Marte pode conter menos água do que se pensava, segundo novo estudo

Marte pode conter menos água do que se pensava, segundo novo estudo

Por Wyllian Torres | Editado por Rafael Rigues | 26 de Abril de 2022 às 17h00
NASA

O planeta Marte pode conter menos água do que se pensava, de acordo com um novo estudo liderado pelo Oden Institute. Para essa estimativa, os pesquisadores desenvolveram um novo modelo capaz de prever o fluxo das águas subterrâneas do Planeta Vermelho — o qual eles consideram o mais preciso até agora.

Há 4 bilhões de anos, acredita-se que Marte tenha colidido com um enorme objeto. Esse impacto teria acontecido no evento hipotético chamado intenso bombardeio tardio (IBT), um período entre 4,1 a 3,8 bilhões de anos atrás, onde acredita-se que uma grande quantidade de asteroides atingiu os planetas rochosos do Sistema Solar.

Cratera de impacto na região Vastitas Borealis, próxima ao polo norte de Marte (Imagem: Reprodução/ESA/Roscosmos/CaSSIS)

Muitos impactos deste período teriam criado as enormes crateras observadas hoje na superfície marciana. Esse evento intenso de bombardeios também teria criado uma planície ao norte do planeta, conhecida como Vastitas Borealis, que tem uma grande porção que parece ter sido, literalmente, cortada.

Segundo os pesquisadores, essa região já possuiu um enorme corpo de água. Mohammad Afzal Shadab, principal autor do estudo, explicou que Marte costumava ter muita água e parte dela, anterior às colisões, permanece no planeta, mas como gelo.

A equipe criou uma fórmula matemática simples para prever o nível do lençol freático do planeta. Eles usaram a transformação de coordenadas curvilíneas e a dinâmica do fluxo de águas subterrâneas para desenvolver um modelo de um aquífero hipotético não confinado nas terras altas ao sul de Marte, durante o período Noachiano (4 bihões de anos atrás).

Marte teria necessitado de uma quantidade bem menor de água para preencher sua superfície (Imagem: Reprodução/NASA/J. Stevens; NOAA/JPL-Caltech/Washington University)

Além disso, os pesquisadores usaram modelos para explorar combinações auto-consistentes de recarga, que se refere à quantidade de chuva e condutividade hidráulica que reabastece o aquífero. A grande sacada dessa simulação é que seus autores consideraram o formato esférico do planeta nela.

Os pesquisadores disseram que as estimativas anteriormente publicadas, sem considerar uma coordenada esférica, acusaram uma quantidade maior de precipitação do que o jovem planeta Marte realmente poderia suportar há mais de 4 bilhões de anos.

Os resultados também demonstram que uma quantidade bem pequena de chuva seria o suficiente para elevar o lençol freático das terras altas do sul marciano. No modelo, um oceano hipotético nas terras baixas do norte seria recarregado por um corpo de água subterrâneo conectado ao sul.

A pesquisa foi publicada no SAO/NASA Astrophysics Data System.

Fonte: SAO/NASA Astrophysics Data System, Via Phys.org

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