"Minilua" se aproxima da Terra pela última vez para nunca mais voltar

Por Danielle Cassita | 01 de Fevereiro de 2021 às 12h56
San Diego Air and Space Museum via AP

No ano passado, um objeto misterioso começou a orbitar nosso planeta como uma minilua, e cientistas da NASA confirmaram se tratar do que restou de um antigo foguete. Agora, é hora de nos despedirmos desta minilua: o visitante está prestes a fazer sua última aproximação da Terra, nesta terça-feira (2), para depois nunca mais voltar.

Às vezes, a gravidade da Terra acaba capturando pequenos objetos, que passam algum tempo orbitando nosso planeta, e esses visitantes temporários são chamados de miniluas, podendo ser tanto asteroides quanto objetos artificiais — como é o caso do 2020 SO. Quando foi observado pela primeira vez em setembro de 2020, os cientistas até consideraram que o objeto poderia ser um asteroide; contudo, algumas características indicavam se tratar de algo artificial.

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A órbita do 2020 SO quando foi capturado pela gravidade da Terra em novembro de 2020 (Imagem: Reprodução/NASA/ JPL-Caltech)

Os cálculos mostraram que o objeto se movia a 3,025 km/h, uma velocidade bastante lenta para um asteroide. Além disso, esse “asteroide lento” orbitava o Sol a cada 387 dias; então, ao considerar a velocidade relativamente baixa e a órbita parecida com a da Terra, os cientistas perceberam que provavelmente se tratava de algo que foi lançado do nosso planeta. Para completar, imagens de radar mostraram que o 2020 SO tinha forma e dimensões que correspondiam às do foguete Atlas LV-3C Centaur-D.

No fim das contas, nosso visitante realmente era uma lembrança física do começo da Era Espacial: dados coletados por cientistas da NASA em novas observações revelaram que a minilua era, na verdade, o estágio superior do foguete Centauro, utilizado na missão Surveyor 2 em 1966. Desde então, o antigo propulsor ficou perdido e, graças à interação com a gravidade solar, acabou saindo de sua trajetória original. Pouco tempo depois da confirmação, o objeto passou bem perto da Terra.

Agora, ele está voltando para sua última aproximação ao nosso planeta, e deverá passar por nós a uma distância de 220 mil quilômetros. Depois, o antigo propulsor vai seguir viagem e deverá sair da órbita da Terra em março, para se tornar mais um objeto na órbita do Sol. Para acompanhar a “despedida” do 2020 SO, a equipe do projeto Virtual Telescope, sediado em Roma, realizará uma observação ao vivo que será transmitida hoje, às 19h, no horário de Brasília. Clique aqui para acessar a transmissão.

Fonte: LiveScience, EarthSky

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