Asteroides se aproximam da Terra o tempo todo, mas não estamos em risco!

Por Daniele Cavalcante | 14 de Agosto de 2020 às 11h51
Родион Журавлёв

Mais uma vez, alguns sites estão noticiando possíveis colisões de asteroides com nosso planeta em 2020. Perfis de redes sociais e vídeos no YouTube falam sobre alguns objetos cósmicos - que de fato existem -, alarmando a respeito de alguma tragédia que aconteceria ainda este ano, geralmente citando a NASA como fonte na notícia. Calma, nada do tipo vai acontecer agora, e nem nos próximos anos.

É comum que a NASA e outras agências espaciais noticiem suas pesquisas sobre objetos espaciais que estão ou estarão próximos à Terra, mas nenhum entre todos os já descobertos é uma ameaça real de alguma colisão catastrófica. A verdade é que os que podem se aproximar muito do nosso planeta são pequenos demais para representar algum risco para nossas vidas.

Um deles é o 2018 VP1, asteroide pequeno que poderia chegar mais perto da Terra do que a Lua, e talvez ainda mais perto do que muitos de nossos satélites de telecomunicações em órbita. A maioria dos asteroides desse tipo é detectada apenas depois de sua passagem por nós, mas, neste caso, ele foi localizado anos antes de isso acontecer. Rochas espaciais como esta podem, de fato, passarem muito perto, e até mesmo podem entrar em nossa atmosfera como meteoros.

Há também outro asteroide famoso nas notícias sensacionalistas, o 2011 ES4. Ele é muito maior que o anterior, com cerca de 50 metros de diâmetro, algo que, caso colidisse com a Terra, poderia fazer algum estrago, provavelmente semelhante ao objeto que passou sobre a Rússia em 2013, na cidade de Chelyabinsk.

Mas e aí, há algum risco?

Imagem: urikyo33/Pixabay

Quanto a esses dois asteroides mencionados, não! O 2018 VP1 tem tamanho estimado em apenas cerca de dois metros. É provável que um asteroide desse tamanho seja quase completamente queimado ao colidir com nossa atmosfera. Além disso, há muita incerteza sobre o quão perto esse asteroide específico pode chegar da Terra - de acordo com a NASA, ele pode se aproximar em cerca de 7.500 km ou até 418.429 km.

Existe um método matemático para determinar o risco de um asteroide colidir com a Terra - a Escala Técnica de Ameaça de Impacto de Palermo. Existe outra escala similar, chamada Escala de Turim, que tem valores de compreensão mais simples. Na escala de Palermo, o risco de impacto do 2018 VP1 é de -3, o que significa que não é digno de preocupação. Na escala Torino, ele não é sequer registrado.

Já o 2011 ES4 tem chance de chegar a cerca de 72,400 km da Terra em 1º de setembro. Esta rocha parece perigosa e coloca algum medo se você falar sobre seu tamanho, mas ela estará mais longe do que todos os satélites em órbita. Mais uma vez, este asteroide nem é registrado na Escala de Torino. Na verdade, nenhum dos milhares de asteroides que já foram descobertos e estão catalogados como próximos da Terra está atualmente registrado nessa escala.

Além disso, mesmo que o 2011 ES4 chegue por aqui, no máximo teríamos um evento como o de Chelyabinsk, que não resultou em nenhuma tragédia grave. Também há muita chance de que ele se despedace enquanto atravessa a atmosfera, caindo em algum oceano ou floresta.

Por fim, é importante dizer que o cenário pode mudar a qualquer momento. Asteroides são difíceis de detectar, principalmente os menores, por não serem muito brilhantes. Portanto, é possível que a NASA ou a ESA encontrem alguma ameaça real nos arredores a qualquer momento. Mas, até lá, nada com que se preocupar.

Fonte: Forbes

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.