Radiação espacial não aumenta risco de morte de astronautas, diz estudo

Por Patrícia Gnipper | 08 de Julho de 2019 às 09h19
NASA/SOHO

De acordo com um novo estudo publicado recentemente no Scientific Reports, a radiação espacial não parece aumentar o risco de morte de astronautas por conta de cânceres ou doenças cardíacas como se imaginava.

No espaço, astronautas se expõem a altos níveis de radiação, e isso pode aumentar taxas de câncer e doenças do coração em humanos aqui na Terra. Mas, de acordo com o estudo, as doses de radiação experimentadas pelos viajantes espaciais até então não são suficientes para tal — contudo, viagens mais longas, como a futura jornada a Marte, por exemplo, provavelmente farão com que os astronautas se exponham a doses de radiação muito maiores, o que, aí sim, isso poderá representar riscos à saúde.

O estudo analisou informações de 418 viajantes espaciais, incluindo 301 astronautas da NASA que estiveram pelo menos uma vez no espaço desde 1959, além de 117 cosmonautas soviéticos e russos que viajaram para além da Terra desde 1961. A saúde desses viajantes foi acompanhada por cerca de 25 anos, em média.

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Nesse meio-tempo, 89 deles morreram e, entre os 53 astronautas da NASA já falecidos, 30% morreram de câncer ou de doenças cardíacas, enquanto que, entre os cosmonautas mortos, 50% faleceram de doenças cardíacas e 28% de câncer. Contudo, como até hoje relativamente poucas pessoas estiveram no espaço, estudos anteriores que tentaram vincular as mortes à radiação espacial podem ter tido uma amostragem pequena demais para confirmar tal ligação.

No novo estudo, a equipe usou uma técnica estatística especial para chegar à conclusão, buscando determinar se as mortes em questão tiveram mesmo uma causa em comum — a radiação espacial. No entanto, os resultados não mostram isso. "Se a radiação ionizante está aumentando o risco de morte devido a câncer e doenças cardiovasculares, o efeito não é dramático", escreveram os autores.

De qualquer maneira, o estudo não determina com toda a certeza que missões espaciais não representam tais riscos, muito menos as de longa duração. "É importante notar que futuras missões de exploração do espaço profundo provavelmente oferecerão doses muito maiores de radiação espacial do que as doses históricas, o que levará a um perfil de risco diferente para futuros astronautas e cosmonautas", disseram os pesquisadores. Astronautas continuarão tendo sua saúde monitorada para que a ciência siga buscando potenciais efeitos nocivos da exposição à radiação do espaço.

Fonte: Live Science, Scientific Reports

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