Pode ser que a água em Marte não esteja tão presente como pensávamos

Pode ser que a água em Marte não esteja tão presente como pensávamos

Por Danielle Cassita | 11 de Dezembro de 2020 às 14h10
NASA

Um novo estudo realizado por pesquisadores do Arkansas Center for Space and Planetary Sciences, da Universidade do Arkansas, nos Estado Unidos, sugere que, talvez, a água misturada com sais — ou seja, a salmoura — em Marte não seja tão espalhada pelo planeta quanto estudos já feitos indicam. Isso porque, quando se considera um estado da água por vez, os resultados obtidos mostram um excesso.

É que, se houver água em estado líquido em Marte — como em lagos subglaciais, por exemplo —, essa água provavelmente está cheia dos sais do solo. Assim, essa solução formada por água e sal é mais resistente à evaporação e congelamento do que a água pura, e as salmouras trazem implicações importantes que devem ser consideradas por cientistas durante a busca por formas de vida e locais para humanos buscarem água no planeta.

Pesquisadora utilizando câmara de simulação de Marte (Imagem: Reprodução/ Whit Pruitt, University Relations)

Então, para o estudo, os pesquisadores combinaram dados das taxas de evaporação da salmoura coletados através de experimentos em uma câmara de simulação de Marte, junto de um modelo global de circulação climática do planeta. Desta forma, foi possível criar mapas amplos que apresentavam onde as salmouras teriam mais chances de serem encontradas. Os cientistas consideraram os principais processos de mudança de estado físico da água, enquanto outros estudos utilizavam apenas um.

Segundo Vincent Chevrier, professor associado e primeiro autor do artigo, o estudo observou todas as propriedades de uma só vez ao invés de considerar cada uma individualmente: "depois, nós criamos mapas considerando todos aqueles processos simultaneamente", explica. Com isso, eles perceberam que estudos anteriores podem ter feito estimativas excessivas da duração das salmouras na atmosfera fria, fina e árida de Marte: “a conclusão mais importante é que, se você não considera todos esses processos juntos, você sempre estima excessivamente a estabilidade das salmouras; essa é a realidade da situação”, finaliza ele. Por exemplo, segundo os autores, ao desconsiderar a ebulição, os resultados obtidos mostrariam regiões equatoriais com aparente estabilidade em relação aos líquidos.

As condições favoráveis para salmouras estáveis na superfície do planeta têm mais chances de ocorrer em latitudes médias a altas no norte e em grandes crateras de impacto no hemisfério sul. Já na subsuperfície rasa do planeta, as salmouras podem estar presentes próximas da região equatorial, com temperaturas altas o suficiente para permitir a ocorrência de água em estado líquido; mas, no melhor dos cenários, elas estariam presentes por apenas 12 horas por dia: “não existem salmouras estáveis em lugar nenhum por um dia inteiro em Marte”, diz o autor.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Planetary Science Journal. 

Fonte: University of Arkansas

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