NASA descobre três planetas que podem ser “elo perdido” da formação planetária

Por Daniele Cavalcante | 30 de Julho de 2019 às 21h50
Tudo sobre

NASA

Saiba tudo sobre NASA

Ver mais

A NASA encontrou três novos exoplanetas (como são chamados os planetas que orbitam uma estrela que não é o Sol) relativamente próximos de nós. A descoberta foi publicada na segunda-feira (29) no periódico Nature e deixou a comunidade científica bastante animada — parece que a descoberta pode oferecer respostas importantes sobre a formação dos planetas em nosso próprio Sistema Solar.

Batizado de TOI-270, o novo sistema estelar foi descoberto com a ajuda do telescópio espacial TESS — sigla em inglês para Transiting Exoplanet Survey Satellite (ou Satélite de Pesquisas de Exoplanetas em Trânsito, em tradução livre). O TESS foi lançado ao espaço pela NASA há um ano e já encontrou 21 planetas fora do Sistema Solar, além de coletar dados de supernovas e buracos negros, entre outros fenômenos.

Elo perdido

O sistema de TOI-270 está há 73 anos-luz de distância da Terra, o que é uma distância relativamente pequena numa escala cosmológica.

Um dos planetas do sistema é uma “superterra”, ou seja, um mundo rochoso com massa ligeiramente maior que a da Terra. Os outros dois são planetas gasosos, apenas um pouco maiores que o anterior. A pouca diferença no tamanho deles chamou bastante a atenção dos cientistas, porque no nosso Sistema Solar as coisas são bem diferentes: os mundos rochosos (Mercúrio, Vênus, Marte, e Terra) são muito menores que os gigantes gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno). Por isso, o sistema TOI-270 está sendo chamado de o “elo perdido”, e pode responder, por exemplo, se planetas rochosos e gasosos têm origens semelhantes ou distintas.

“O TOI-270 nos permitirá em breve estudar esse 'elo perdido' entre planetas rochosos parecidos com a Terra e sub-Netunos gasosos, porque aqui [no Sistema Solar] todos esses tipos se formaram no mesmo sistema”, disse o pesquisador Maximilian Günther, pós-doutor no Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. "O sistema em torno da TOI-270 é uma verdadeira Disneylândia para o estudo dos exoplanetas. É um laboratório excepcional não por uma razão, mas por várias — de verdade, ele preenche todos os requisitos", concluiu.

Imagem: Nasa/Goddard Space Flight Centre/Scott Wiessinger

Busca por vida

Acredita-se que um dos dois mundos gasosos, o mais distante da estrela TOI-270, esteja na faixa de temperatura que poderia suportar algumas formas de vida (a chamada "zona habitável" de uma estrela). Isso também animou os pesquisadores, mas logo se percebeu que a atmosfera por lá deve ser tão espessa e densa que provavelmente muito calor é armazenado e, portanto, a superfície é provavelmente quente demais para abrigar seres vivos.

Günther, porém, acredita que ainda podem ser encontrados outros planetas ao redor da estrela TOI-270 que também estejam em uma zona habitável. Claro, ainda é necessário encontrar esses novos planetas no sistema e conferir suas condições atmosféricas, tamanho e massa.

E parece que tudo está a favor de novas descobertas. A estrela TOI-270 está relativamente próxima, e por isso é bastante brilhante para nós. Ela é pequena e relativamente fria, pouco mais quente que o Sol. Embora seja do tipo anã vermelha, que normalmente é muito ativa com erupções frequentes e tempestades solares, a TOI-270 é um tanto calma e emite um brilho constante, o que ajuda os pesquisadores a observar melhor os planetas que a orbitam.

Fonte: Nature

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.