Agora sim: dados confirmam que minilua da Terra é o que restou de um foguete

Por Danielle Cassita | 03 de Dezembro de 2020 às 15h24
San Diego Air and Space Museum via AP
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Em setembro, um objeto misterioso se aproximou da Terra e foi capturado pela força gravitacional do nosso planeta, de modo que acabou se tornando uma minilua do nosso planeta em novembro. Chamado de SO 2020, ele até tinha potencial para ser um asteroide, mas também havia a possibilidade ser o que restou de um velho foguete. Agora, dados novos não deixam dúvidas: nosso visitante realmente é o estágio superior do foguete Centauro, utilizado em uma missão em 1966.

A natureza deste objeto era um mistério desde sua aproximação com nosso planeta, e análises da órbita do 2020 SO revelaram que, na verdade, ele se aproximou da Terra algumas vezes ao longo das últimas décadas — tanto que a maior aproximação foi em 1966, tão perto da Terra que poderia ter até saído do nosso planeta. Ao comparar estes dados com o histórico de outras missões da NASA, Paul Chodas, diretor do Center for Near-Earth Object Studies CNEOS, percebeu que o 2020 SO poderia ser o estágio superior do propulsor de um foguete.

Isso porque o objeto tem órbita circular, algo incomum para um asteroide, e seu tamanho é semelhante ao do estágio superior do antigo Centauro, o veículo utilizado na década de 1966 no lançamento do lander Surveyor 2 com destino à Lua. O lançamento ocorreu com sucesso, mas um dos propulsores do lander apresentou problemas e acabou se chocando contra a Lua; enquanto isso, o Centauro passou por nosso satélite natural e passou a orbitar o Sol como lixo espacial e não foi mais visto — até agora.

Técnicos trabalhando no foguete Atlas Centaur 7 em 13 de agosto de 1965 (Imagem: Reprodução/San Diego Air and Space Museum via AP)

Para ter certeza, uma equipe liderada por Vishnu Reddy, professor e cientista planetário, realizou observações espectroscópicas do 2020 SO, uma tarefa nada fácil em função de seu brilho fraco, mas conseguiu resultados importantes: “realizamos observações coloridas com o Large Binocular Telescope, que sugeriram que o 2020 SO não era um asteroide”, explica ele. Depois, Reddy e sua equipe compararam os dados do espectro do 2020 SO com aqueles do aço inox utilizado para propulsores dos foguetes Centauro na década de 1960. Entretanto, eles não conseguiram uma combinação perfeita, e perceberam que a discrepância nos dados podia ser causada pela diferença na estrutura do aço em laboratório e no aço exposto às condições do espaço.

Então, a equipe iniciou mais uma investigação: “sabíamos que, se quiséssemos 'combinar maçãs com maçãs', teríamos que tentar coletar os dados espectrais de outro propulsor que estivesse em órbita durante vários anos para ver se combinaria melhor com o espectro do 2020 SO”, diz. Devido à velocidade à qual estes objetos se movem, a tarefa seria difícil, mas eles conseguiram, em dezembro, observar outro propulsor de um Centauro D, lançado na década de 1971. Os novos dados foram comparados aos do 2020 SO, e a equipe percebeu que o espectro de ambos era consistente. Então, concluíram que o 2020 SO também era o propulsor de um foguete Centauro.

O 2020 SO ficou mais próximo da Terra em 1º de dezembro deste ano, e deverá permanecer na esfera de domínio gravitacional do nosso planeta — uma região chamada de “Esfera de Hill”, que se estende por cerca de 1,5 milhão de quilômetros de distância da Terra — até que escape e siga viagem em uma nova órbita ao redor do Sol por volta de março de 2021. Enquanto esta lembrança física do início da Era Espacial fica por aqui, os astrônomos vão continuar realizando observações dela.

Fonte: NASA

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