NASA ainda não sabe o que há de errado com o Hubble e segue tentando reativá-lo

NASA ainda não sabe o que há de errado com o Hubble e segue tentando reativá-lo

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 24 de Junho de 2021 às 14h50
ESO

A NASA ainda tenta resolver o problema que deixou o telescópio espacial Hubble "de molho" no dia 13 de junho, mas ainda não conseguiu descobrir a causa da falha no computador de carga útil. Sem esse componente, os instrumentos que capturam imagens e coletam dados, como a câmera ACS e o Cosmic Origins Spectrograph, não podem funcionar.

De acordo com a agência espacial, a maior dificuldade é a impossibilidade de enviar técnicos para avaliarem pessoalmente o hardware do telescópio, já que ele fica no espaço. O Hubble já recebeu algumas visitas para reparos técnicos no passado, mas isso só foi viável através do ônibus espacial, veículo que não é mais utilizado pela NASA desde 2011. Assim, a equipe precisa investigar o problema através do envio de linhas de comando e do feedback enviado pelo equipamento.

Inicialmente, a suspeita era de que um módulo de memória poderia ter causado o problema, o que poderia ser resolvido com a substituição por alguns dos componentes de backups redundantes, previamente instalados para contornar esse tipo de situação. Após alguns testes em vários módulos de memória do computador, no entanto, a NASA concluiu que a falha ocorreu em uma parte diferente do hardware do computador. Os erros de memória seriam apenas um sintoma.

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Assim, a equipe de técnicos procura erros no hardware Standard Interface (STINT), que faz a ponte de comunicações entre o Central Processing Module (Módulo de Processamento Central, ou CPM) do computador e outros componentes. É possível também que o próprio CPM seja a fonte do problema. Mais testes serão realizados nos próximos dias para tentar isolar ainda mais a falha para identificar sua raiz.

Astronautas em manutenção do Hubble durante a primeira visita (Imagem: Reprodução/NASA)

Nesta etapa, a NASA espera determinar qual hardware ainda está funcionando corretamente e, caso o problema com o computador de carga útil não possa ser resolvido, é possível mudar para os hardwares STINT e CPM a bordo do computador de backup. Todo o procedimento dessa troca, que também deve ser realizada via linha de comandos, já foi devidamente testado. Caso essa alternativa seja adotada, serão necessários vários dias para avaliar o desempenho do computador de backup e restaurar as operações científicas de rotina.

Esses equipamentos são antigos, fabricados na década de 1980, e o computador de backup não foi ligado desde sua instalação em 2009. Ainda assim, a NASA afirma que realizou, remotamente, testes exaustivos para se certificar de que ele é confiável o suficiente para ser ativado, se necessário. Esse módulo foi instalado em maio de 2009, quando uma equipe visitou o telescópio para substituir o computador de carga útil anterior, que sofrera uma falha em 2008. O novo hardware era também da década de 1980, mas contava com quatro módulos de memória independentes. Apenas um deles é usado hoje, enquanto os demais são mantidos como backup.

Os instrumentos que o computador de carga opera — como a Advanced Camera for Surveys que captura imagens do espaço e o Cosmic Origins Spectrograph que mede fontes distantes de luz ultravioleta — estão atualmente em "modo seguro" e não estão funcionando.

O próprio telescópio, que funciona em um sistema diferente, continuou a operar apontando para diferentes partes do céu em um cronograma definido. "A razão de fazermos isso é para que o telescópio continue mudando sua orientação em relação ao sol da maneira que havíamos planejado, e isso mantém a estabilidade térmica do telescópio, o mantém na temperatura certa", disse Hertz.

Mesmo agora, com as câmeras e instrumentos de espectrografia no "modo de segurança", o telescópio em si ainda pode operar. Ele mantém sua rotina de apontando para diferentes partes do céu, seguindo um cronograma pré-definido, para manter uma orientação correta em relação ao Sol. Assim, a estabilidade térmica do telescópio é mantida.

Fonte: NASA

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