Asteroide que virou minilua da Terra tem suas características estudadas

Por Danielle Cassita | 24 de Novembro de 2020 às 15h15

Em fevereiro, um pequeno asteroide foi capturado pela força gravitacional da Terra e passou a fazer companhia para a Lua na órbita do nosso planeta. Agora, com dados coletados pelo Lowell Discovery Telescope (LDT), uma equipe de astrônomos conseguiu definir tanto a taxa de rotação quanto a órbita da minilua, que recebeu o nome de 2020 CD3 — ou, para facilitar, apenas CD3.

As miniluas são pequenos asteroides que ficam orbitando a Terra temporariamente e, depois de algum tempo, voltam para o espaço interplanetário. Assim, o CD3 foi descoberto no início do ano por Kacper Wierzchos e Teddy Pruyne com o observatório Catalina Sky Survey. Como as miniluas são raras, o pesquisador Grigori Fedorets liderou uma iniciativa global para estudar o objeto, que contou com mais de 20 pesquisadores representando 14 instituições acadêmicas em todo o mundo.

Imagem da minilua feita pelo telescópio Gemini North, no Havaí (Imagem: Reprodução/International Gemini Observatory/NSF/NRAO/AURA)

Estudar o CD3 não foi fácil, porque a janela para observá-lo poderia se fechar rapidamente. Nick Moskovitz, astrônomo do Lowell Observatory, explica que o objeto não era brilhante o suficiente para ser estudado por muito tempo. Moskovitz e Maxime Devogele, do Observatório de Arecibo, participaram da iniciativa e deram assistência às observações e, quando mediram mudanças de brilho no CD3 com o Large Monolithic Imager (LMI), no LDT, estabeleceram uma taxa de rotação do objeto de cerca de três minutos, mais lenta do que o esperado para seu tamanho — para Fedorets, esse era um dos maiores mistérios do estudo.

Combinando o LMI e o LDT, Moskovitz e seus colegas puderam definir a órbita do objeto com mais precisão, e a uniram às outras informações do CD3: é possível que o objeto seja de silicato, o que indica que certamente se trata de um objeto natural — diferente do 2020 SO, outro objeto recém-descoberto que, embora ainda não tenha sido confirmado, pode ser o que restou do estágio superior de um velho foguete. Por fim, os pesquisadores estimam que o objeto tem tamanho semelhante ao de um carro pequeno, e que esteve a 13 mil quilômetros de distância da Terra no momento de maior proximidade com nosso planeta.

Esse amplo esforço global para estudar o CD3 pode ser um modelo para outros estudos de miniluas, que deverão nos visitar em um futuro não muito distante. Fedorets acredita que “mais miniluas deverão ser descobertas em grandes quantidades na próxima década, com a abertura do Vera C. Rubin Observatory em 2023”. Trata-se de um enorme telescópio que está em construção no Chile e que poderá permitir que os astrônomos detectem bem mais objetos pequenos e interestelares.

As miniluas são importantes para estudos por alguns motivos: como ficam perto da Terra, elas são potencialmente acessíveis para serem exploradas por robôs ou até humanos. Além disso, podem ajudar os cientistas a entenderem melhor como se relacionam com os cometas e asteroides presentes no Sistema Solar, além de possivelmente terem valor comercial para a mineração espacial no futuro.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astronomical Journal.

Fonte: Lowell.edu

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.