos, incluindo dispositivos funcionais e lixo espacial, em órbitas geoestacionárias e geossíncronas em torno de um planeta". E essa observação não exige tecnologias que já não existam.

Contudo, para que esses Clarke Belts alienígenas sejam detectados daqui da Terra, eles teriam de ser espessos o suficiente para tal, abrigando vastas frotas de satélites e lixo espacial. Ou seja: tal civilização alienígena precisaria ser antiga o suficiente para produzir tanto lixo espacial, ou se comportar como os humanos, que ainda não têm um programa de limpeza de lixo espacial em andamento. E nosso próprio Clarke Belt, que abriga os satélites geoestacionários da Terra, não é denso o suficiente para ser detectável em distâncias estelares. Socas-Navarro crê que, na atual taxa de crescimento da quantidade de satélites em órbita, nosso Clarke Belt seria detectável a uma distância estelar dentro de 180 a 200 anos.

Ainda assim, valeria a pena fazer esse tipo de busca. Afinal, a estratégia proposta pelo estudo não nos custaria praticamente nada, já que a busca pode ser feita simultaneamente às buscas por exoplanetas. Bastaria que astrônomos conseguissem discernir a assinatura de um Clarke Belt nas curvas de luz observadas.

Fonte: Gizmodo

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