NASA pode ter encontrado sinal de vida em Vênus há 40 anos — e ninguém percebeu

Por Daniele Cavalcante | 02 de Outubro de 2020 às 16h53
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Embora a descoberta de fosfina na atmosfera de Vênus não seja exatamente a confirmação da existência de vida alienígena por lá, os cientistas estão muito animados com as possibilidades de encontrar novas pistas. Muita pesquisa ainda será necessária para saber como este composto foi parar lá, mas pode ser que algumas evidências já haviam sido encontradas há muito tempo e passaram desapercebidas.

No passado, houve alguns programas espaciais com foco em Vênus, o “planeta infernal”. Tanto a NASA quanto a União Soviética enviaram sondas para lá, tentando encontrar algo de valor para a ciência. Na época, o planeta foi considerado pouco promissor na busca por vida extraterrestre — uma ironia, considerando que agora há alguma chance real de algo muito interessante ter sido encontrado já naquelas antigas missões.

A fosfina é um gás também conhecido como hidreto de fósforo, e aqui na Terra ela pode ser produzida através de duas formas: biológica ou processos químicos. Por isso ainda é cedo demais para dizer se a fosfina em Vênus indica, de fato, a presença de alguma forma de vida. Mas é muito importante analisar com cuidado todas as pistas encontradas.

(Imagem: Reprodução/ESO/M. Kornmesser/L. Calçada/NASA JPL/Caltech)

Por isso, uma equipe de pesquisadores analisou dados antigos de missões ao Planeta Infernal, tais como a Venera da ex-União Soviética e a Pioneer Venus Multiprobe da NASA. Elas aconteceram entre as décadas de 1960 e 1980, coletando uma série de informações, inclusive sobre uma possível detecção de fosfina. Curiosamente, de algum modo, isso passou em branco pelos cientistas da época.

Na maior das sondas da Pioneer havia um instrumento chamado Large Probe Neutral Mass Spectrometer (LNMS), cuja tarefa era procurar gases na atmosfera. Os cientistas da missão estavam focados em moléculas como dióxido de carbono, dióxido de enxofre e argônio. Entretanto, Rakesh Mogul, líder do novo estudo, afirma que o instrumento também pode ter detectado vestígios de outras moléculas, incluindo a fosfina. “Achamos que podemos identificar algumas coisas interessantes”, disse Mogul sobre os dados antigos. “Acreditamos que as evidências sugerem a presença de fosfina”.

Obstáculos e contrapontos

Infelizmente, as análises são inconclusivas e a equipe só conseguiu acessar uma pequena parcela dos dados antigos. Há uma cópia física das informações armazenada nas instalações da NASA, no Goddard Space Flight Center, mas o acesso está atualmente restrito por causa da pandemia de COVID-19.

Outros cientistas, como Mikhail Zolotov, da Arizona State University, julgam que o artigo não é muito convincente. Os dados analisados são insuficientes e apontam para uma quantidade muito elevada de fosfina, o que seria estranho, já que a descoberta recente indica que há bem menos desse elemento da atmosfera venusiana.

Vênus observado pela Venera 14 (Imagem: Russian Academy of Sciences/Ted Stryk)

O coautor do estudo Wisconsin-Madison disse que os dados das antigas sondas Venera, da ex-União Soviética, podem conter evidências de fósforo atômico, que poderia sugerir a presença de fosfina molecular. O problema é acessar esses dados, já que ninguém sabe ao certo onde eles podem ser encontrados.

Bem, se não pudermos confirmar a presença de fosfina em Vênus nos dados das antigas missões, ainda podemos contar com as futuras investigações. A sonda BepiColombo, por exemplo, está viajando rumo a Mercúrio, mas fará uma passagem por Vênus para procurar sinais mais evidentes de fosfina. Caso seja confirmada a presença do gás, será o momento de lidar com um desafio ainda maior: como, afinal, ele está sendo produzido? Até obtermos essas respostas, será um longo caminho a percorrer.

Fonte: Scientific American

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