NASA descobre que asteroide Bennu lança pedaços de sua superfície no espaço

Por Daniele Cavalcante | 09 de Setembro de 2020 às 21h00
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O asteroide Bennu, que recebe a visita da sonda OSIRIS-REx, da NASA, é mais surpreendente do que imaginávamos. É que, de acordo com uma série de artigos publicados pela equipe da missão nesta quarta-feira (9), a rocha espacial é bastante dinâmica, possui uma superfície ativa e ejeta materiais para o espaço com frequência.

Foi a primeira vez que os cientistas puderam ver a superfície de Bennu descartando pedaços de si mesmo, e essa informação pode nos dar uma nova perspectiva sobre asteroides. As partículas jogadas para o espaço são apenas início das revelações publicadas sobre o campo gravitacional do Bennu e até sua composição interior.

Poucos dias após a chegada da OSIRIS-REx na órbita de Bennu, mais precisamente em janeiro de 2019, os cientistas começaram a notar as partículas ao redor da rocha. Só que elas são tão sutis que quase passaram desapercebidas, mas o astrônomo chefe da missão, Carl Hergenrother, achou que havia algo estranho nas imagens.

Tudo começou quando a câmera de navegação da sonda capturava imagens repetidas de estrelas ao fundo, com o asteroide em primeiro plano. Esse procedimento serve para usar as estrelas como uma espécie de “bússola” para orientar a nave corretamente no espaço. No entanto, parecia haver mais estrelas do que o esperado. “Eu estava olhando para os padrões de estrelas nessas imagens e pensei, 'huh, não me lembro daquele aglomerado de estrelas'", conta Hergenrother, que é o principal autor dos novos estudos.

Bastou analisar mais cuidadosamente para concluir que as tais estrelas a mais eram, na verdade, uma nuvem de partículas bem perto do Bennu. Elas se moviam, dando indícios de que estavam sendo arremessadas pelo asteroide. Os cientistas já esperavam que o Bennu fosse um grande alvo de pesquisa, mas essas partículas foram uma surpresa bastante inesperada. Desde então, a equipe observou e contou mais de 300 eventos de ejeção de partículas no objeto cósmico.

Esses eventos acontecem com mais frequência às duas horas à tarde e à noite (no horário local do Bennu), e em média são duas partículas ejetadas por dia. Os cientistas perceberam outra curiosidade: algumas partículas vão embora espaço afora, enquanto outras ficam na órbita do Bennu até cair de volta na superfície. As maiores delas podem chegar a até cerca de 6 cm de diâmetro, mas felizmente elas voam bem devagar, sem representar nenhum risco à sonda.

Mas por que isso acontece? Ainda é cedo para responder, mas os autores avaliam alguns possíveis mecanismos que talvez estejam causando essas ejeções. Um deles seria um suposto vapor de água que poderia ser liberado pela superfície do Bennu. Outra ideia é que as partículas são arremessadas por causa de impactos de pequenas rochas espaciais chamadas meteoroides. Também é considerada a possibilidade de que as rochas estejam rachando por estresse térmico, já que a rotação rápida do Bennu podem aquecer as pedrinhas sobre a superfície durante o dia.

Seja como for, "as partículas foram um presente inesperado para a ciência da gravidade em Bennu, já que nos permitiram ver pequenas variações no campo gravitacional do asteroide que não saberíamos de outra forma", disse Steve Chesley, autor principal de um dos estudos publicados. "As trajetórias mostram que o interior de Bennu não é uniforme. Em vez disso, existem bolsões de material de densidade mais alta e mais baixa dentro do asteroide", afirma ele.

Essa é uma notícia muito empolgante para os pesquisadores que se dedicam a estudar os asteroides, e a descoberta pode ser bastante útil para a elaboração de futuras missões como a OSIRIS-REx. “Se o Bennu tem esse tipo de atividade, então há uma boa chance de todos os asteroides terem”, disse Hergenrother. “E isso é realmente emocionante”.

Fonte: NASA

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