NASA reduz gastos com missão que vai trazer amostras de Marte
Por Danielle Cassita • Editado por Luciana Zaramela | •
A campanha Mars Sample Return vai passar por algumas mudanças para se tornar realidade. Nesta segunda-feira (15), a NASA revelou como vão ser os próximos passos da campanha iniciada em 2021, quando o rover Perseverance pousou em Marte para coletar amostras e buscar sinais de vida. A ideia é que o material seja trazido à Terra, mas os obstáculos para isso vêm aumentando.
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Em uma conferência, a agência espacial discutiu brevemente a resposta sobre um relatório da missão e o que esperar para o futuro do programa. A conferência contou com Bill Nelson e Nicky Fox, administrador da NASA e administrador associado na Diretoria de Missões Científicas, respectivamente.
Basicamente, a Mars Sample Return propõe um trabalho de equipe entre a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA). Por meio da iniciativa, as amostras coletadas pelo rover Perseverance seriam inseridas em um dispositivo, que depois, iria para o veículo Mars Ascent Vehicle (MAV). O MAV vai decolar na superfície marciana e levará o contêiner para a órbita do planeta.
Ali, estaria o orbitador Earth Return, da ESA, para capturar o recipiente de amostras. O componente seria migrado para uma cápsula de entrada na Terra, e depois, seguiria viagem ao nosso planeta, para ser liberado em uma localização estratégica.
Bill Nelson reconhece que o projeto não é nada fácil. "A Mars Sample Return vai ser uma das missões mais complexas que a NASA já realizou. O resultado final é que um orçamento de US$ 11 bilhões é muito caro, e a data de retorno em 2040 é muito distante", declarou ele nesta segunda.
A fala dele veio após um comitê independente apontar em 2023 que a campanha Mars Sample Return poderia ter problemas. Segundo os membros, “o programa tinha orçamento e expectativas de cronograma pouco realistas”, e “não foi organizado para ser liderado de forma efetiva”. Depois, comitês da Câmara e Senado dos Estados Unidos sugeriram um corte de US$ 454.080.000 no orçamento da missão.
Em resposta, a agência publicou a resposta ao relatório produzido pelo comitê. Segundo um comunicado da NASA, o documento traz o projeto atualizado da missão e menor complexidade, análise dos riscos, maior coordenação e custo proposto de US$ 8 bilhões a US$ 11 bilhões. Na proposta atual, as amostras deveriam chegar na Terra até 2040.
Além disso, a NASA também pediu que os membros da agência espacial trabalhem juntos para criar um novo plano de ação capaz de aumentar a inovação e tecnologias. "Adicionalmente, a NASA vai logo solicitar propostas de arquitetura da indústria que possam trazer as amostras na década de 2030, e reduza o custo, o risco e a complexidade da missão", finalizaram.
Fonte: NASA