NASA busca propostas para produzir energia nuclear na Lua até 2027

NASA busca propostas para produzir energia nuclear na Lua até 2027

Por Danielle Cassita | 03 de Setembro de 2020 às 12h53
CNSA/CLEP

Como produzir energia eficiente o suficiente para atividades de longo prazo na Lua? Para a NASA, a resposta está na energia nuclear — e a agência espacial, junto ao Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE), está em busca de propostas para o projeto Fission Surface Power com o objetivo de desenvolver um sistema de energia nuclear compacto, mas que seja capaz de atender as necessidades que surgirão durante a exploração da Lua e, futuramente, de Marte.

Os oficiais da agência realizaram uma apresentação ao Technology, Innovation, and Engineering Committee, da própria NASA, e esperam poder liberar um pedido de propostas ainda neste ano, no final de setembro ou início de outubro, para a primeira etapa do projeto. A ideia é desenvolver um sistema de fissão nuclear de 10 kilowatts que possa ser instalado na Lua até 2027, capaz de fornecer energia o suficiente para atividades por lá — principalmente quando não for possível contar com a energia solar.

Durante duas semanas, a energia solar não poderia ser utilizada (Imagem: Andrew McCarthy)

Anthony Calomino, gerente de sistemas nucleares na diretoria Space Technology Mission Directorate, da NASA, explica que esta é uma capacidade que permitirá o estabelecimento da presença sustentável na Lua, principalmente para sobreviver em meio à noite lunar. "A superfície da Lua nos dá a oportunidade de fabricar, testar e qualificar um sistema de fissão espacial".

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Na verdade, a NASA e o DOE já vinham trabalhando no projeto Kilopower, que utilizou urânio altamente enriquecido. O problema é que o uso do isótopo preocupa a comunidade de não-proliferação nuclear, que acredita que o projeto poderia incentivar a renovação da produção do urânio, que também pode ser usado para armas nucleares. Assim, o DOE considera utilizar urânio fracamente enriquecido, que não geraria problemas com a comunidade, mas acabaria aumentando a massa do reator.

A questão é complexa e, por isso, Calomino espera que seja possível formar equipes de empresas que, juntas, poderão desenvolver o sistema de energia de fissão nuclear. “Esse sistema é complexo, e não existe apenas um fornecedor que poderá resolver tudo”. Assim, ele reforçou também a importância das parcerias, de modo que a NASA espera poder fornecer o tempo necessário para as indústrias aeroespaciais e nucleares, para identificar necessidades e habilidades em comum. A ideia é que os primeiros projetos sejam entregues em 2021, e que uma empresa seja selecionada em 2022 para a produção. Se tudo correr bem, o projeto seria lançado em 2027.

Fonte: SpaceNews

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